Antonieta de Barros: mestra, professora e primeira deputada negra do Brasil

 

Antonieta de Barros (1901 – 1952) professora, cronista e feminista. Em 23 anos de contribuição à imprensa escreveu mais de mil artigos em vários veículos de Santa Catarina, e criou a revista Vida Ilhoa. Autora do livro Farrapos de Ideias, cujos lucros foram investidos na construção de uma escola. A obra teve outras duas edições. É autora da lei que criou o Dia do Professor.

A partir de 1934, envolve-se sobre direitos civis, sociais e políticos, em especial, o direito da mulher ao voto. Elege-se então deputada estadual na Constituinte de 1935 pelo Partido Liberal Catarinense (PLC).  na qual tem atuação fortemente voltada aos direitos das mulheres. É a primeira mulher a ser eleita para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e primeira mulher negra no Brasil.

Em um de seus textos, sobre a constitucionalidade do voto feminino, provocou: “Que seremos nós, as mulheres? Irracionais ou domesticadas? Porque esta questão de inteligência e aptidões femininas, ora em foco, se resume, digamos de passagem, em classificar a mulher entre as criaturas superiores ou entre os irracionais […]. É isto que está agonizante e querem reviver […]. Inferior aos próprios irracionais, doméstica e domesticada, se contentará, eternamente em constituir a mais sacrificada metade do gênero humano?”.

Seu primeiro mandato vai até o final de 1937, quando golpe liderado pelo presidente Getúlio Vargas fecha assembleias, o congresso nacional e diversos partidos, dando início ao período autoritário conhecido como Estado (1937 a 1945). Antonieta retorna a Assembleia Legislativa em 1948. Continua a defender a emancipação feminina e a educação. Seus projetos viram leis. Em 1951, porém, a oposição vence as eleições. O governador Irinei Bornhausen desfaz as conquistas do governo anterior. A política dos adversários a consomem e Antonieta fica doente. Em 28 de março de 1952 passa ao Orum deixando um legado inspirador de luta contra a sociedade machista, racista e burguesa.

Nota 1: a imagem de ilustração do texto é uma foto de Antonieta de Barros/ Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina 

Fontes:

Filme: Documentário Antonieta de Barros (1901-1952), direção de Flávia Person, 2016 – https://www.youtube.com/watch?v=w511SXZxRMU&feature=emb_logo

Portal Geledés: https://www.geledes.org.br/tag/antonieta-de-barros/?gclid=CjwKCAjw5p_8BRBUEiwAPpJO66d1ooDB_0IrP_NwSuyqKcTIO0B3rLchdNVlGuhoDH0VpPJR_M0bPBoCNLcQAvD_BwE

Jornal El País: https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-10-15/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html?ssm=whatsapp 

Julio Menezes Silva é jornalista, coordenador de comunicação do Instituto de Pesquisas e estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO), integrante do GT de Comunicação do FOPIR