Histórico

O IPEAFRO vem se dedicando à missão de dar continuidade à ação pioneira de seu fundador, o professor Abdias Nascimento. Buscamos contribuir para a defesa dos direitos dos afrodescendentes e procuramos preservar, divulgar e ativar a memória, cultura, história e ativismo negros. O foco das ações do IPEAFRO tem sido a inclusão das relações etnicorraciais, da história e da cultura de matriz africana no ensino brasileiro.

O Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros nasceu em 1981, quando Abdias Nascimento voltou ao Brasil após 13 anos de afastamento durante o regime autoritário. Com o apoio de Dom Paulo Evaristo Arns, o IPEAFRO instalou-se na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que acolheu a proposta de criar um setor de ensino e pesquisa de assuntos afro-brasileiros e criar uma biblioteca especializada a partir do acervo de Abdias Nascimento.

Em 1982, o Ipeafro organizou e realizou o 3º Congresso de Cultura Negra das Américas, primeira ocasião em que vieram ao Brasil representações do Congresso Nacional Africano da África do Sul e da SWAPO da Namíbia, bem como delegações negras de diversos países das Américas e do Caribe. O relatório deste congresso em língua portuguesa encontra-se nos volumes 1 e 3 da revista Afrodiáspora.

Nesse mesmo ano o IPEAFRO promoveu na PUC-SP o curso de extensão universitária Conscientização da Cultura Afro-Brasileira. Realizou ainda, com financiamento da FINEP e da Fundação Ford, ampla pesquisa de campo sobre quilombos contemporâneos em vários estados no Brasil, entrevistando lideranças comunitárias e registrando, em imagens, a vida e os problemas dessas comunidades.

No ano de 1983, nasceu Afrodiáspora, a revista bilíngue do IPEAFRO, publicada em inglês e português em sete volumes entre 1983 e 1987. Afrodiáspora surgiu como instrumento de estímulo à pesquisa, análise e divulgação do universo afro-americano e diaspórico.

Não tendo a PUC-SP condições de infraestrutura para sustentar as propostas da instituição e salvaguardar o seu acervo, o Ipeafro transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1984, onde está desde então. Logo após instalar-se na capital fluminense, o IPEAFRO organizou o primeiro seminário internacional realizado no Brasil sobre a independência da Namíbia. A revista Afrodiáspora dedicou os volumes 6 e 7 a esse tema e aos anais do seminário.

Miranildo Cabral, Elisa Larkin Nascimento, Abdias Nascimento e Vanda Ferreira em atividade do IPEAFRO na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1985-86

Durante uma década, de 1985 a 1995, o IPEAFRO promoveu o curso Sankofa, Conscientização da Cultura Afro-Brasileira, nas dependências da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O conteúdo temático deste curso foi publicado inicialmente na revista Afrodiáspora. Mais tarde saiu em edição revisada e ampliada em quatro volumes na coleção Sankofa: Matrizes africanas da cultura brasileira.

Em 1991, em conjunto com a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras / Afro-Brasileiras (Sedepron) do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o IPEAFRO promoveu o 1º Fórum Estadual sobre o Ensino da História das Civilizações Africanas na Escola Pública. Nos anos seguintes, trabalhou com a Sedepron na capacitação de educadores para essa política em vários municípios do interior do Estado, uma década antes da promulgação da Lei 10.639/2003. Em 1993, o IPEAFRO realizou outro Fórum em conjunto com a Sedepron, e continuou a sua atividade docente no âmbito do Programa de Estudos e Debates das Populações Afro-Americanas (Proafro) da UERJ.

No período que antecedeu a 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em 2001, o Ipeafro atuou no projeto Além do Racismo: Iniciativa Comparativa sobre Relações Humanas no Brasil, África do Sul, e Estados Unidos, (http://www.beyondracism.org), coordenado por Lynn Walker Huntley e a Fundação Sulista de Educação (SEF), sediada em Atlanta.

A partir de 2002, além de continuar suas atividades com educadores, o Ipeafro vem se dedicando à recuperação, preservação, organização e divulgação do acervo de Abdias Nascimento, com o objetivo de dar acesso ao público a essa fonte de informações sobre a cultura e a história afro-brasileiras, assim contribuindo para a efetivação da Lei 10.639/2003. No período de 2004 a 2006, realizou a exposição Abdias Nascimento Memória Viva no Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Em cada uma dessas mostras, houve intensa visitação de escolas e organizações comunitárias, bem como de pesquisadores e educadores. O IPEAFRO capacitou equipes de monitores para atender os diversos grupos em visitas guiadas. Em 2007, o Fórum Memória Viva e Ação Educativa, que o Ipeafro realizou no Arquivo Nacional, apresentou os conteúdos dessas exposições em debates e discussões com educadores sobre a implantação da Lei 10.639/2003.

A partir de 2010, o IPEAFRO trabalha com a proposta de articular as exposições com os fóruns de educadores. Realizada inicialmente no Centro Cultural Justiça Federal em 2011, a exposição África-Brasil: Ancestralidade e expressões contemporâneas (O legado de Abdias Nascimento) seguiu em versão itinerante a Duque de Caxias e Campos dos Goytacazes como parte do Fórum Educação Afirmativa Sankofa. Também foi apresentada em Maricá e no SESC São João de Meriti.

Em 2011, Abdias Nascimento, fundador do IPEAFRO, morre aos 97 anos. Suas cinzas são depositadas na Serra da Barriga, em Alagoas, local da histórica República dos Palmares, cujo último líder foi Zumbi dos Palmares. A cerimônia teve lugar no dia 13 de novembro de 2011 e contou com a presença de lideranças do movimento negro de todo o Brasil, além dos convidados internacionais e membros da família que compareceram para a cerimônia – a atriz Léa Garcia, acompanhada dos seus dois filhos com Abdias, Henrique Cristóvão e Bida (Abdias Filho), e a viúva Elisa Larkin Nascimento e seu filho Osiris Larkin Nascimento. No mesmo ano, o IPEAFRO realizou a exposição África Brasil, Ancestralidade, Expressões Contemporâneas no Centro Cultural Justiça Federal do Rio de Janeiro entre os dias 8 de outubro e 4 de dezembro. 

Além das exposições e fóruns de educadores, o Ipeafro continua seu trabalho de pesquisa, produzindo livros de referência como a coleção Sankofa, Matrizes africanas da cultura brasileira e o livro Adinkra, Sabedoria em símbolos africanos.