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ARTIGO: A PRÁTICA PEDAGÓGICA DA ESCOLA QUILOMBOLA MUQUÉM (AL) E A LEI 10.639/03
O artigo a seguir é fruto do trabalho de resistência e educação realizado por docentes da cidade de União do Palmares, em Alagoas. O texto foi apresentado por ocasião do VIII Congresso Artefatos da Cultura Negra, realizado nas cidades de Catro, Juazeiro do Norte e Brejo Santos, no Ceará, entre os dias 25 e 30 de setembro de 2017, na Universidade Regional do Cariri (URCA). Trata-se de um relato sobre os desafios de implementar a Lei 10.639/2003 em uma escola do nordeste brasileiro, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para a inserção no currículo oficial da rede de ensino fundamental, médio, público e privados, a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
Um dos autores do artigo, José Cizino de Oliveiro, diretor da escola Muquém Zona Rural (AL) desde 2017, contou-nos que um dos desafios do corpo docente é “desenvolver um trabalho educativo que possibilite o resgate da auto-estima dos nossos alunos e da comunidade, uma vez que o problema do racismo dentro da comunidade é algo preocupante, tanto quanto a rejeição da própria cor e da ancestralidade”.
Ciente do tamanho do desafio de combater o racismo, o IPEAFRO dispõe de uma ferramenta eficiente nessa luta: o Suplemento Didático Linha do Tempo dos Povos Africanos, elaborado e organizado pela professora doutora Elisa Larkin Nascimento. O material, que pode ser acessado gratuitamente no site do Instituto, foi colocado à disposição da direção da escola alagoana.
Nas palavras do professor doutor Kabengele Munanga, o material “trata-se de uma notável contribuição, pois o texto do Suplemento Didático construído em torno da linha do tempo é escrito numa linguagem acessível a todos, educadores e alunos. Creio que nós todos, envolvidos no processo de fazer funcionar a Lei 10.639/03, estamos ganhando um instrumento precioso e de alta qualidade para cumprir os objetivos da Lei e as reivindicações históricas do Movimento Negro”.
Que assim seja feito!
Por hora, para ler o artigo de José Cizino de Oliveira, José Artur do Nascimento Silva e José Lidemberg de Sousa Lopes e conhecer um pouco dos desafios e práticas pedagógicos na implementação da Lei 10.639/03 em uma escola do interior do nordeste, baixe o artigo em PDF ou leia-o na íntegra abaixo.
A PRÁTICA PEDAGÓGICA DA ESCOLA QUILOMBOLA DO POVOADO MUQUÉM E OS DESAFIOS DA INSERÇÃO DA LEI 10.639/03 NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL
José Cizino de Oliveira, Professor da Educação Básica, Especialista em Línguas Inglês Português,
Centro de Educação Profissional e Superior Santa Maria Madalena, Alagoas – Brasil
José Artur do Nascimento Silva, Professor da Educação Básica, Mestrando no Programa de Pós Graduação em Educação Brasileira, na Universidade Federal de Alagoas, no Centro de Educação – UFAL/CEDU, União dos Palmares – AL – Brasil.
José Lidemberg de Sousa Lopes, Professor da Universidade Estadual de Alagoas, Doutor em Geografia,União dos Palmares – AL – Brasil, Fundação de Ampara à Pesquisa/FAPEAL.
RESUMO
O Presente artigo se propõe a analisar as práticas pedagógicas da escola quilombola do povoado Muquém e os desafios da inserção da 10.639/03 na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Observando os desafios de inserir no cotidiano escolar as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, conjunto formado pelos textos da Lei nº 10.639/03, Resolução CNE/CP nº 01/2004, Parecer CNE/CP nº 03/2004, e da Lei nº 11.645/08, observando a importância da formação continuada dos profissionais da educação, uma vez que a falta dessa formação, horas dedicadas ao estudo da temática, entre outros fatores, tem impossibilitado a implementação dessas leis no cotidiano da prática pedagógica do profissional da educação. O Povoado Muquém é uma das mais antigas e conhecidas comunidades de remanescentes quilombolas da região. Desta forma, configurou política curricular que toca no âmago do convívio, trocas e confrontos necessários ao processo educativo desta comunidade escolar em sua diversidade étnico-racial, em particular, os descendentes de africanos em sua afro-brasilidade. No campo teórico a que concerne este trabalho, tomaremos como aporte, os olhares de Brasil (2003, 2004, 2008), Gomes (1999, 2006), além de Fonseca, et al, (2001). De modo específico, os escritos, busca refletir sobre a prática docente acerca da implementação da 10.639/03 na escola de Muquém; analisar a inserção dos documentos legais que embasam uma política curricular para educação das relações étnico-racial nas práticas docentes. Metodologicamente, fazemos uso da pesquisa qualitativa no que concerne ao ambiente escolar, fazendo uso de bibliografias produzidas acerca do tema, partindo das análises das práticas docentes para apresentar os resultados. Portanto, observa-se que por mais que já se tenha feito, ainda é preciso agregar outros valores étnicos e curriculares, na prática dos professores.
Palavras-chave: Prática Pedagógica – Muquém – Lei 10.639/03
1- INTRODUÇÃO
Trazer para o campo reflexivo as relações étnico-raciais observando como tema gerador deste artigo “A Prática Pedagógica da Escola Quilombola do Povoado Muquém e os Desafios da Inserção da Lei nº 10.639/2003 na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, nos provoca vários questionamentos necessários à compreensão de como se deram essas práticas a partir da implementação da lei em estudo e como esses desafios tem sido enfrentados no ambiente escolar por professores e professoras para “desencadear aprendizagens e ensinos em que se efetive participação no espaço público” (SILVA, 2014, p. 13).
Sintonizados com esse pressuposto, o Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir da Resolução de nº 01/2004, homologou em 17 de junho do mesmo ano e publicou no Diário Oficial da União (DOU), em 22 de junho de 2004 as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Neste mesmo ano o CNE/CP nº 03/2004, aprovou em 10 de março de 2004 e homologou em 19 de maio de 2004 pelo Ministro da Educação, as Políticas de Ações Afirmativas, no campo educacional, buscando garantir o direito de homens e mulheres, cidadãos brasileiros negros ou não negros, o acesso em todas as etapas e modalidades de ensino da Educação Básica, em ambiente escolar com estrutura adequada, profissionais qualificados para as demandas contemporâneas da sociedade brasileira e que estes sejam capacitados para identificar e superar as manifestações de racismo, preconceito racial e discriminação racial.
Desse entendimento, espera-se que haja na escola uma relação afetiva entre os diferentes grupos étnico-raciais, e que o ambiente escolar propicie mudanças efetivas de comportamento para a promoção de uma sociedade democrática e plural. Dessa feita, e para a implementação de ações afirmativa dentro do ambiente escolar, foi criada a Lei nº 11.645/2008 que altera a Lei nº 9.394/1996, introduzindo nesta, a Lei nº 10.639/2003 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para a inserção no currículo oficial da rede de ensino fundamental, médio, público e privados, a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
Vale ressaltar que, no inciso 1º do Artigo 26-A, inclui diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes a história do Brasil. Para o momento, vale dizer que o objetivo geral deste trabalho consiste em analisar as práticas pedagógicas da escola situada no povoado Muquém e os desafios para a inserção da Lei nº 10.639/2003, na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino fundamental, bem como a das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais.
Vale dizer, que este trabalho não intenta realizar um estudo quantitativo nem mesmo mensurar respostas, o que seria impossível, uma vez que a pesquisa é de cunho qualitativo e as respostas são subjetivas e livres feitas na observação da prática pedagógica de cada profissional, nos materiais e metodologias utilizados a partir das orientações pedagógicas e do Projeto Politico Pedagógico-PPP da escola. A intenção é contribuir para a produção do conhecimento relativo à inserção da lei em estudo e a partir desta observação, delinear o perfil da escola e apontar sugestões que possam viabilizar a inserção da lei e melhorar a prática docente, sem querer apresentar receitas prontas, contribuindo assim com a equipe gestora, na melhoria da implementação da lei e suas diretrizes, provocando uma reflexão coletiva acerca do tema em estudo e dos desafios a enfrentar.
2- UMA ESCOLA RURAL E QUILOMBOLA: OS DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DA LEI 10.639/03
O cenário educacional brasileiro recentemente vem passando por mudanças, a partir da criação de novas secretarias dentro do Ministério da Educação (MEC). Ressalva-se que estas mudanças ganharam destaque no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que governou o país por oito anos, e desde 2003 quando criou a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e posteriormente em 2004 a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), na qual o tema educar para as relações étnico-raciais e outros que dizem respeito à questão racial vêm se destacando como política de reparação. A inclusão deste tema na esfera governamental deve-se a uma luta dos movimentos sociais, movimento negro e intelectuais comprometidos com essa questão. O movimento Negro pode ser compreendido como um novo sujeito coletivo e político que, juntamente com os outros movimentos sociais, emergiu na década de 70 no cenário brasileiro. Enquanto sujeito coletivo, esse movimento é visto na mesma perspectiva de Sader (1988), ou seja, como uma coletividade onde se elaboram identidades e se organizam práticas através das quais defendem-se interesses, expressam-se vontades e constituem-se identidades, marcados por interações, processos de reconhecimento recíprocos, com uma composição mutável e intercambiável. Enquanto sujeito político, esse movimento produz discursos, re-ordena enunciados, nomeia aspirações difusas ou as articula, possibilitando aos indivíduos que dele fazem parte reconhecerem-se nesses novos significados. (GOMES, 2010, p. 104).
É nessa direção, como aponta a autora que esse grupo de ativistas sociais vem lutando em prol de uma educação coletiva que torne real esta luta, desejos e anseios onde os espaços escolares sejam parceiros e compromissados para com as questões da diversidade étnico-racial e contra toda forma de preconceito e discriminação racial. Silva (2002, p. 140), aponta que como uma das maiores contribuições desse movimento para o desenvolvimento social do povo negro, a sua luta constante pela conquista da educação, inicialmente como meio de integração à sociedade existente e, depois, denunciando a instituição educacional, como reprodutora de uma educação eurocêntrica, excludente e desarticuladora da identidade étnico-racial e da auto-estima desse povo, apresentando através de suas entidades, uma educação paralela, pluricultural, colocada nas escolas através da ação dos seus militantes.
A escola por se tratar de um espaço privilegiado de formação de pessoas, logo, reproduz as relações estabelecidas na sociedade. Sendo assim, pode surgir o preconceito, entendido aqui como uma opinião formada a respeito das pessoas ou das coisas sem antes conhecê-las, ou seja, um conceito pré-estabelecido sobre o desconhecido. Deste modo, a escola não pode ficar omissa no trato para com os diferentes, ou para com as situações preconceituosas que se fazem presentes no espaço educacional e necessita educar para as relações étnico-raciais nas quais
todos os alunos negros e não negros, bem como seus professores, precisam sentir-se valorizados e apoiados. Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre brancos e negros, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais. Depende, ainda, de trabalho conjunto, de articulação entre processos educativos escolares, políticas publicas, movimentos sociais, visto que as mudanças éticas, culturais, pedagógicas e políticas nas relações étnico-raciais não se limitam a escola. (BRASIL, 2004, p. 13).
Desta forma, é de suma importância que desde a mais tenra idade as questões de raça e cor sejam trabalhadas e aprofundadas, a fim de termos futuramente sujeitos não preconceituosos ou que no mínimo consigam conviver harmoniosamente com o diferente e consigam respeitar a diversidade vivenciada no âmbito escolar e nos demais espaços sociais. É necessário levar em consideração que os sujeitos reproduzem as práticas sociais do seu cotidiano internamente e externamente do espaço escolar, e quer queiram ou não estas relações vão acabar por se encontrar em algum desses lugares de socialização. Fazer com que esta convivência multiétnica seja de fato harmoniosa é tarefa primordial da família e secundária nos demais espaços que o sujeito frequentar. Discutindo que é a partir da aprovação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório no currículo das escolas brasileiras particulares e públicas no ensino fundamental e médio o ensino da cultura afro-brasileira e africana, bem como, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, que o tema vem ganhando destaque no cenário nacional.
Deste modo, algumas ações e políticas governamentais foram realizadas pelo MEC, a exemplo, o envolvimento de intelectuais e líderes dos movimentos sociais na construção de publicações como: “Educação anti-racista: caminhos abertos pela Lei Federal nº 10.639/03” há também, a mais recente coletânea de oito volumes titulada: “História Geral da África” podendo encontrá-las disponível no portal do MEC para download e outras temáticas que contemplam a diversidade de raça/cor realizadas pela Secretaria de Alfabetização e Diversidade do Ministério de Educação (SECAD/MEC) que dão suporte teórico ao processo de formação inicial e continuada.
As políticas de ações afirmativas como a política de cotas para estudantes nas universidades do Brasil, na tentativa de atender uma parcela da população que há décadas viveu desprovida e a mercê de uma educação centrada na elite e desprovida do gozo ao direito de tê-la, acontecidos outrora. Outra das ações, se não a de maior destaque neste cenário, por se tratar de lutas de militantes negros, diz respeito à alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) 9.394 (1996, art. 26 – A) que resulta na Lei 10.639/2003, que passa a vigorar com a seguinte redação:
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e políticas pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileira.
É a partir da Lei 10.639/03, sancionada em nove de janeiro de dois mil e três, que vem tornar público uma das lutas frequentes do movimento negro, assim como dos pesquisadores das universidades espalhadas pelo Brasil afora, que também resultou no Parecer 003/2004 e Resolução Nº. 1, de 17/06/2004, do Conselho Nacional de Educacional que institui as DCN para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, como uma das vias na tentativa de corrigir o que não fora contemplado anteriormente, na busca de uma educação de boa qualidade, onde o respeito às diferenças possa estar presente nos espaços escolares.
Mesmo com tanto esforço e dedicação de uma gama de militantes e estudiosos, a fim de tornar esses trabalhos de fato efetivos, como muitos os têm feito, Gomes (2009, p. 49), quanto à Lei 10.639/03 afirma que: a sua efetivação como política pública em educação vem percorrendo um caminho tenso e complexo, no Brasil. É possível perceber o seu potencial indutor e realizador de programas e ações direcionados à sustentação de políticas de direito e de reforço às questões raciais em uma perspectiva mais ampla e inclusiva. Estes vêm sendo realizados pelo MEC e, em graus muito diferenciados, pelos sistemas de ensino. No entanto, dada a responsabilidade do MEC, dos sistemas de ensino, das escolas, gestores e educadores na superação do racismo e na educação das relações étnico-raciais, as iniciativas para a concretização dessa política ainda se encontram em um nível incipiente. A sua efetivação dependerá da necessária mobilização da sociedade civil a fim de que o direito à diversidade étnico-racial seja garantido nas escolas, nos currículos, nos projetos político-pedagógicos, na formação de professores, nas políticas educacionais, etc.
Deste modo, os trabalhadores em educação devem estar atentos para com as questões do educar para as relações étnico-raciais e que suas propostas pedagógicas possam ultrapassar os muros escolares e atingir pais e responsáveis, assim como, os educandos que ocupam os assentos escolares e possam levar uma educação cidadã, justa, diferente, humana, para além dos muros da escola e para a vida, na tentativa de se tornarem sujeitos críticos e participativos. Para tal, faz-se preciso a organização de um projeto político pedagógico que contemple as variadas formas de manifestação sócio-culturais presentes no entorno da escola, a fim de tornar os sujeitos politizados das diversidades que os cercam, enxergando-as como sinônimo de multiplicidade, carregado de sentido significativos e qualitativos, pautado no respeito à diferença.
3- A PRÁTICA PEDAGÓGICA DA ESCOLA QUILOMBOLA DO POVOADO MUQUÉM NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL
Entender como se deu a evolução do pensamento racista para carecer de leis que coíbam práticas racistas levou a escola a refletir qual é o papel do professor a partir dos marcos oficial observando qual deveria ser o papel da escola, do professor, dos seus funcionários (do vigilante a serviçal) analisando até que ponto esses profissionais estão capacitados para entender as demandas contemporâneas da sociedade de modo a identificar e superar as manifestações de racismo, bem como desmistificar o falso conceito de democracia racial, para então compreender por que a inserção da Lei nº 10.639/2003 ainda não foi definitivamente efetivada no currículo e na prática pedagógica do cotidiano escolar.
Foi a partir desses questionamentos que a equipe gestora, junto aos coordenadores resolveram montar um novo plano de ação, que foi iniciado com quatro sábados inteiro de estudo sobre as Diretrizes para a Educação das Relações Étnico-Raciais e sobre as Orientações e Ações para a Educação dessas relações em todas as modalidades de ensino por ela oferecida, voltadas principalmente para a mudança curricular para a educação rural e quilombola.
A partir desse entendimento, a Escola Pedro Pereira da Silva pode perceber quão agressiva foi e ainda é o processo de inferiorização do homem e da mulher negros na sociedade e principalmente no espaço escolar, e que por esse e tantos outros motivos fora e ainda é desafiador inserir as diretrizes da 10.639/03 na prática pedagógica, uma vez que o primeiro obstáculo observado foi o quase total desconhecimento dos profissionais docentes, da equipe gestora e seus coordenadores em relação a lei e suas diretrizes. Segundo relatos de professores, gestores e coordenadores, o olhar para a educação das relações étnico-raciais surgiu a partir de um acontecimento que chocou a todos, quando um dos alunos, em uma gincana do meio ambiente, quando o ministrante falava da importância da preservação dos animais da mata atlântica, dizendo das penalidades no caso da caça, cativeiro ou morte desses animais. Quando foi interpelado por um aluno negro que perguntou qual seria a punição legal no caso da prisão de um macaco. Ao receber a resposta do ministrante, o aluno folou: – então vou soltar um macaco que tenho preso lá em casa-, apontando para o colega de sala, também negro.
Foi a partir desse fato lamentável que a equipe gestora, junto aos coordenadores e todos os outros profissionais passaram a estudar nos departamentos escolares as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações-étnico Raciais, a partir desse estudo, foi elaborado um novo plano de trabalho que passou a ser elaborado em forma de semanário, onde foram direcionadas as atividades que deveriam ser trabalhadas com o propósito de desconstruir os modelos estereotipados do povo negro a partir do livro didático, de maneira que uma nova proposta pedagógica fosse colocada em prática para proporcionar aos alunos e responsáveis uma prática pedagógica dentro e fora da sala de aula, prática esta que possibilitasse uma reflexão acerca das questões de gênero e de etnia.
Dessa forma, a escola tem trabalhado um novo fazer pedagógico, tais como: estudo das diretrizes curriculares, estudo das orientações e ações para a educação das Relações Étnico-Raciais, especificamente aqueles voltado para a educação rural e quilombola na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, no que tange a educação quilombola. A dinâmica de estudo acontece no contra turno de cada profissional, de forma que os profissionais do horário matutino façam o estudo no horário vespertino e assim com os demais turnos, possibilitando uma mudança no referencial teórico antes utilizado, contemplando todos os turnos e mudando a dinâmica do cotidiano escolar e o trato pedagógico e curricular.
A exemplo de tais mudanças pode-se destacar como ação positiva de inserção da Lei 10.639/03 e das Diretrizes a elaboração da “rotina semanal de trabalho”, nela, destaca-se a “leitura deleite”, a partir da coletânea de livros que tratam das questões raciais e que os professores são orientados a adotarem um livro por semana e a partir dele trabalhar os mais variados aspectos da valorização da história do povo de África, suas contribuições na construção da identidade do povo brasileiro, o resgate das rodas de conversas através dos contos e recontos das lendas africanas e dos seus guerreiro, orixás, príncipes, princesas, reis, rainhas, palácios, indumentárias e seus significados, insígnias e seus significados, estética, musica, dança, teatro a partir dos contos africanos, dança africana, capoeira, oficina de cerâmica, como proposta de manutenção da arte que é a marca desta comunidade, criação do grupo ecologia quilombola, onde alunos do ensino fundamental II discutem as questões de preservação do meio ambiente e o resgate da agricultura familiar como cultura de subsistência e resgate da cultura ancestral, onde produziram um jornal comunitário que esta lançando o exemplar II, poesia cantada e recitada a partir dos poetas negro, feira de resgate da culinária quilombola , além de trabalharem os falsos mitos ligados a religiosidade, a ancestralidade, a genealogia,.
Diante de tantas ações, tem-se percebido uma mudança significativa no processo identitário e de valorização da autoestima e do empoderamento, tanto das crianças quanto dos pais e principalmente da comunidade.
Curioso e satisfatório é ouvir relatos de alguns pais em relação ao comportamento dos filhos em casa, quando recontam as histórias ouvidas e aprendidas na escola, a maneira como se portam enquanto criança negra, de forma que se tem percebido que o trabalho é lento, é em longo prazo, mas tem dado grandes resultados e provocado mudanças significativas. Essas mudanças comportamentais positivas estão contribuindo para a formação de uma criança empoderada e isso tem elevado à autoestima, tanto delas quanto dos seus pais, pois temos escutado relatos de mães de alunos dizendo que nunca mais gastará dinheiro com alisamento, chapinha ou qualquer coisa assim, depois da oficina de história da África e estética do povo negro, ressaltando elas que seus cabelos natural, além de ser lindo é também ancestral.
Sem contar que a partir desse novo plano de ação, todos foram convidados a reformularem o Projeto Politico Pedagógico da escola, para isso, a equipe gestora tem acionado uma vez na semana, professores, funcionários, conselho escolar, associações do remanescente, artesãos, pais e demais interessados para estudo do documento, reflexão, discussão e mudanças, são esses encontros que tem tornado a escola um espaço dinâmico e aberto a todos que queiram contribuir nesse processo de reconstrução do PPP da escola e isso tem provocado mudanças comportamentais de todos, principalmente no trato pedagógico. Observar que a mudança no Plano de Ação da escola, e em sua proposta pedagógica tem provocado tantas mudanças posistivas, nos fazem crer que a educação é sem dúvida a via de transformação que tanto almejamos.
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entender qual é o papel que a escola realmente tem desempenhado na reprodução do racismo e o papel que deveria desempenhar no combate ao racismo, tentando neste viés discursivo municiar e estimular novas práticas pedagógicas e novas estratégias de combate à discriminação racial, sugerindo atitudes práticas de desconstrução e reversão da ideologia e dos estereótipos racistas no cotidiano escolar, procurando entender como se deu a evolução do pensamento racista, conceituando o racismo, o preconceito, a discriminação racial, a discriminação de gênero e os estereótipos. Procurando inserir nas práticas pedagógicas os princípios básicos norteadores que rege a Lei 10.639/2003 e as Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações-Étnico Raciais na Escola Quilombola do Muquém, ainda é um desafios, visto que ainda é preciso discutir e resgatar o lugar das tradições africanas num redesenho cultural da escola em foco.
Observando assim, que a escola que superará o racismo há de ser uma escola que saiba, sobretudo, aprender a relacionar-se com o mundo de possibilidades que a sociabilidade negra criou, procurando convidar professores e professoras a evadir-se do mundo fechado de referências e práticas ainda pautadas na politica do branqueamento ao qual foram formados.
Assim, torna-se necessário rediscutir o mundo de aproveitamento e de críticas interpelando o papel do professor, recuperando as marcas oficiais de qual deve ser também o papel da escola na construção da cidadania.
BIBLIOGRAFIA
Almeida, Carlos Alberto. Educação escolar e racismo: a Lei 10.639/2003 entre práticas e representações. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2014. 271 p. :. – (Coleção Étnico-racial).
FONSECA, M.V. SILVA, C. M. N. FERNANDES, A. B. Relações étnico-raciais e educação no Brasil. Organizadores. – Belo Horizonte: Mazza Ed, 2011.
SILVA, Ana Célia. A desconstrução da discriminação no livro didático. In: MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola.
Ministério da Educação/Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade. Orientações e Ações para a Educação das Relações étnico-Raciais. Brasilia: SECADI,2006. 261 pg;il.
Pensamento negro contemporâneo é tema de ciclo de leituras e debates promovido pelo Ipeafro na Caixa Cultural Rio de Janeiro
Inspirado na obra de Abdias Nascimento, o projeto será realizado a partir de 20 de maio, reunindo intelectuais, artistas e pesquisadores em seis encontros abertos ao público
O Ipeafro – Instituto Abdias Nascimento de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros realiza o ciclo de leituras e debates Pensando o Mundo Negro, inspirado na vida e na obra de Abdias Nascimento. A programação é realizada na Caixa Cultural Rio de Janeiro, com encontros semanais gratuitos a partir de 20 de maio, às 17h30. As atividades contam com mediação especializada, participação de convidados de referência nos temas apresentados e tradução em Libras. O espaço oferece acesso facilitado para pessoas idosas e com dificuldades de locomoção. As inscrições podem ser feitas através do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdFYOhMO57wHisMwc9SQKKG4h3yR8YOqvcbYWLWXbUzFEYswg/viewform?usp=header . O patrocínio é da Caixa Cultural. O Ipeafro tem apoio institucional do Instituto Ibirapitanga e da Fundação Tide Setúbal.
O projeto articula a memória e a produção intelectual negra a temas contemporâneos como educação, política, artes visuais, teatro, poesia e panafricanismo. Os encontros partem da leitura de trechos de livros fundamentais escritos por Abdias Nascimento e por autores que dialogam com sua obra, criando um espaço de escuta, troca e atualização desses saberes. Cada encontro será dedicado a um eixo temático e contará com mediador e palestrantes. Após as exposições, o público poderá participar de um debate aberto. Haverá sorteio de livros para os presentes e emissão de certificados aos participantes. As vagas são limitadas a 30 pessoas por encontro.
Os destaques da programação incluem: a mesa sobre Pensamento social afro-brasileiro (20/05), com o sociólogo Túlio Custódio; o debate sobre Educação (27/05), com a presença das professoras Janete Ribeiro e Alessandra Pio; a sessão de Panafricanismo (03/06), que conta com Elisa Larkin Nascimento; a noite de Poesia (10/06), com o escritor Éle Semog e o embaixador aposentado Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Mourão; o encontro de Artes Visuais (17/06), com os curadores Deri Andrade e Camila Rocha Campos; e, por fim, uma edição sobre Teatro (25/06, quinta-feira), reunindo nomes como Jessé Oliveira e Tatiana Tibúrcio.
“O pensamento e o conhecimento sempre foram aliados da ação! Abdias Nascimento, assim como outros intelectuais negros, nos legaram um manancial de saberes como ferramentas de transformação. A proposta deste projeto é acessar o pensamento de Abdias Nascimento nos campos do conhecimento tendo, porém, como centralidade a experiência negra no mundo”, explica Clícea Maria Miranda, diretora de preservação e gestão do acervo Ipeafro e curadora do evento.
SERVIÇO
| Pensando o Mundo Negro – ciclo de leituras e debates
Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Rua do Passeio, 38 – Centro, Rio de Janeiro – RJ Datas: quartas-feiras: 20/05, 27/05, 03/06, 10/06, 17/06; excepcionalmente quinta-feira: 25/04 Horário: das 17h às 19h30 Acessibilidade: Interpretação em Libras; Cadeiras adequadas para baixa mobilidade Entrada: gratuita (sujeito a lotação) Inscrição: Organização: Ipeafro Apoio: Instituto Ibirapitanga e Fundação Tide Setúbal |
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
1. Pensamento social afro-brasileiro
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| 2. Educação
Data: 27 de maio (quarta-feira)
Convidadas:
Mediação: Clícea Maria Miranda – doutora em História Social pela USP, graduada e mestra em História Política pela UERJ; cogestora e coordenadora do setor de Pesquisa e Documentação do IPEAFRO; integra os GT’s Emancipações e Pós-abolição e Afro-Américas da ANPUH e a Rede de Historiadorxs Negrxs – RHN) Referências:
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3. Pan-africanismoData: 3 de junho (quarta-feira)
Convidados:
Mediação: Julio Menezes Silva – jornalista, curador, mestre e doutorando em História da Arte (UERJ); pesquisador do Lapa-UERJ, bolsista FAPERJ; diretor de Articulação e Difusão no Ipeafro. Referências:
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4. PoesiaData: 10 de junho (quarta-feira)
Convidados:
Mediação: Duda Nascimento – XXXXX Referências:
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5. Artes VisuaisData: 17 de junho (quarta-feira)
Convidados:
Mediação: Julio Menezes Silva – jornalista, curador, mestre e doutorando em História da Arte (UERJ); pesquisador do Lapa-UERJ, bolsista FAPERJ; diretor de Articulação e Difusão no Ipeafro. Referências:
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6. Teatro (único dia na quinta-feira)Data: 25 de junho (quinta-feira)
Convidados:
Mediação: Afonso Drummond – XXXXXXXXXX Referências:
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Ipeafro digitaliza acervo histórico de Abdias Nascimento para preservação da memória negra com apoio internacional
Esta publicação foi realizada pelo Ipeafro, com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)
Rio de Janeiro – O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) deu um importante passo na preservação da memória, legado e patrimônio afro-brasileiro ao digitalizar um extenso acervo histórico. Foram processadas 12 mil imagens, extraídas de 15 microfilmes, além de centenas de minutos de conteúdo audiovisual, provenientes de 51 fitas mini-DV. Parte desse material é inédito e documenta a atuação de pessoas e organizações da sociedade brasileira nas últimas décadas, com ênfase na luta antirracista e na valorização da cultura negra.
A iniciativa contou com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), por meio da Convocatória 2024. “A contemplação do nosso projeto no edital do Iberarquivos reforça a missão do Instituto de preservar a memória negra e evidencia o reconhecimento, por entidades arquivísticas nacionais e internacionais, do Ipeafro como guardião de um acervo de relevância para o Brasil e para os países integrantes do programa”, afirma Clícea Maria Miranda, diretora de Gestão do Acervo do Ipeafro.
A difusão do acervo digitalizado começará em janeiro de 2026, no site e nas redes sociais do Ipeafro. Uma prévia desse conteúdo já está acessível: as entrevistas de Abdias Nascimento no YouTube. O projeto também gerou um resultado imediato: em breve, o Ipeafro passará a integrar a Rede de Memória Virtual Brasileira da Biblioteca Nacional, um portal agregador de conteúdos digitais pertencentes a instituições de guarda de acervos distribuídas pelo país.
Abaixo é possível acessar uma parte dos documentos disponibilizados ao público, bem como acessar vídeos que foram digitalizados de mini-dv – uma fita cassete digital compacta usada em filmadoras para vídeo digital.
Dossiês microfilmados
A lista completa dos dossiês microfilmados está disponível em Dossiês e Rolos. Os dossiês de nº 40 a 54 foram contemplados pelo edital do Iberarquivos e, ainda em 2026, estarão disponíveis para consulta presencial na sede do Ipeafro.
GALERIA DIGITAL: 12 IMAGENS DA “ATUAÇÃO POLÍTICA” COM CONTEXTO HISTÓRICO RESUMIDO
Seção Atuação Política
Em 1991, ao assumir a vaga de Darcy Ribeiro no Senado Federal, Abdias Nascimento despertou amplo interesse da imprensa nacional, que dedicou cobertura significativa ao fato. Na ocasião, foi considerado o primeiro senador negro do país. Contudo, em seu discurso de posse, Nascimento fez questão lembrar a memória histórica, listando outros parlamentares negros que já haviam integrado o Senado antes dele. O que verdadeiramente o distinguiu foi ter colocado a questão racial no centro de sua atuação parlamentar, transformando-a em eixo fundamental de suas proposições e debates.
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Muito antes de a política de cotas se tornar Lei, no início do século 21, Abdias Nascimento e a coletividade negra já reivindicavam ações afirmativas voltadas à reparação da escravidão no Brasil — um sistema que historicamente empurrou pessoas negras para fora dos espaços de decisão que moldaram o país. Retomando a sua proposta de políticas afirmativas antirracistas, apresentada à Câmara dos Deputados em 1983, o senador Abdias Nascimento propôs cotas raciais no mercado de trabalho e no serviço público com recorte de gênero. Tendo como referência o dado oficial daquele momento de que 42,4% da população brasileira seria de cor preta ou parda, Abdias Nascimento definiu a cota de 20% para homens negros e mais 20% para mulheres negras. O projeto de lei incluiu programas de aprendizagem, treinamento e aperfeiçoamento técnico capazes de garantir a formação de profissionais em todas as áreas.
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Entre 3 e 23 de junho de 1998, o Senador Abdias Nascimento exibiu sua produção intelectual no Salão Negro do Senado Federal, com 53 pinturas e 40 textos de sua autoria. Em 2 de julho, um dia antes da abertura, a Agência Senado divulgou uma notícia sobre a “Mostra Cultural Afro-Brasileira”, reunindo obras que retratam orixás, entidades mitológicas egípcias e imagens do vodu haitiano. O professor Muniz Sodré, já à época ligado à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ), comentou sobre a pintura de Abdias: “Seus quadros podem ser entendidos como movimento de obrigação ritualística, mas também como signos artísticos de uma busca ontológica a que o impele sua condição de negro consciente da diáspora escrava”.
No dia da abertura, o colunista Ricardo Boechat publicou outra nota, veiculada em vários jornais do país, sob o título “Efeito Viagra”. Ali, anunciava “polêmica à vista”, dando ênfase ao falo ereto de uma das pinturas apresentadas na mostra, a obra “Xangô Crucificado ou O Martírio de Malcolm”, da série que remete à tradição dos orixás, que mostra um homem negro pendurado numa cruz e remete ao tema do Cristo Negro – que Abdias Nascimento, no contexto de realizações do Teatro Experimental do Negro, explorava desde os anos 1950. Na vernissage, contam as reportagens, Abdias tentava explicar o contexto — o falo associado ao poder e à força, às tradições. Mas a nota de Boechat já havia direcionado a narrativa, pautando a imprensa presente. Nos dias seguintes, matérias foram publicadas em torno da polêmica, sendo uma das mais emblemáticas uma nota publicada na Revista Veja em 10 de junho de 1998, sob o título: “Xangô Assusta o Congresso”.
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GALERIA DE VÍDEOS: TRECHOS DO ACERVO AUDIOVISUAL IPEAFRO DISPONIBILIZADOS NO YOUTUBE, COM SEUS CONTEXTOS HISTÓRICO RESUMIDOS NA DESCRIÇÃO DA LEGENDA
- Publicado no Youtube em 08/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=mSQLONoey4Y
Título: A 1ª Secretaria de Promoção da População Afro-Brasileira: a gestão de Abdias Nascimento
Legenda: Em abril de 1991, Abdias Nascimento fez história ao assumir a primeira Secretaria de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras no Brasil, no Rio de Janeiro. Sua ação foi imediata: criou um serviço pioneiro para registrar denúncias e acolher vítimas de discriminação racial. Em pouco mais de um ano, 57 casos foram atendidos pela assessoria jurídica. Este foi um marco na luta institucional contra o racismo no Brasil. O vídeo traz uma das inúmeras entrevistas concedidas pelo secretário Abdias Nascimento à imprensa, comentando questões relacionadas a sua gestão à frente da secretaria. - Publicado no youtube em 10/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=XIWbo4qHSV8
Título: Mãe Beata discursa durante 7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa)
Legenda: Fala de abertura de Mãe Beata Mae Beata de Yemanjá durante a mesa As obras e a influência de Abdias Nascimento, realizada durante o 7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa), realizado na Pontifícia Universidade Católica (PUC – Rio), entre os dias 9 – 12 de junho de 2004. Organizada por J. Michael Turner, Hunter College, a mesa que celebrou a vida e a obra de Abdias Nascimento – naquele momento com 90 anos – foi realizada em 10 de junho, com participação de Ubiratan Castro de Araújo, Kabengele Munanga, Sueli Carneiro e João Luis Duboc Pinaud. Ainda como parte do Congresso, o Ipeafro realizou a exposição Abdias 90 Anos, uma Mini-Mostra, no Solar Grandjean de Montigny, também na PUC-Rio – cuja a vernissage pode ser vista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=0EdlolXKesM. - Publicado no youtube em 08/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=RuRo6VsPHCw
Título: Museógrafo Afonso Drummond comenta a exposição “Abdias Nascimento 90 anos: Memória Viva” (2004)
Legenda: Em 2004, o Ipeafro, com apoio do Arquivo Nacional e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e patrocínio da Petrobras, celebrou os 90 anos de vida de Abdias Nascimento com a realização da exposição “Abdias Nascimento 90 anos: Memória Viva”, na sede do Arquivo Nacional no Rio. Com curadoria de Elisa Larkin Nascimento e projeto museográfico de Afonso Drumond, a mostra ocupou 700 m² com mais de 420 peças do acervo Ipeafro, incluindo obras do artista, dos artistas da coleção Museu de Arte Negra e documentos do Teatro Experimental do Negro. O sucesso foi tamanho que a temporada foi prorrogada duas vezes, com intensa visitação escolar, antes de seguir para Brasília e Salvador. Este vídeo traz comentários de Afonso Drummond no contexto expositivo. - Publicado no Youtube em 10/12/2025. Link: https://www.youtube.com/watch?v=Jf3xJBWBX88
Título: Abdias Nascimento na Serra da Barriga: a voz do Memorial Zumbi pelo tombamento de Palmares (1983)
Legenda: Trecho de documentário que registra uma das primeiras peregrinações organizadas pelo Memorial Zumbi à Serra da Barriga, em 1983. O pronunciamento de Abdias Nascimento fez parte de um dos atos públicos que o Memorial Zumbi promoveu em prol do tombamento das terras da República de Palmares, em Alagoas, conjunto de quilombos e centro de resistência à escravatura durante o período colonial no Brasil. O Memorial Zumbi, fundado em 1980, reunia intelectuais, organizações comunitárias e entidades do movimento negro de todo o Brasil, além de universidades e outros órgãos públicos tais como o Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN) e a Universidade Federal de Alagoas. A atuação sócio-política dessa organização e dos atores políticos que dela participavam desembocou na criação da Fundação Cultural Palmares, que em 1989 realizou a desapropriação das terras da Serra da Barriga. As peregrinações do Memorial Zumbi ajudaram a consolidar a proposta de comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra no dia 20 de novembro. - Publicado no Youtube em 08/12/2025. Link: https://www.youtube.com/watch?v=0EdlolXKesM
Título: Abertura da Mini-Mostra “Abdias 90 anos | Imagens raras da vernissage (PUC-Rio, 2004)
Legenda: Este vídeo documenta a vernissage (abertura solene) da exposição “Abdias 90 Anos, uma Mini-Mostra”, um evento especial realizado durante o 7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa). O congresso ocorreu na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre os dias 9 e 12 de junho de 2004. A recepção aconteceu no histórico Solar Grandjean de Montigny, na PUC-Rio, e celebrou os 90 anos do professor, artista, escritor, político e ativista pan-africanista Abdias Nascimento. As imagens capturam a atmosfera íntima e significativa dos bastidores do evento, registrando a presença e o convívio de personalidades fundamentais na luta pela igualdade racial, nas artes, na academia e no movimento social brasileiro. Além do próprio homenageado, Abdias Nascimento, é possível identificar no vídeo a presença de figuras marcantes como: Léa Garcia, atriz; Carlos Alberto Medeiros, jornalista; Ele Semog, poeta, escritor; Humberto Adami, advogado; Afonso Drummond, museógrafo da mostra; Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias e curadora da mostra; Lia Vieira, escritora e economista; Julio Cézar Tavares, antropólogo e professor; entre outras. - Publicado no youtube em 08/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=x9xxhjBQHhk
Título: Abdias Nascimento fala sobre a sua experiência lecionando nos Estados Unidos (1970)
Legenda: Esta entrevista histórica, filmada em 1970, captura Abdias Nascimento em um momento-chave de sua projeção intelectual internacional. Realizada pela agência cultural dos Estados Unidos na Universidade Wesleyan, em Connecticut, o registro documenta sua atuação como Professor Visitante e Fellow do seminário “A Humanidade em Revolta”. Na ocasião, ele dialogou e debateu com grandes intelectuais da época — como o arquiteto Buckminster Fuller, o compositor John Cage e o filósofo Herbert Marcuse — inserindo a luta e o pensamento negro brasileiro no centro do debate acadêmico ocidental de vanguarda. As imagens e a entrevista constituem um testemunho audiovisual raro de sua inserção em um fórum tão relevante. Um detalhe singular: o casaco de tapeçaria usado por Abdias Nascimento durante a gravação foi criado pela artista Iara Rosa em 1968, quando ele se preparava para viajar aos Estados Unidos para um intercâmbio cultural, que se estendeu em um período de autoexílio devido à intensificação da ditadura militar brasileira, especialmente após a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Até hoje, essa peça integra a coleção museológica do acervo do Abdias Nascimento | Ipeafro. - Publicado no Youtube em 15/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=64OSRu8FWG4
Título: Palmares como modelo: Abdias Nascimento e a lição para o futuro do Brasil (anos 1980)
Legenda: Abdias Nascimento defende que o futuro do Brasil pode aprender com o passado. Neste trecho, ele analisa a formação histórica dos quilombos e destaca o Quilombo dos Palmares como um modelo inspirador de organização social e econômica. Para Abdias, Palmares foi mais do que um refúgio: foi uma sociedade que propunha uma divisão mais igualitária das riquezas produzidas coletivamente — um contraponto direto ao sistema escravocrata. As entrevistas foram gravadas nos anos 1980, um período especial na retomada da memória negra, quando Abdias e diversas pessoas e movimentos faziam peregrinações à Serra da Barriga, em Alagoas, local que abrigou o quilombo. Sua fala é um chamado à reflexão: “O Brasil, se realmente quer implantar um regime democrático, igualitário e fraterno, tem que primeiro aprender com a lição de Palmares”. - Publicado no Youtube em 18/12/2025.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=JUMoIkCinL0
Título: Jurema Werneck discursa na premiação de Abdias Nascimento pela ONU | SESC Flamengo (2003)
Legenda: Discurso de Jurema Werneck, no dia 26 de novembro de 2003, no SESC Flamengo, no Rio de Janeiro, em cerimônia em que o ativista, escritor e artista Abdias Nascimento foi agraciado com o Prêmio Comemorativo das Organizações das Nações Unidas (ONU) por Serviços Relevantes em Direitos Humanos. Uma homenagem da ONU a uma vida inteira dedicada à luta contra o racismo e em defesa da população negra no Brasil e no mundo.
Esta publicação foi realizada pelo Ipeafro, com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
Sobre o Ipeafro
Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou – Teatro Experimental do Negro e o Museu de Arte Negra – para a permanência de memória e resistência. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e de obras doadas ao Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. O acervo documental do Ipeafro reúne a iconografia, os registros audiovisuais e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, etc) produzidos e recebidos por Abdias Nascimento e pelas organizações que ele fundou.
“Terceiro Ato: Sortilégio”: exposição no Inhotim aborda a trajetória de Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra
Em curadoria conjunta com o Ipeafro, a mostra apresenta mais de 180 obras, entre documentos, livros, trabalhos de Abdias e de artistas como Mestre Didi, Rubem Valentim, Melvin Edwards, Regina Vater, Emanoel Araujo, Hélio Oiticica e Anna Bella Geiger
Brumadinho, MG – Em curadoria conjunta com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro- Brasileiros (Ipeafro), o Inhotim sedia um museu dentro de seu espaço e traz, desde 2021, a iniciativa idealizada por Abdias Nascimento (1914- 2011) no começo da década de 1950: o Museu de Arte Negra.
Como parte desse projeto, a exposição “Terceiro Ato: Sortilégio”, que inclui em seu título o nome da primeira peça teatral escrita por Abdias Nascimento – Sortilégio (Mistério Negro) – em 1951, e marca o princípio de sua produção artística ligada às tradições afro-diaspóricas, será inaugurada no dia 18 de março de 2023, sábado, na Galeria Mata. Terceiro Ato: Sortilégio aborda o período de exílio do artista, entre 1968 e 1981, evidenciando a difusão da arte negra brasileira no exterior.
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Como dramaturgo e depois pintor, Abdias Nascimento desempenhou um papel político e social que estabeleceu uma mudança de paradigma para a reconstituição de uma ordem epistêmica africana, usando linguagem e símbolos das tradições afro-diaspóricas. Neste sentido, Terceiro Ato: Sortilégio se organiza em cinco núcleos temáticos (Símbolos rituais contemporâneos; Nova York: início do exílio; Professor universitário; Artistas afro-brasileiros; e Orixás: concepção da vida e filosofia do universo) concentrados na maciça produção de Abdias como pintor, que se dá, sobretudo, fora do Brasil. “Nascimento continuou seu interesse pela ancestralidade africana como base para sua
produção artística. Assim, essa comunicação constante com a epistemologia das religiões afro-diaspóricas está no cerne de seu pensamento enquanto intelectual e artista”, pontua Deri Andrade, curador assistente do Inhotim.
Parte das obras expostas na mostra é de artistas brasileiros(as) que marcavam presença na cena artística estrangeira, principalmente nos EUA, em Nova York, no mesmo período em que Abdias Nascimento esteve no país, interagindo com a sua paisagem e com o seu entorno, e mostrando um reconhecimento dos territórios por onde passaram. Os núcleos da exposição buscam reafirmar a ideia do Museu de Arte Negra como um museu coletivo, feito por pessoas que cruzaram a vida de Abdias. A sala de vídeo exibe ainda o documentário Exu Rei – Abdias Nascimento (2017), de Bárbara Vento, que salienta as características de grande expressividade e comunicação de Abdias Nascimento, bem como seu dinamismo e ativismo, dialogando com o arquétipo de Exu enquanto figura de transformação e a sua influência na cultura negra e na arte brasileira.
Constituída por peças de empréstimos – a grande maioria pelo Ipeafro – e de aquisições recentes do Inhotim, Terceiro Ato: Sortilégio traz ao público mais de 180 obras, com trabalhos de Abdias Nascimento e de outros artistas como Mestre Didi, Rubem Valentim, Melvin Edwards, Regina Vater, Manuel Messias, Emanoel Araujo, Hélio Oiticica, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Iara Rosa, Romare Bearden, LeRoy Clarke, além de livros e documentos de pesquisa de Abdias sobre o Candomblé e os Orixás.
A exposição apresenta um núcleo dedicado a Exu, Orixá presente em um grande número obras de Abdias. Exu é o Orixá da comunicação, guardião dos caminhos. “Abdias pensa os Orixás, os símbolos ritualísticos e a linguagem ancestral como ponto de conexão pan-africanista. Ele resgata em seu trabalho o sentido do Candomblé como uma concepção de vida e filosofia do universo”, explica Douglas de Freitas, curador do Inhotim.
Em maio de 1968, nas comemorações pelos 80 anos da abolição da escravidão, o Teatro Experimental do Negro realizou a exposição inaugural da coleção Museu de Arte Negra, no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Ao longo daquele ano, Abdias Nascimento teve forte interlocução com artistas nacionais e internacionais, e o projeto Museu de Arte Negra ganhou destaque na mídia, em especial no Correio da Manhã, veículo que fazia oposição ao Regime Militar. No final do mesmo ano, Abdias Nascimento recebe uma bolsa de intercâmbio cultural nos Estados Unidos. Com a promulgação do Ato Institucional no 5, em 13 de dezembro de 1968, o Congresso é fechado e inicia-se a fase da mais violenta repressão política da ditadura militar no Brasil. Abdias já era alvo de vários inquéritos policiais militares, antes de sair do país.
Sob o risco de ser perseguido, torturado ou assassinado pelo governo brasileiro de então, o pintor se vê impedido de retornar ao seu país de origem. O fato limita as atividades do Museu de Arte Negra em solo brasileiro, mas não as do seu curador, que continua produzindo e coletando obras durante o seu exílio. É neste período que Abdias intensifica sua atividade como pintor, em cidades como Nova York e Buffalo, dialogando com as paisagens e com os
círculos artísticos desses lugares – que podem ser vistos em sua obra como representações desses espaços e também como homenagens a outras figuras de seu convívio, como Rubens Gerchman. A presença da religiosidade de matriz africana em seu trabalho também se consolida.
“É no exílio que Abdias Nascimento passa a ser internacionalmente reconhecido não só como pintor, mas principalmente como uma das personalidades brasileiras mais preparadas para o enfrentamento ao racismo em suas dimensões estética e estrutural. A experiência acumulada desde a sua participação na Frente Negra Brasileira, nos anos 1930, passando pelo Teatro Experimental do Negro, jornal Quilombo e pela criação do projeto Museu de Arte Negra, contribui para a consolidação de uma biografia que o levou, já próximo do final de sua vida, em 2009, a ser indicado oficialmente ao prêmio Nobel da Paz pelo conjunto da obra”, afirma Julio Ricardo Menezes Silva, pesquisador do Ipeafro e coordenador do Museu de Arte Negra virtual.
Terceiro Ato: Sortilégio é o penúltimo dos quatro atos da proposta, representados anteriormente pelo Primeiro Ato: Abdias Nascimento, Tunga e o Museu de Arte Negra e pelo Segundo Ato: Dramas para negros e prólogo para brancos, partindo do legado multidisciplinar de Abdias Nascimento – poeta, escritor, dramaturgo, curador, artista plástico, professor universitário, pan-africanista e parlamentar com uma longa trajetória trilhada no ativismo e na
luta contra o racismo.
Sobre o Museu de Arte Negra
Desde os anos 1940, Abdias Nascimento e seus companheiros do Teatro Experimental do Negro (TEN) trabalhavam com a proposta de valorização social do negro e da cultura afro- brasileira por meio da arte e da educação. O TEN buscava delinear um novo estilo estético e dramatúrgico, e assim lançava as bases para a fundação do Museu de Arte Negra. Foi o TEN que, em 1950, no Rio de Janeiro, organizou o 1o Congresso do Negro Brasileiro, em que se discutiu a “estética da negritude” e modos de visibilização e valorização da produção de artistas negros e daqueles que lidavam com a representação da cultura negra em seus trabalhos. Nesse sentido, a plenária do Congresso aprovou uma resolução sobre a necessidade de um museu de arte negra. O TEN assumiu o projeto, e assim nasceu o Museu
de Arte Negra.
A coleção Museu de Arte Negra ganhou forma sendo composta por pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, dentre outras, numa pluralidade de suportes e técnicas, doadas por artistas em interlocução com os ativistas, intelectuais e artistas do TEN. Em 1955, o TEN promoveu um concurso de artes plásticas e uma exposição sobre o tema do Cristo Negro. A exposição inaugural da coleção Museu de Arte Negra abriu em 6 de maio de 1968,
no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Nascimento aproveitou, para isso, a comemoração dos 80 anos da abolição da escravatura, ocorrida em 1888. Entretanto, ele e seu time tinham plena consciência de que as estruturas que sustentavam o regime escravista de violação de direitos e da dignidade humana se mantinham sob a forma do racismo. Sem medidas reparatórias como acesso ao emprego, à cultura e à educação, a abolição resultou
na exclusão social, econômica, política e cultural da população negra recém-libertada. Terceiro Ato: Sortilégio conta com o patrocínio do Itaú Unibanco e da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura e Governo Federal, União e Reconstrução. Pela Petrobras, o projeto foi contemplado na Chamada Petrobras Cultural Múltiplas Expressões 2022.
Terceiro Ato: Sortilégio
Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra
Abertura: 18 de março de 2023, sábado, a partir das 9h30
Data: 18 de março a 06 de agosto de 2023
Local: Galeria Mata, Instituto Inhotim
O peso simbólico do 14 de março | Carolina, Abdias e Marielle: Vida, Ancestralidade e Continuação
Imagem criada por Luiz Carlos Gá em 2019, por ocasião do evento “Carolina, Abdias e Marielle: Vida, Ancestralidade e Continuação”, realizado em 14 de março daquele ano no Centro de Artes da Maré, na favela Nova Holanda, no Rio. Gá fez sua passagem no último dia 26 de fevereiro e do Orum nos inspira a seguir adiante. Valeu, Gá!
Hoje, 14 de março de 2023, é dia de reverenciar três ancestrais. Neste dia nasceram em 1914 Carolina Maria de Jesus, escritora, e Abdias Nascimento, professor, artista plástico e político brasileiro oficialmente indicado ao Nobel da Paz. Morreram a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes, em 2018, em crime ainda não desvendado. Quem mandou matar Marielle?
Por lei estadual no Rio de Janeiro, o dia 14 de março é Dia do Ativista pelo aniversário de Abdias, e Dia Marielle Franco de Luta contra o Genocídio das Mulheres Negras. Essas personalidades dedicaram a vida a resistir ao racismo brasileiro, o denunciaram ao mundo e deixaram um legado para as futuras gerações levarem adiante esta luta.
Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)
Nasceu em Sacramento (MG) em 14 de março de 1914. Estabeleceu-se na favela do Canindé, em São Paulo. Teve três filhos. Cuidou deles sozinha. A fome fazia parte do cotidiano de sua família. Catando papéis tirava o mínimo para o sustento. Dos papéis também vinham os pedaços de folha onde escrevia suas memórias, textos, poesias e sonhos. Um dia, o jornalista Audálio Dantas encontrou-se com Carolina e publicou sua história no jornal Folha de S. Paulo. Dois anos mais tarde, em 1960, seus textos foram reunidos em Quarto do Despejo, livro que virou best-seller. Vendeu mais de quatro milhões de livros no exterior, 3 milhões no Brasil. Morreu em 1977.
Marielle Franco (1979 – 2018)
Marielle Franco foi uma política brasileira. Formada em Sociologia (pela PUC-Rio) e com Mestrado em Administração Pública (pela UFF). Eleita Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no ano de 2016, com 46.502 votos. Ao longo do período em que atuou como vereadora apresentou 16 projetos de lei, especialmente pensados em políticas públicas para negros, mulheres e LGBTI. Mãe, mulher negra de favela, mãe, lésbica. Foi assassinada ao lado de seu motorista Anderson Gomes em um 14 de março, em crime ainda não desvendado.
Abdias Nascimento (1914 – 2011)
Poeta, escritor, dramaturgo, curador, artista plástico, professor universitário, pan-africanista e parlamentar brasileiro. Com uma longa trajetória trilhada no ativismo e na luta contra o racismo, foi indicado ao Nobel da Paz. Nasceu em Franca (SP) em 1914 e morreu no Rio em 2011, aos 97 anos. Funtou o Teatro Experimental do Negro, o jornal Quilombo e o Museu de Arte Negra. Foi perseguido politicamente e preso diversas vezes em sua vida por resistir ao racismo. Viveu 13 anos em exílio durante a ditadura militar no Brasil. Voltou ao País e foi o primeiro parlamentar negro da Câmara dos Deputados. Foi Senador da |República. Autor de vários livros, fundou o Ipeafro.
RETROSPECTIVA IPEAFRO 2022
Por Julio Ricardo Menezes Silva e Maria Eduarda Nascimento
14 DE MARÇO DE 2022: OCUPAÇÃO ABDIAS NASCIMENTO NA KAZA 123 CELEBRA LEGADO DE CAROLINA MARIA DE JESUS, ABDIAS NASCIMENTO E MARIELLE FRANCO
O 14 de março carrega importante simbolismo à luta Negra no Brasil não é de hoje. Nessa data, em 1914, nasceram a escritora Carolina Maria de Jesus e o ativista Abdias Nascimento; em 2018, morreram a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, brutalmente assassinados em crime ainda não desvendado. Quem mandou matar Marielle? Por lei estadual no Rio de Janeiro, o dia 14 de março é Dia do Ativista pelo aniversário de Abdias, e Dia Marielle Franco de Luta contra o Genocídio das Mulheres Negras. Como parte da agenda coletiva 21 Dias de Ativismo Contra o Racismo 2022, a Kaza 123 e o IPEAFRO realizaram a Ocupação Abdias Nascimento na KAZA 123. O evento teve o propósito de celebrar a vida, a ancestralidade e a continuação do legado deles, que reverbera e traz esperança atualmente na luta pela valorização da cultura negro-africana e contra o genocídio do povo negro. A atividade teve o formato híbrido, com atividades presenciais e transmissão ao vivo pelo canal do IPEAFRO no Youtube, retransmitida pelo canal coletivo 21 Dias de Ativismo Contra o Racismo.
https://www.youtube.com/watch?v=dNHfUvetPVM
78 ANOS DE ANIVERSÁRIO DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO (TEN) É CELEBRADO NO QUILOMBO URBANO APARELHA LUZIA, EM SÃO PAULO
Em comemoração ao 78° aniversário do TEN, o Ipeafro realizou em São Paulo, dia 13 de outubro, na Aparelha Luzia, centro cultural e quilombo urbano, o lançamento de dois livros fundamentais para a memória do protagonismo negro na constituição deste país: o clássico do Teatro Negro Brasileiro, ‘Sortilégio’, de Abdias Nascimento, e ‘Abdias Nascimento, a Luta na Política’, de Elisa Larkin Nascimento. O evento contou com presenças destacadas, entre as quais a artista, política e ativista Érica Malunguinho, o escritor Tom Farias, o diretor teatral Jessé Oliveira e a artista plástica e colaboradora do Ipeafro, Dayse Gomes. A programação trouxe a leitura dramática de trechos de Sortilégio e de textos da atuação política de Abdias Nascimento, além de uma homenagem do Ipeafro aos coletivos de teatro negro de São Paulo. A produção, roteiro e direção artística da atividade foi do premiado artista Ângelo Flávio Zuhalê. Mais detalhes no Instagram do Ipeafro: https://www.instagram.com/p/Cj3sESepnSG/
TERREIRO CONTEMPORÂNEO RECEBE O LANÇAMENTO DO CLÁSSICO DO TEATRO NEGRO BRASILEIRO, SORTILÉGIO, DE ABDIAS NASCIMENTO
O Ipeafro, em parceria com a Editora Perspectiva, o Terreiro Contemporâneo, a Cia Rubens Barbot e a Confraria do Impossível fizeram o lançamento da nova edição do clássico do teatro negro brasileiro, Sortilégio, de Abdias Nascimento. O evento contou com as participações de diversas personalidades do mundo das artes: Eloá dos Santos Cruz, Lia Vieira, Hilton Cobra, Ana Flávia Pinto, Luiz Carlos Gá, Filó Filho, Denise Zenícola, entre outros. Quem esteve lá presente também antes de sua passagem para o Orum em 28 de junho de 2022 do inesquecível Rubens Barbot, fundador da Cia. Rubens Barbot de Teatro e Dança, a primeira companhia negra de dança contemporânea do país, há 32 anos Barbot, presente. O Cultne, maior acervo audiovisual de cultura negra da América Latina, fez a cobertura in loco. A produção, roteiro e direção artística do evento foi do premiado artista Ângelo Flávio Zuhalê. Assista: https://www.youtube.com/watch?v=VMW8IaxgPyQ
CONGADO MINEIRO DE MARINHOS E SAPÊ ENCERRAM PRIMEIRO ATO DA MOSTRA ABDIAS NASCIMENTO E O MUSEU DE ARTE NEGRA NO INHOTIM
O Congado do Congo e Moçambique de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário de Sapé/Marinhos conduziram o encerramento da cerimônia de encerramento do primeiro ato da exposição, no dia 17 de abril de 2022. A atividade abriu passagem para a montagem do Segundo Ato do Projeto Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra apresentado no Inhotim, em parceria com o IPEAFRO. Veja mais em: https://www.youtube.com/watch?v=GgJD7JyHPYo
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM LEDA MARIA MARTINS: “INHOTIM É TERRA DE PRETO, NÉ, QUERIDO?”.
A passagem do Congado do Congo e Moçambique de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário de Sapé/Marinhos deu frutos! No site do Ipeafro registramos a entrevista de Leda Maria Martins. Na entrevista, Leda Maria Martins sobre encruzilhadas, pedagogias e afirma: “Abdias prima por uma atuação da inclusividade”. Leia e/ou assista a entrevista completa em: https://www.youtube.com/watch?v=EQq779TfN38&t=48s
COLUNA IPEAFRO NO CANAL PENSAR AFRICANAMENTE DISCUTE CENA CONTEMPORÂNEA TEATRAL
Nascido junto com o teatro moderno no Brasil, o TEN desenvolveu sua atuação teatral trazendo pessoas negras para o palco e para a dramaturgia como protagonistas. Além disso, atuava politicamente contra a discriminação racial e pelos direitos humanos e sociais do povo negro. Para marcar os 78 anos do TEN, convidamos duas pesquisadoras e protagonistas da cena contemporânea do teatro: Leda Maria Martins e Carmen Luz. O escritor Milsoul Santos também participou da atividade que teve ainda a colunista do Ipeafro Elisa Larkin Nascimento e a mediadora Silvany Euclênio.
https://ipeafro.org.br/coluna-ipeafro-no-canal-pensar-africanamente-discute-78-aniversario-do-ten/
TURNÊ DE LANÇAMENTO DO LIVRO ADINKRA NO RIO PASSA POR MUSEU DE ARTE DO RIO, BLOOKS LIVRARIA, KAZA 123 E IPEAFRO. ABENA BUSIA, POETISA E EMBAIXADORA DE GANA NO BRASIL, MARCA PRESENÇA
Uma série de eventos em torno do lançamento de “Adinkra – Sabedoria em Símbolos Africanos”, organizada por Elisa Larkin Nascimento e Luiz Carlos Gá, publicada pela editora Cobogó, com co-edição do Ipeafro, ocupou os espaços do Museu de Arte do Rio, Livraria Blooks, Kaza 123 e do próprio Ipeafro. Abena Busia, embaixadora de Gana no Brasil, participou da atividade na Kaza 123. Assista a cobertura completa dos eventos produzida pelo Cultne, com entrevistas com os organizadores do livro além de Maria Julia, Miriam Silva, Julia Vidal, Janete Ribeiro, Marcelo Campos, Lica Oliveira e Isabel Diegues. Clica aqui ou em nosso canal do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=XG7diIzpU3k&t=1067s
DIÁLOGOS INSTITUCIONAIS: TROCANDO COM A REDES DA MARÉ
Sem movimento, nada se faz. Isso quem nos ensina é Exú, orixá responsável pelo movimento, pelas trocas justas e pela comunicação. O IPEAFRO realizou no dia 8 de agosto de 2022 visita institucional aos projetos criados pela Redes da Maré (@redesdamare) inseridos no maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, o Complexo da Maré. A agenda foi uma proposta do IPEAFRO como parte das ações institucionais em torno da mostra Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra no @inhotim, em cartaz até 2024 em Brumadinho (MG). Os locais visitados foram o Centro de Artes da Maré, na Nova Holanda, criado em parceria com a coreógrafa Lia Rodrigues. O projeto oferece cursos de dança e é referência em arte e cultura para os moradores da região. O galpão também recebeu, em 2019, a exposição Abdias Nascimento, a Arte de um Guerreiro, que foi realizada entre os dias 14/03 e 14/06, sendo a abertura na data simbólica do 14 de março: dia do nascimento de Carolina Maria de Jesus e de Abdias Nascimento, e o marco do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Estivemos nas obras do local físico que abrigará a Casa Preta e com educadores da Biblioteca Popular Escritor Lima Barreto. A Redes da Maré trabalha a partir de temáticas identificadas por representarem direitos fundamentais que ainda precisam ser garantidos (artes, segurança, direitos socioambientais, saúde, etc) e que são veementemente negados pelo Estado. “O trabalho é feito sempre a partir da mobilização, escuta e participação da população, produzindo conhecimento e propondo ações que permitam acompanhar, de maneira sistemática, as mudanças em prol de melhorias significativas e concretas na qualidade de vida dos moradores” é a mensagem institucional da Redes da Maré difundi em seu site.
Foto📸: https://www.instagram.com/p/CiiRh7jpty2/
“RECUPERAMOS A BANDEIRA!” AFIRMA NEI LOPES EM HOMENAGEM DO IPEAFRO NA FLUP
Toda homenagem a Nei Lopes é pouca. Ainda assim, sempre que podemos, insistimos em fazê-la para reverenciar, em vida, o grande mestre que prefere não ser chamado de griot: há muitas incertezas sobre a origem da palavra. Essa foi uma das inúmeras sentenças proferidas pelo sábio do Irajá na manhã de primeiro de novembro de 2022, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab). Nei participou de um evento organizado pela Festa Literária das Periferias, a Flup, em homenagem ao centenário de Lima Barreto, sob curadoria da pesquisadora Dra. Angélica Ferrarez. A artista plástica Dayse Gomes representou o Ipeafro na homenagem. https://www.youtube.com/watch?v=oYC5rwi8KPc
ESTUDANTES DA UNEAFRO VISITAM A EXPOSIÇÃO SOBRE ABDIAS NASCIMENTO NO MASP
A partir de sugestão institucional do Ipeafro, que abriu caminho para um dia no final de semana com entradas gratuitas no MASP, quando a política da gratuidade reserva apenas um dia durante durante a semana, a Uneafro Brasil levou em 14/05, um sábado, uma centena de alunos de núcleos de educação popular distribuídos pelo estado de São Paulo para o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Na semana que marcou os 134 anos da “abolição da escravidão”, o movimento de cursos comunitários pré-vestibulares, com apoio do Ipeafro, proporcionou a visitação para a exposição “Abdias Nascimento: um artista panamefricano”. Os alunos participantes são de núcleos da Uneafro Brasil da zona norte de São Paulo, no bairro Jaçanã e do interior, de cidades como Bebedouro e Jacareí. Em seguida, foi realizada uma aula sobre o 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura formal e sobre o conceito da Abolição Inconclusa, nome dado ao movimento negro para o período pós fim da escravidão, que colocou negros e negras a sua própria sorte, sofrendo uma série de impactos que persistem até hoje. A aula foi ministrada por Ivani Melo, coordenadora do Núcleo de Estudos Yabás, da Uneafro Brasil, e Douglas Belchior.
Site: https://www.youtube.com/watch?v=rWzZib55txY
ABDIAS NASCIMENTO E O MUSEU DE ARTE NEGRA NO INHOTIM | SEGUNDO ATO
O Ipeafro e o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), inauguraram o Segundo Ato da exposição Abdias Nascimento e o Museu De Arte Negra. Com o título “Dramas para Negros e Prólogo para Brancos”. A exposição abarca um período marcado pelo teatro na formação artística e política de Abdias Nascimento. Dividida em quatro atos, ela propõe até 2024 um panorama artístico da vida e da obra de Abdias e das organizações que ele fundou, bem como aborda seu legado político-intelectual.
https://www.youtube.com/watch?v=PoEakj0Q2Hg
MULAMBÖ COMENTA PARTICIPAÇÃO EM TORNO DO LEGADO DE ABDIAS NASCIMENTO
Fala Mulambö! “Nasci João em 1995 e cresci Mulambö na Praia da Vila em Saquarema”. Mulambö é gente boa demais! Conversamos com o artista rubro-negro de sangue na inauguração da exposição “Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro”, no dia 19 de novembro de 2022, na Galeria Lago, no Inhotim. Mulambö tem um trabalho voltado para uma de suas paixões, o futebol. Este ano, o artista colocou o trabalho em campo também na exposição “O penhor dessa igualdade”, que faz parte do 32° programa de exposições do Centro Cultural São Paulo – CCSP (@centroculturalsp). Veja em: https://www.youtube.com/shorts/F3jKtDrydPk
ARTISTA MINEIRA ANA ELISA GONÇALVES FALA DE COLETIVIDADE EM TORNO DA MOSTRA DE ABDIAS NASCIMENTO NO INHOTIM
Ana Elisa Gonçalves estava acompanhada de sua mãe na inauguração da exposição “Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro”, no dia 19 de novembro de 2022, na Galeria Fonte, no Inhotim. Conversamos com ela e gravamos um pequeno registro. Assista em nosso canal do Youtube ou clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jPsa5D_GAes. Organizada pela direção artística e curadoria do Inhotim, a partir de desdobramento da pesquisa iniciada em 2021 em parceria institucional com o Ipeafro, a exposição apresentou o trabalho de 34 artistas: Aline Motta, Ana Elisa Gonçalves, Antonio Obá, Arjan Martins, Desali, Elian Almeida, Erica Malunguinho, Eustáquio Neves, Gustavo Nazareno, Januário Garcia, Juliana dos Santos, Kika Carvalho, Larissa de Souza, Lita Cerqueira, Maxwell Alexandre (que pediu a retirada de sua obra em discordância com curadoria), Moisés Patrício, Mulambö, Nacional Trovoa, No Martins, O Bastardo, Panmela Castro, Paulo Nazareth, Pedro Neves, Peter de Brito, Rafael Bqueer, Robinho Santana, Ros4 Luz, Rosana Paulino, Sidney Amaral, Silvana Mendes, Tiago Sant’Ana, Wallace Pato, Yhuri Cruz, Zéh Palito. Veja mais em: https://www.youtube.com/watch?v=jPsa5D_GAes
CURADOR DERI ANDRADE FALA SOBRE MOSTRA EM TORNO DO LEGADO DE ABDIAS NASCIMENTO NO INHOTIM
Criador da plataforma Afro-Projeto Afro, voltada ao mapeamento e difusão de artistas negros/as/es, cujo objetivo é ampliar e visibilizar a produção artística de autoria negra no Brasil, Andradade é também a primeira pessoa negra a assumir o posto de curador do Inhotim. Neste vídeo, ele fala sobre a mostra na qual é um dos curadores e que parte do acervo Abdias Nascimento | Museu de Arte Negra | Ipeafro para a sua contextualização.
https://www.youtube.com/watch?v=GqrjhSscsgo
ABDIAS NASCIMENTO NA EUROPA EM MOSTRA COM IMRAN MIR DO PAQUISTÃO E O HOLANDÊS SEDJE HÉMON
O @stedelijkmuseum, em Amsterdã, Holanda, abrigou a exposição individual de Abdias Nascimentos em diálogo com outros dois artistas: o holandês Sedje Hémon (@sedjehemon) e o paquistanês Imran Mir (@imranmirartist). A exposição faz parte do festival @sonsbeek20_24, cuja a curadoria é de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung (@bonaventurendikung). O curador, aliás, celebrado internacionalmente, já esteve algumas pesquisando no acervo Abdias Nascimento | Museu de Arte Negra | Ipeafro: https://www.instagram.com/p/Bp2JFM6FoGD/. A mostra da Holanda teve parceria institucional do Ipeafro. Mais em: https://www.instagram.com/p/CfcCtN9pPg-/ | https://stedelijkstudies.com/abdias-do-nascimento-being-an-event-of-love/
ARTISTA RODRIGUES, DO COLETIVO NEGRO BANZEIROS (MST-PA), PARTICIPA DE MOSTRA EM TORNO DO LEGADO DE ABDIAS NASCIMENTO NO INHOTIM
Rodrigues tem forte envolvimento com as lutas sociais a partir de seu território no Pará. No Inhotim para mostra que celebrou o teatro negro de Abdias Nascimento e o jornal Quilombo, Rodrigues afirmou que “a gente está aqui nesse espaço no sentido de romper as cercas do latifúndio que não é só a cerca física, né, acho que é a cerca da arte, da atuação, da cinematografia, do teatro”. Nesse sentido, o artista dialoga diretamente com o conceito de Abdias Nascimento presente no livro Genocídio do Negro Brasileiro, no qual defende que o genocídio vai além da morte física: é a morte cultural, espstemólógica, da memória, entre outros. Sábio Rodrigues! Mais em: https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=DSvQaYd2ROA
ENTREVISTA THIAGO PACHECO NA MOSTRA “ABDIAS NASCIMENTO: UM ARTISTA PAN-AMEFRICANO” NO MASP
Thiago Pacheco é documentarista, diretor de cinema e ativista em Minas Gerais. É formado em Comunicação Social com atuação na imprensa, rádio, eventos, agências de publicidade, ONGs e produções cinematográficas. É analista de comunicação e está ativamente envolvido no registro audiovisual da exposição “Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra”, que até 2024 ocupa a Galeria Mata, no Inhotim. No dia 14 de maio de 2022 estivemos juntes na exposição “Abdias Nascimento: um artista Pan-Amefricano”, com curadoria da feríssima Amanda Carneiro e Tomás Toledo. Para ver a Amanda em ação visite o canal do @MASP no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=rJ3123wOhQs | Quer ver como foi a exposição? Fique em nosso canal e acesse diretamente o tour que fizemos pela exposição especialmente para você: https://www.youtube.com/watch?v=rWzZib55txY
KAZA 123 RECEBE LANÇAMENTO DO LIVRO ADINKRA, SABEDORIA EM SÍMBOLOS AFRICANOS
Atividade terá mesa de conversa, sessão de autógrafos e confraternização. Abena Busia, embaixadora da República de Gana, confirmou presença.
A Kaza 123, centro de convívio da cultura negra localizado no coração de Vila Isabel, tradicional reduto do samba no Rio de Janeiro, recebe dia 20 de outubro, às 18h, o lançamento do livro Adinkra, Sabedoria em Símbolos Africanos. A obra, organizada por Elisa Larkin e Luiz Carlos Gá, apresenta mais de 80 símbolos gráficos acompanhados de seus significados e provérbios desse sistema de escrita dos povos do grupo linguístico Acã, da África ocidental. Os símbolos incorporam, preservam e transmitem aspectos da história e filosofia dessa rica cultura africana.
A atividade terá uma roda de conversa com os organizadores do livro. Eles dialogam com Maria Julia Ferreira, profissional que traz a simbologia Africana em suas criações no universo do design gráfico. A mediação do papo é de Lica Oliveira, comunicadora, atriz, ex-atleta profissional de vôlei e cofundadora, com Maria Julia, da Kaza123. A embaixadora Abena Busia, representante no Brasil da República de Gana, compartilhará sua vivência direta da tradição dos adinkra. Por mais de 40 anos, a diplomata lecionou nos departamentos de Inglês e Mulheres, Estudos de Gênero e Literatura Comparada na Rutgers, Universidade do Estado de Nova Jersey.
Após a conversa, confraternização e sessão de autógrafos. A entrada é gratuita. Será possível adquirir quitutes tradicionais da Angurmê Culinária. O evento é uma realização conjunta do Ipeafro com a editora Cobogó, a Livraria Kitabu e a Kaza 123. A publicação da nova edição de Adinkra este ano coincide com duas datas fundamentais para a história brasileira: os 200 anos da independência e os 100 anos da Semana de Arte Moderna. Ambos eventos constituem-se como referenciais primeiros da identidade nacional, registrada como fenômeno notadamente de memória branca e paulista – que, consequentemente, marca os cânones do imaginário nacional. Questionando implicitamente este imaginário oficial, o livro realça a perspectiva de que a arte negra no Brasil passa do moderno para o contemporâneo na medida em que “a negritude se explicita e assume um lugar visível e afirmativo pelas mãos de artistas negros e negras. A incorporação dos adinkra ao fazer artístico brasileiro faz parte deste fenômeno”, afirmam os organizadores.
SERVIÇO
Evento: Lançamento do livro Adinkra, Sabedoria em Símbolos Africanos
Local: R. Visc. de Abaeté, 123 – Vila Isabel, Rio de Janeiro – RJ, 20551-080
Data: quinta, 20 de outubro, às 18h
Entrada: gratuita
SOBRE OS ORGANIZADORES
Elisa Larkin Nascimento, mestre em direito e em ciências sociais pela Universidade do Estado de Nova York e doutora em psicologia pela USP (Universidade de São Paulo), dirige o Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros). Idealizou e organizou o curso “Sankofa: Conscientização da cultura afro-brasileira” na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). É curadora do acervo de Abdias Nascimento e autora de O Sortilégio da Cor (2003) e Sankofa: Matrizes africanas da cultura brasileira, 4 vols. (2008-2009).
Luiz Carlos Gá é artista plástico, bacharel em design gráfico pela Escola de Belas Artes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foi professor de design gráfico na Escola de Artes Gráficas do Senai, na Escola de Belas Artes da UFRJ, nas Faculdades Integradas Silva e Souza e na Universidade Estácio de Sá. Integra várias organizações do movimento social afro-brasileiro e foi presidente do Conselho Executivo do IPDH (Instituto Palmares de Direitos Humanos).
SOBRE IPEAFRO
Há 40 anos o IPEAFRO vem se dedicando a preservar e difundir o acervo museológico e documental de Abdias Nascimento e das organizações que ele fundou ao longo de 97 anos de vida: Teatro Experimental do Negro (1944), jornal Quilombo (1948), Museu de Arte Negra (1950), e o próprio IPEAFRO (1981). A missão do Instituto é combater o racismo e desenvolver, a partir do conteúdo desse acervo, ações de caráter educativo e cultural centradas na valorização da história e cultura africanas e da Diáspora.
SOBRE KAZA 123
A Kaza123 é um espaço acolhedor como toda casa deve ser. Aqui respiramos o melhor cheirinho e saboreamos o melhor tempero do Angurmê Culinária, trocamos saberes inspirados nos melhores títulos da Livraria Kitabu, e mergulhamos na arte, na cultura, na moda e na beleza, com a Complexo B, Andrea Brasis e Espaço L.O. Situada no coração do bairro de Vila Isabel, na Zona Norte da capital fluminense, no Rio de Janeiro.
SINOPSE DO LIVRO
Adinkra – Sabedoria em símbolos africanos reúne os ideogramas da escrita da tradição dos povos do grupo linguístico acã, da África Ocidental. Em um universo filosófico e estético baseado no corpo humano, figuras de animais, plantas, astros e outros objetos, os desenhos incorporam, preservam e transmitem aspectos da história, filosofia, valores e normas socioculturais dessa rica cultura africana. O livro apresenta mais de 80 símbolos acompanhados por significados, provérbios e simbologia originais. Mais do que uma homenagem a essa ancestralidade, a obra ajuda a fundamentar uma nova articulação da identidade brasileira.
Como celebra o escritor, compositor e cantor Nei Lopes, em texto para o volume, “E assim como o kra é muito mais que a ‘alma’, um adinkra é muito mais que um símbolo gráfico. Então, através deste belo acervo, reunido e redesenhado por Elisa Larkin e Luiz Carlos Gá, em momento tão oportuno, a África parece vir dizer aos que a menosprezam e humilham, depois de tudo o que dela já fruíram, este provérbio acã: ‘Se a floresta te abriga, não a chame de selva’”. A edição conta ainda com o prefácio do professor, historiador e cientista político ganês
Anani Dzidzienyo e um ensaio da pesquisadora e artista plástica Renata Felinto sobre os adinkra e os paradigmas não europeus de registro das historicidades.
FICHA TÉCNICA
Organizadores: Elisa Larkin Nascimento e Luiz Carlos Gá
Coleção: Coleção Encruzilhada
Coordenador da coleção: José Fernando Peixoto de Azevedo
Idioma: Português
Número de páginas: 160
ISBN: 978-65-5691-076-5
Capa: Thiago Lacaz
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21 cm
Ano de publicação: 2022
SERVIÇO
Evento: Lançamento do livro Adinkra, Sabedoria em Símbolos Africanos
Local: R. Visc. de Abaeté, 123 – Vila Isabel, Rio de Janeiro – RJ, 20551-080
Data: quinta-feira, 20 de outubro, às 18h
Entrada: gratuita
MAIS INFORMAÇÕES
Julio Ricardo Menezes Silva
redes@ipeafro.org.br
+55 21 99722-5153
IPEAFRO promove celebração do 78º aniversário do Teatro Experimental do Negro
Atividade na Aparelha Luzia terá lançamento de dois livros que registram o legado de Abdias Nascimento, homenagem a coletivos de teatro negro de São Paulo e outras atrações
Abdias Nascimento (centro) ministra aula de alfabetização e cidadania no contexto de realizações do Teatro Experimental do Negro, 1944. Acervo Ipeafro
São Paulo, outubro de 2022 – Em comemoração ao 78° aniversário de fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN), o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) realiza em São Paulo, dia 13 de outubro, às 18h30, na Aparelha Luzia, centro cultural e quilombo urbano, o lançamento de dois livros fundamentais para a memória do protagonismo negro na constituição deste país: o clássico do Teatro Negro Brasileiro, ‘Sortilégio’, de Abdias Nascimento, e ‘Abdias Nascimento, a Luta na Política’, de Elisa Larkin Nascimento. Será um encontro de intelectualidades negras – escritores, políticos, autoridades religiosas, ativistas e artistas comprometidos com a pauta racial. Entre os nomes confirmados estão Érica Malunguinho e Jessé Oliveira.
A programação trará a leitura dramática de trechos de Sortilégio e de textos da atuação política de Abdias Nascimento, além de uma homenagem do Ipeafro aos coletivos de teatro negro de São Paulo. O evento tem produção, roteiro e direção artística do premiado artista negro e baiano Ângelo Flávio Zuhalê. “A noite será uma linda celebração do legado do Teatro Experimental do Negro que inspirou os diversos coletivos de teatro negro em todo o país. O público entrará em contato com as personagens icônicas do clássico do Teatro Negro Brasileiro, Sortilégio, de Abdias Nascimento performadas por artistas da cena de São Paulo”, conta Zuhalê, que também é diretor teatral, dramaturgo, roteirista e fundador da Cia. Teatral Abdias Nascimento, em 2002, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), primeira Cia. de teatro negro em território acadêmico do Brasil.
Fundado no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1944, o Teatro Experimental do Negro fez da arte dramática uma ferramenta política para inserir pessoas negras na cena brasileira. O grupo se propôs a recuperar as contribuições ao país da pessoa e da cultura africana e afrodescendente, negadas por uma sociedade imbuída de conceitos pseudo-científicos e eugenistas sobre a suposta inferioridade da raça negra. Mas o TEN ultrapassou a fronteira dos palcos: promoveu cursos de alfabetização e cidadania; fundou o jornal Quilombo, referência histórica da mídia negra; criou o Museu de Arte Negra, cujo acervo, guardado pelo Ipeafro, está em exposição na mostra Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra, no Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, até 2024.
Levando adiante o legado de Abdias Nascimento e das organizações criadas por ele, o Ipeafro escolheu a Aparelha Luzia, fundada em 2016 pela ativista, artista, crítica de arte, educadora e Deputada Estadual por São Paulo, Érica Malunguinho, para ser palco da celebração dessa data histórica. “O terreno urbano criado pela embaixadora do Museu de Arte Negra / Ipeafro, a deputada Érica Malunguinho, é foco de convivência das artes e artistas negras contemporâneas de todos os gêneros e gerações de São Paulo. A deputada é uma das várias herdeiras do legado de Abdias Nascimento e sua atuação nas artes e na política. Nada mais natural, adequado e inspirador do que realizar essa celebração na Aparelha Luzia”, diz Elisa Larkin Nascimento, autora, pesquisadora e co-fundadora do Ipeafro.
Diante da ameaça à democracia e dos recorrentes assassinatos e agressões à população negra e à comunidade LGBTQIA+ que nos afligem hoje, a celebração da companhia de teatro criada por Abdias Nascimento retoma e valoriza a atuação política deste intelectual e artista defensor dos direitos humanos, com o lançamento de dois livros que documentam sua trajetória. O livro Abdias Nascimento, a Luta na Política, de Elisa Larkin Nascimento, conta com um texto da deputada Érica Malunguinho. Ambas as autoras estarão presentes no evento para uma sessão de autógrafos, como também o ator e diretor teatral Jessé Oliveira, fundador do grupo Caixa Preta de teatro negro de Porto Alegre. Ele é autor do ensaio que traz a presença e o depoimento de protagonistas e realizadores do teatro negro atual, em todo o Brasil, para a nova edição do clássico do teatro negro brasileiro Sortilégio, de Abdias Nascimento. O livro inclui, ainda, uma entrevista com Ângelo Flávio, diretor e produtor da estreia mundial do texto definitivo de Sortilégio, que também participa da noite de autógrafos.
O evento, em comemoração ao 78° aniversário de fundação do Teatro Experimental do Negro é uma parceria institucional entre Aparelha Luzia, Editora Perspectiva, GRIOT Assessoria e IPEAFRO.
| SERVIÇO Evento: 78°aniversário de fundação do Teatro Experimental do Negra Local: Aparelha Luzia – Rua Apa, 78 – Campos Elíseos, São Paulo Horário: 18h30 Entrada: gratuita (sujeito a lotação) |
SINOPSES DOS LIVROS
- SORTILÉGIO
Incrível a atualidade desse clássico do teatro negro brasileiro. A cada vez que nos deparamos com um texto de Abdias Nascimento, salta aos olhos o frescor, a pertinência e a contundência de sua prosa ou poesia, de seus diálogos, de sua força, de sua capacidade como orador. Sortilégio escancara a brutalidade do racismo no Brasil, denuncia a farsa da democracia racial e ainda ilumina e se abre para uma poderosa cultura brasileira de matriz africana. Esta edição marca o estabelecimento do texto definitivo da peça, musicado por Nei Lopes, e traz análise de Elisa Larkin Nascimento sobre as encruzilhadas e os diálogos que a obra provoca entre o masculino e feminino, o moderno e o contemporâneo. Em texto do diretor, produtor e gestor cultural Jessé Oliveira, o livro traz à cena os realizadores atuais de teatro negro, complementado por entrevistas com Léa Garcia, atriz protagonista da montagem de estreia em 1957, e Ângelo Flávio Zuhalê, diretor da montagem de 2014, centenário de Abdias Nascimento.
FICHA TÉCNICA
Autor: Abdias Nascimento
Apresentação e Prefácio: Elisa Larkin Nascimento
Participação: Léa Garcia, Jessé Oliveira e Ângelo Flávio Zuhalê
Assunto: Teatro / Dramaturgia
Coleção: Paralelos
Formato: Brochura
Dimensões: 14 x 21 cm
160 páginas
ISBN 9786555051087
E-book: 9786555051094
Lançamento: 27/05/2022
- ABDIAS NASCIMENTO, A LUTA NA POLÍTICA
Abdias Nascimento foi uma das mais importantes e brilhantes lideranças do Brasil, dedicando-se intensamente ao enfrentamento do racismo e à promoção do legado cultural afro-brasileiro. Escritor, artista plástico, dramaturgo, deixou um legado cultural incontornável através do TEN, Teatro Experimental do Negro, das pinturas que realçam sua ligação com a cultura africana e dos livros que denunciam o racismo e a violência das relações étnico raciais no Brasil. Na década de 1980, ele se dedicou à política institucional do Congresso Nacional, onde acreditava ser necessário pôr em pauta as questões raciais e implementar políticas públicas de reparação. Muito do debate atual e das políticas públicas inauguradas no país, nós devemos à sua atuação parlamentar, que é o objeto deste livro.
FICHA TÉCNICA
Autora: Elisa Larkin Nascimento
Coleção: Debates
Assunto: Política
Formato: Brochura
Dimensões: 11,5 x 20,5 cm
240 páginas
ISBN 9786555050806
E-book 9786555050813
Preço E-book: R$ 34,90
Lançamento: 29/11/2021
Sobre o IPEAFRO
O IPEAFRO é uma instituição sem fins lucrativos que se dedica ao trabalho de preservação e difusão do acervo museológico e documental de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou. Esse trabalho dá suporte à sua missão mais ampla de desenvolver ações de caráter educativo centradas no conhecimento e na valorização da história e cultura africanas e afro-brasileiras.
Sobre Elisa Larkin Nascimento
É mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Nova York (EUA) e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi parceira de Abdias Nascimento. Juntos fundaram o IPEAFRO, em 1981. Elisa conceituou o fórum Educação Afirmativa Sankofa e escreveu diversos livros, entre eles O Sortilégio da Cor; os quatro volumes da coleção Sankofa; Adinkra, Sabedoria em Símbolos Africanos e Abdias Nascimento, A Luta na Política. É curadora do Museu de Arte Negra virtual do Ipeafro e participa da curadoria da exposição Abdias Nascimento e Museu de Arte Negra, realizada em parceria com o Inhotim (2021-24).
Sobre Ângelo Flávio Zuhalê
É ator, diretor, produtor, iluminador, dramaturgo, roteirista, preparador de elenco e repórter. Bacharel em Artes Cênicas com habilitação em Direção Teatral formado pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (2006). Artista premiado e polivalente, ele fundou a primeira companhia de teatro negro em território acadêmico do Brasil, a Cia Teatral Abdias Nascimento na UFBA (2002). Paralelo à sua carreira profissional, Ângelo Flávio é um ativista que luta em defesa das causas sociais, temas sempre recorrentes em suas premiadas montagens. É pesquisador do teatro negro, com palestras em diversas universidades dopaís e um dos entrevistados do livro Sortilégio, ao lado de Léa Garcia e Jessé Oliveira.
Sobre Jessé Oliveira
Jessé Oliveira é gestor cultural, autor e diretor de teatro e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fundador do grupo Caixa-Preta, de Porto Alegre, ele dirigiu mais de 40 espetáculos, apresentados em todo o Brasil e na América Latina. Dirigiu Das Pferd des Heiligen na Alemanha, com texto de Viviane Juguero e argumento do diretor. Recebeu o Prêmio Florêncio de Melhor Espetáculo Estrangeiro no Uruguai, por Hamlet Sincrético. Tem livros publicados nos campos do teatro de rua e teatro negro. Dirigiu a Casa de Cultura Mário Quintana, e atualmente é Coordenador de Artes Cênicas de Porto Alegre.
IMPRENSA:
GRIOT Assessoria | Cristhiane Faria – 11 9 5471 8879 | griot.assessoria@gmail.com
IPEAFRO Comunicação | Julio Ricardo Menezes Silva | – 21 99722-5153 |redes@ipeafro.org.br
Nota de apoio à candidatura de Ivanir dos Santos ao Senado pelo PDT
O IPEAFRO apoia as candidaturas negras comprometidas com o combate ao racismo e a construção de políticas públicas para isso, independente da legenda. Como dizia Abdias do Nascimento, a questão racial é suprapartidária. Esse posicionamento do IPEAFRO segue o exemplo do jornal Quilombo, do Teatro Experimental do Negro. O IPEAFRO pertence à Coalizão Negra por Direitos e apoia a campanha do Voto Antirracista e o Quilombo dos Parlamentos.
Nesse sentido, o IPEAFRO vem a público ratificar seu apoio à pré-candidatura de Ivanir dos Santos ao Senado pelo PDT. Legítimo representante do movimento negro, intelectual destacado ligado ao Instituto de Filosofia e Ciências Socias da Universidade Federal do Rio de Janeiro e líder consolidado do movimento da sociedade civil contra a intolerância religiosa, Ivanir dos Santos dá continuidade ao protagonismo negro no PDT. Sob a liderança de Abdias do Nascimento, ainda no exílio, foi definido o quarto compromisso programático do partido: a causa das populações negras.
O PDT foi o primeiro partido a criar um órgão interno dedicado a essa causa: a Secretaria do Movimento Negro do PDT. Mulheres negras como as doutoras Maria Soares, Edialeda Salgado Nascimento e Lélia Gonzalez tiveram atuação importante. O quarto compromisso significa valorizar e garantir a representatividade negra nas eleições. A pré-candidatura de Ivanir dos Santos ao Senado recebeu o apoio do partido como afirmação desse compromisso. A confirmação de sua candidatura se faz necessária para selar esse compromisso como algo além da retórica discursiva. Nesses tempos de ataques à República, é preciso lembrar: enquanto houver racismo, não haverá democracia.




















