SORTILÉGIO DA COR: RAÇA, GÊNERO E GENOCÍDIO

Elisa Larkin Nascimento em palestra para estudantes da Spelman College (E.U.A). Foto: Milsoul Santos

Elisa Larkin Nascimento palestrou sobre raça, gênero e genocídio para estudantes da Spelman College, universidade exclusiva para mulheres negras localizada em Atlanta, na Geórgia, Estados Unidos. No encontro, realizado na sede do CIEE – Council On International Educational Exchange, no Rio de Janeiro, em 24 de maio de 2018. 

Para ver as fotos do evento, acesse a página do IPEAFRO no Facebook. 

 

 

POLO ABDIAS NASCIMENTO EM VIGÁRIO GERAL, NO RIO DE JANEIRO

Abdias Nascimento fala da tribuna da Câmara dos Deputados durante convenção nacional do PDT, 1982.

O AfroReggae fechou uma parceria com o EDUCAFRO pra implantação de um cursinho pré-vestibular no Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral. Além das matérias curriculares serão implantadas disciplinas como sociologia e antropologia. A preferência do curso é por alunos de escolas públicas, egressos do sistema penal e o público trans. O nome do polo será Abdias Nascimento, político, escritor e ativista dos direitos humanos, morto em 2011. A informação foi publicada na coluna de Jan Theophilo,em 17 de maio de 2018, no Jornal do Brasil.

Sobre Abdias Nascimento
Escritor, artista plástico, teatrólogo, político e poeta, Abdias Nascimento foi um dos maiores ativistas pelos direitos humanos e deixou um legado de lutas pelo povo afrodescendente no Brasil. Leia mais sobre Abdias Nascimento clicando aqui

Sobre a Educafro
A Educafro tem a missão de promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de mutirão. 

Sobre Afroreggae
A missão do Afroreggae é reduzir as desigualdades sociais e combater o preconceito em suas diversas formas, utilizando a arte e a cultura como ferramentas de transformação social de pessoas e grupos bem como o meio em que estão inseridos.

A vibrante africanidade do documentário Akoma

 

 

DIPLOMA DE DIREITOS HUMANOS MARIELLE FRANCO

Marielle Franco (Foto: Mídia Ninja)

A comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou o diploma de Direitos Humanos Marielle Franco, uma homenagem anual para brasileiros que cooperem com a luta por direitos básicos. De autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o PRS 7/2018 prevê possibilidade de que os premiados sejam indicados por senadores ou por decisão popular. Das quatro indicações, três serão pessoas físicas, dentre as quais haverá pelo menos uma e pelo menos uma pessoa. O quarto indicado será sempre uma empresa dedicada à promoção dos Direitos Humanos. 

Marielle Franco foi mulher negra, mãe e cria da favela da Maré. Socióloga com mestrado em Administração Pública, foi eleita Vereadora da Câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46.502 votos (2017). Foi também Presidente da Comissão da Mulher da Câmara. No dia 14/03/2018 foi assassinada em um atentado, quando o carro que a transportava foi atingido por ao menos 13 disparos no bairro do Estácio, região central do Rio. Além de Marielle, o motorista Anderson Pedro Gomes também foi morto na ação dos criminosos. 


Nota redigida com informações do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP), grupo de pesquisa com registro no CNPq, e sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Dica de leitura: “O Rebelde Esquecido – Tempo, Vida e Obra de Manoel Bonfim”

O Rebelde Esquecido – Tempo, Vida e Obra de Manoel Bomfim, de Ronaldo Conde Aguiar. Trata-se da versão, em livro, da tese de doutorado do professor Ronaldo Conde Aguiar, que produziu uma biografia do médico e sociólogo sergipano Manoel Bomfim, um dos primeiros teóricos brasileiros a enfrentar o paradigma racista de pensamento dominante no início do século XX, que atribuía as mazelas de nossa formação social à miscigenação e à presença dominante do elemento negro em nossa etnia. Na contramão do pensamento conservador de nossas elites, Manoel Bomfim escreveu, entre outras obras fundamentais, ‘A América Latina’ (1906), onde defendeu a instrução pública (educação) como instrumento que nos permitiria a superação dos problemas da formação social brasileira. Tanto a tese do professor Ronaldo Conde Aguiar quanto os livros de Manoel Bomfim são leitura obrigatória para todos os interessados em conhecer mais sobre o pensamento social brasileiro.

 

 

TRAGA-ME A CABEÇA DE LIMA DE BARRETO

No dia 13 de maio de 2018, quando Lima Barreto faria 137 anos, o IPEAFRO teve a honra de presenciar, na pessoa de sua diretora Elisa Larkin Nascimento, o espetáculo “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” em uma edição especial em homenagem ao escritor. A peça já é especial pelo grande impacto de seu tema: a presença viva da eugenia, expressão maior do racismo, no desenvolvimento da sociedade brasileira. Inscrita na Constituição de 1934, a eugenia determinava políticas públicas francamente racistas cuja memória foi praticamente abolida do imaginário nacional. No espetáculo, Lima Barreto enfrenta os eugenistas, reunidos em congresso, que buscam entender como um ser “degenerado” poderia produzir um corpo literário da grandeza do conjunto da obra desse autor negro. A figura de Lima Barreto ainda vem sendo resgatada do esquecimento histórico que o jornal Quilombo registrou em sua primeira edição, com uma crítica do livro Clara dos Anjos em que o autor da matéria, Francisco de Assis Barbosa, afirma que o romance “foi publicado há mais de 20 anos e dele nunca mais se falou, permanecendo todo esse tempo inexplicavelmente esquecido”. 

Um monólogo teatral com interpretação de Hilton Cobra, autoria de Luiz Marfuz e direção de Fernanda Júlia, reúne trechos de memórias impressas na obra literária de Lima Barreto (1881 – 1922), especialmente em Diário Íntimo e Cemitério dos vivos, entrecruzados com livre imaginação. O texto fictício tem início logo após a morte de Lima Barreto, quando eugenistas exigem a exumação do seu cadáver para uma autópsia a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias – romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios – se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”. A partir desse embate com os eugenistas, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, sua vida, família, a loucura, o alcoolismo, sua convivência com a pobreza, sua obra não reconhecida, racismo, suas lembranças e tristezas. (Informações da Cia dos Comuns).

Apresentação extra para alunos do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em 11 de maio de 2018

Traga-me a cabeça de Lima Barreto vem sendo apresentado em vários estados e municípios do Brasil, inclusive no Theatro São Pedro, de Porto Alegre, e no Teatro Castro Alves, de Salvador. No Rio, além do SESC Copacabana e do Teatro Gláucio Gil, foi apresentado em sessão especial para os alunos do Colégio Pedro II.

 

LUIZ GAMA: UMA VOZ PELA LIBERDADE

Deo Garcez e Nívia Helen em cena. Foto: Maurício Code

O espetáculo “Luiz Gama: Uma Voz Pela Liberdade”, com Deo Garcez e Nívia Helen, está em cartaz no Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) até 3 de junho de 2018, com apresentações nas sextas, sábados e domingos às 19h. Sob a direção de Ricardo Torres e com dramaturgia de Garcez, a peça reúne diversos textos do poeta e abolicionista. 

Nascida no bojo da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra no Brasil (CEVENB) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a iniciativa tem o apoio da Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (CAARJ). A produção é de Alan de Jesus e Márcio Seixas.

“A peça nos brinda com uma bela seleção de falas do próprio Luiz Gama. O poema satírico ‘A Bodorrada é um clássico depoimento sobre a hipocrisia da elite política da época, que além das atitudes de falsa superioridade de classe se recusava a reconhecer a sua própria negritude. O poema lírico que Luiz Gama dedica à sua mãe, Luisa Mahin, tem uma beleza lírica do tamanha de sua consciência negra. Abdias Nascimento costuma sempre citar estes dois textos. Além disso, os discursos abolicionistas de Luiz Gama soam hoje com o mesmo impacto de força moral e literária como em seu tempo. A peça não fica aí: traz de forma eficaz a atualidade dessa situação nos dias de hoje que testemunham o assassinato de Marielle Franco e os retrocessos nos direitos humanos e sociais. Parabéns a Deo Garcez e sua equipe pela grande realização”, afirma Elisa Larkin Nascimento,  diretora do IPEAFRO, que compareceu à estreia no CCJF em 11 de maio de 2018. 

Por iniciativa da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra (CNVENB), a OAB outorgou em 2015 a Luiz Gama (1830-1882) o título de advogado, já que, por ser negro, não lhe foi permitido frequentar formalmente o curso de Direito. Em 1869, Luiz Gama conseguiu autorização para advogar em primeira instância como *rábula. Sua principal área de atuação era nos processos de libertação de negros e negras escravizados. Estima-se que Luiz Gama tenha atuado em cerca de mil casos. 

ACERVO IPEAFRO (memória)

Há 69 anos, em 9 de maio de 1949, a edição 2 do jornal Quilombo, fundado pelo jornalista Abdias Nascimento, publicou perfil de Luiz Gama em suas páginas. O registro histórico ganhou destaque na edição, com  chamada de capa e foto ilustrativa de Gama, ocupando também um trecho da segunda página do jornal. “Luiz Gama, Herói e Santo da Abolição” decretaram no título da matéria os editores de Quilombo.  Leia esta e outras edições históricas de Quilombo em nosso site: IPEAFRO. 

Rábula ou Provisionado, no Brasil, era o título de alguém que, não possuindo – ou impedido de possuir, como no caso de Luiz Gama – formação acadêmica em Direito (bacharelado), obtinha a autorização da entidade de classe (primeiro do Instituto dos Advogados; a partir da década de 30 da OAB) para exercer, em primeira instância, a postulação em juízo.

SERVIÇO

Local: Centro Cultural Justiça Federal
Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro/ RJ
Tel: (21) 3261-2550
Ingresso: R$ 30 (inteira), R$ 20 (OAB e CAARJ) e R$ 15 (meia-entrada) 

Seminário na FGV discute os 130 anos da “abolição”

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) abriga entre os dias 15 e 18 de maio o II Seminário Internacional Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico, na sua sede à Praia de Botafogo, 190, no Rio de Janeiro. As atividades são transmitidas online pela página do Grupo de Trabalho da Associação Nacional de História (Anpuh) “Emancipações e Pós-Abolição”. As inscrições podem ser feitas clicando aqui

Na diversidade desta rica programação, o IPEAFRO registra a apresentação de Julio Cláudio da Silva (UEA) “Gênero, raça e memória na trajetória de Léa Garcia no Teatro Experimental do Negro”, a ser realizada mo dia 16 de maio, entre 14h e 15h50, na sala 907 da FGV.  Segue o resumo:

“Nossa comunicação versa acerca da História da luta dos negros no Brasil, resgatando a contribuição do povo negro na área social, econômica e política e pertinentes à História do Brasil. Para isso tomamos como referência a história de vida da atriz de teatro, cinema e televisão, Léa Garcia. A partir dos relatos orais da atriz, seus pares na comunidade artística e dos recortes de periódicos investigamos, em perspectiva histórica a contribuição dos egressos do Teatro Experimental do Negro, em especial, a atriz Léa Garcia, no processo de criação e ampliação da presença de atores, personagens e temáticas negra nos palcos brasileiros. Ao mesmo tempo buscamos iluminar as relações raciais no universo das artes cênicas no Brasil face a conjuntura política das décadas de 1950”.

Ao todo são 27 Painéis Temáticos, 3 Mesas Redondas, Fórum “Microfone Aberto” de Ensino de História e Sessão de Pôsteres de Iniciação Científica e Graduação. Confira a programação completa:

SEMINARIO-POS-ABOLICAO-FGV-2018

SERVIÇO

Local: Sede FGV
Endereço: Praia de Botafogo, 190 – Botafogo, Rio de Janeiro/RJ
Data: 15 Maio 2018 até 18 Maio 2018
Horário: 09:00 – 18:00
 
DICA DO IPEAFRO
 
Painel: “Gênero, raça e memória na trajetória de Léa Garcia no Teatro Experimental do Negro”
Sala: 907
Data: 16 de maio, dàs 14h às 15h50
 

 

MULHERES NEGRAS NO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO

Ruth de Souza com Aguinaldo Camargo e José Maria Monteiro (fundo) em “O Filho Pródigo”, de Lúcio Cardoso (Teatro Ginástico, Rio de Janeiro, 1947)

No último sábado, dia 12 de maio, a diretora do IPEAFRO, Elisa Larkin Nascimento, participou do jantar em homenagem à atriz Ruth de Souza, no restaurante La Fiorentina, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro. Amigos e colegas celebraram a vida desta grande dama do teatro brasileiro no seu aniversário. 
 
Reafirmando nosso carinho pela Ruth, e nosso profundo respeito à sua destacada carreira que tanto honra a cultura brasileira, registramos a participação das mulheres negras na estreia do Teatro Experimental do Negro (TEN) em 1945, com a peça O imperador Jones, no Theatro Municipal. O papel da Velha Nativa, única personagem feminina do texto, foi desempenhado por Arinda Serafim. Ruth de Souza participou do Recitativo Coral que compôs o espetáculo junto com a peça de Eugene O’Neill. Do Recitativo Coral participaram outras mulheres negras, como Ilena Teixeira, que declamou a poesia “Menina do Morro”, de Aladir Custódio. Ruth fez o papel da Velha Nativa em apresentações posteriores de O imperador Jones.
 
Arinda Serafim era empregada doméstica quando atendeu o chamado do recém-criado Teatro Experimental do Negro (TEN). Ela teve papel de liderança na organização das mulheres negras dentro do TEN, e nas várias iniciativas do grupo em defesa dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Mais tarde, Arinda Serafim trabalhou como atriz em filmes do saudoso diretor Nélson Pereira dos Santos. Infelizmente, há poucos registros documentais e iconográficos dessa mulher guerreira que atuou na estreia do TEN ao lado de outras mulheres negras. Elas pisaram, junto com nossa diva Ruth de Souza, o palco do Theatro Municipal na estreia do TEN em 1945. Marina Gonçalves e Guiomar Ferreira de Mattos são outras duas mulheres negras com destacada presença no Teatro Experimental do Negro.
 
Vale observar que a estreia do TEN foi realizada 11 anos antes da peça Orfeu da Conceição, cujo elenco foi organizado pelo TEN e que frequentemente se cita, de forma equivocada, como se fosse a primeira ocasião em que um elenco negro pisou no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 

14 de maio – O dia seguinte, na TV Brasil

A série de reportagens “14 de maio – O dia seguinte” revela o que aconteceu depois de milhares de pessoas conquistaram a liberdade, no dia 13 de maio de 1888. Foram 300 anos de cativeiro interrompidos pela Lei Áurea, que não previa nem reparações ou inclusão para os negros. A jornalista Luciana Barreto, da TV Brasil, conta essa história.

Série completa: