12 de agosto de 1978: uma revolta, um grito de liberdade

Líderes da Revolta dos Búzios. Foto: Imagem retirada do site Midia4p

Salvador, Bahia, 1978. Há 222 anos, pret@s revoltados com a escravidão imposta pela Coroa Imperial ousaram levantar-se contra a força e crueldade real, impondo uma rebelião conhecida historicamente como Revolta dos Búzios, movimento que reivindicava a fundação da República Bahiense. A ousadia de Luís Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, João de Deus e Manuel Faustino, líderes da revolta, provocou a ira portuguesa, que os perseguiu e os assassinou brutalmente. De nada adiantou. Eles eram sementes. Seus esforços pavimentaram a ruína do império português e da escravidão, que veio quase 100 anos depois, no final do século XIX,  com a chamada “abolição” da escravatura.

O IPEAFRO presta homenagem àqueles homens e mulheres que se uniram em torno do ideal da liberdade e chama atenção a um fato histórico ocorrido durante o levante em Salvador. A estratégia usada como catalisador para a Revolta dos Búzios foi a produção de manuscritos que foram colados em locais de grande circulação de pessoas, como igrejas. Do ponto de vista da disputa da narrativa da história brasileira, a estratégia usada pelos líderes da Revolta dos Búzios pode ser considerado como marco fundamental da  imprensa no Brasil. A historiografia oficial tem como ponto de partida para imprensa brasileira o ano de 1808, ano em que a família real portuguesa chegou ao Brasil e instalou a capital do império em terras brasilis. 

Aqui pois prestamos essa pequena homenagem aqueles que, há 222 anos, deram suas vidas para que possamos hoje resgatar essa história e, em liberdade, darmos continuidade a luta secular contra o racismo e o genocídio da população negra. Uma de nossas armas é a disputa de narrativa e manutenção, viva, da memória e do ideal libertário de nossos ancestrais. Para aprofundar o conhecimento sobre essa e outras revoltas promovidas por pret@s contra a escravidão e o racismo, indicamos a leitura do livro “À matriz africana no mundo”, organizado por Elisa Larkin Nascimento. Em especial o capíturo 6 dessa publicação traz um relato aprofundado dessas lutas, sob o título de “Lutas Africanas no Mundo e nas Américas”. Para comprar o livro acesse aqui: https://www.gruposummus.com.br/livro/matriz-africana-no-mundo-a/