Livro “Pensamento Insurgente, direito à alteridade, educação e comunicação” será lançado em Salvador

O livro “Pensamento Insurgente, direito à alteridade, educação e comunicação”, pela Editora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ganha lançamento em Salvador dia 27 de agosto das 17h às 20h, na Reitoria da UFBA, no bairro do Canela. O livro conta com as contribuições valiosas de  Michel Maffesoli , Marco Aurélio Luz, Joel Rufino dos Santos, Dalmir Francisco, Pedro Benjamim Garcia ,Narcimária Luz, Elisa Larkin Nascimento, Muniz Sodré, José Félix Dos Santos, Raquel Paiva, Félix Ayoh’omidire, , Gildeci de Oliveira Leite, Lúcia Fernandes Lobato e Léa Ferreira.

AGEMÓ, O CAMALEÃO, A INSPIRAÇÃO

Na tradição do pensamento nagô, Agemó, o camaleão, é símbolo de conhecimento e sabedoria, se ajustando com sua variedade de transmutações de cores aos distintos ambientes. Este livro reúne, num só corpo, variados matizes de pensamentos que se entrelaçam formando uma rede de elaborações em um mesmo continente epistemológico.

Autores consagrados reunidos para elaborarem diversas percepções do momento histórico em que vivemos. De um lado, a crise de valores, linguagens e instituições da modernidade, com sua ideologia de pensamento uno e totalitário, a incessante acumulação de capital e o racismo. De outro, a emergência e esperança de novos valores, linguagens e instituições da pós-modernidade, o reconhecimento e a legitimação da diversidade humana, das pluralidades culturais e sociais e o signifi cado profundo da natureza e o universo infi nito.

Para alguns, é o movimento pendular entre os valores míticos de Prometeu, a predominância da técnica absoluta, a falsa onipotência do ser humano; para outros, os valores de Dionísio, a crença na sociabilidade da polis, a dimensão telúrica da terra e a admissão dos aspectos imaginativos e sagrados do existir, a alegria de viver.

Para a tradição nagô, a oscilação do pêndulo se deve a Olorun, que enviou as Mães Ancestrais para esse mundo na forma de grandes pássaros. Foram sete pássaros. Três pousaram na árvore do bem, três na árvore do mal, e um voa de uma árvore para outra. 

Assim, este livro não se limita aos parâmetros positivistas, ele incorpora também a leitura das verdades ontológicas e metafísicas do discurso

FESTA LITERÁRIA DE SANTA MARIA MADALENA HOMENAGEIA NEI LOPES

Nei Lopes, o poeta, compositor, romancista e pesquisador da cultura afro-brasileira, é o homenageado da FLIM 2018, a Festa Literária de Santa Maria Madalena, na região serrana fluminense. O evento, em sua nona edição, será realizado de 24 a 26 de agosto e mobiliza anualmente atrações e visitantes de toda a Região Metropolitana do Rio e das regiões Serrana, dos Lagos, Norte e Noroeste do estado.

A extensa e variada programação conta com shows, mesas-redondas, bate-papos com escritores, exibição de vídeos, performances, desfiles e exposições para públicos de todas as idades. Com a escolha de Nei Lopes como homenageado oficial, a FLIM dará especial atenção à cultura afro-brasileira, com várias palestras e exibições relacionadas ao tema – a começar por duas apresentações do próprio Nei, que participará de um bate-papo no sábado 25/08, às 10h, com os alunos das escolas, pais e professores; e outro com o público em geral, no mesmo dia, às 19h.

Localizada na Serra Norte do Rio de Janeiro, a 230 km da capital, a bela cidade de Santa Maria Madalena conserva o verde da Mata Atlântica que a cerca e o casario oitocentista dos barões do café. A FLIM, criada em 2010, é um dos mais prestigiados eventos literários fluminenses e a segunda maior fonte de atração turística para Santa Maria Madalena, perdendo apenas para o Carnaval. Ao aceitar o convite da FLIM, Nei Lopes se junta a uma galeria de homenageados do evento que inclui escritores como Ferreira Gullar, Antônio Torres, Thiago de Melo e Ana Maria Machado.

Criada em 2010 e formatada para atender aos modernos parâmetros da sustentabilidade, a FLIM é uma realização da Associação Pró-Cultura de Santa Maria Madalena, em parceria com a Prefeitura Municipal e o comércio local.

Veja mais sobre Nei Lopes e a FLIM:

http://flim-festaliterariademadalena.blogspot.com.br/

Facebook: @FLIMSANTAMARIAMADALENA

IPEAFRO realiza Oficina de Produção Textual para estudantes do Nilo Peçanha (RJ)

O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) ministrou, em parceria com a Biblioteca Parque e a Sec. de Cultura de Niterói, Oficina de Produção Textual para estudantes do colégio Liceu Nilo Peçanha. Os oficineiros Milsoul Santos e Julio Menezes Silva, sob a supervisão da PhD. Elisa Larkin Nascimento, estiveram diante de um público de mais de 80 estudantes que desenvolveram as tarefas propostas na atividade. O evento fez parte da “Semana Abdias do Nascimento”, que tem o objetivo de conscientizar para as questões raciais e a valorização da produção intelectual negra por meio da Educação e Cultura. O evento ocorre na Biblioteca Parque de Niterói até o dia 11 de agosto, em diversos horários. Confira a galeria de imagens no Facebook. Fotos: Gilberto Corrêa, Julio Menezes Silva e Milsoul Santos.

 

CONTO “TERREIROS DE CANDOMBLÉ”, POR HÉLIO PENNA

Padê de Exu (Rio de Janeiro, 1988), de Abdias Nascimento. Dimensões: 150 x 100 cm.

Exu avisou a Mãe Olga que se preparasse, pois o Terreiro poderia sofrer um ataque dos traficantes de drogas. Ela ficou muito angustiada e, no mesmo dia, foi confirmar a terrível previsão no terreiro de Mãe Celeste, que ficava nas proximidades.

 Quando Mãe Olga instalou-se ali, o lugar ainda não era uma favela cheia de riscos e opressão. Muita gente foi chegando depois e ocupando a área de qualquer jeito. Os prefeitos prometiam organizar e ficavam só na promessa. E de promessa em promessa, não sobrou mais espaço na parte baixa, e as casas juntaram-se uma nas outras no alto do morro. Tudo foi ficando mais espremido, mais feio e mais triste…

Chegando ao terreiro, Mãe Olga bateu as palmas rituais, e entrou. O lugar encheu-se de vozes. Ouvia-se aqui e ali pedidos de bênção. Ela possuía muitos afilhados naquele templo. Um deles levou-a até o quarto onde se encontrava Mãe Celeste. As velhas sacerdotisas abraçaram-se e depois sentaram. Mãe Celeste já sabia do aviso do Deus Exu, e iniciou a penosa conversa.

As duas casas de candomblé corriam riscos de ataques, como outras que foram destruídas em todo o Brasil. Os bandidos invadiam os templos e obrigavam os próprios filhos de santo a destruírem os altares e objetos sagrados sob a ameaça das armas.

– Não pensei que viveria pra ver as casas de santo passar por isso novamente… – lamentou Mãe Olga.

– Isto não pode continuar – afirmou mãe Celeste.

As duas Yalorixás decidiram procurar a associação que reunia os terreiros de candomblé e umbanda. A instituição estava organizando os templos para uma ação que obrigasse o Estado a investigar os crimes; pois até ali as autoridades nada fizeram para impedir a violência. 

Mãe Olga se despediu e fez o caminho de volta. Entristecida, andava mais lentamente. Os filhos de santo mostraram-lhe vídeos das terríveis agressões. Os marginais violentavam as casas religiosas falando em nome de Jesus Cristo!

 Próximo do seu terreiro, a mãe de santo sentiu forte dor no peito. As pernas tremeram e as vistas turvaram-se… Quando deu por si, encontrava-se numa cadeira no meio da rua, com antigos moradores a sua volta. A ambulância chegou e levou-a para o hospital.

A notícia da internação de Mãe Olga se espalhou, levando muitos religiosos até a casa de saúde. Mãe Celeste foi a primeira a chegar com seus filhos. A aglomeração de candomblecistas e umbandistas brancos, mestiços e, na maioria, pretos, fez o hospital chamar a polícia. Os policiais foram recebidos com vaias.

Um ogan da casa de Mãe Olga veio dizer que ela passava bem. Fora um princípio de infarto. Os médicos garantiam a sua recuperação.  A matriarca logo estaria pronta para uma nova luta pelo direito de cultuar os deuses do candomblé.

Alguém deu inicio a um cântico que se espalhou pela multidão.  A música contava das estratégias de guerra usadas pelo Deus Ogum em defesa da sua gente. Os versos eram cantados o mais alto que se podia. O poder indomesticável de Ogum os liberta das antigas amarras.  Então aquele povo começou a marchar não se sabe para onde nem para o quê…

 

SOBRE O AUTOR
Hélio  Penna é contista nascido no Rio de Janeiro em 1961. Oriundo de família operária, morando sempre nas periferias da cidade, teve sua escrita marcada pela dura realidade social que vivenciou. Parte da sua vida foi dedicada à militância sindical, religiosa e social. Começou a escrever seus contos na adolescência. Sua influencia literária vem dos autores como Herberto Sales, Jorge Medauar, Dalton Trevisan e Nelson Rodrigues.  Seus contos já foram publicados nas antologias Cadernos Negros, Presidiária, Contos da meia-noite e Clube de Leitura Icaraí, além dos blogs Literatura e Afrodescendência, Educação nos Terreiros e Instituto Awúre de Incentivo a Cultura.  Trabalha e reside na cidade do Rio de Janeiro.

Quilombo Rio dos Macacos, o filme, ganha exibição no CCBB – RJ

Nesta sexta-feira (10), às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil, com entrada franca, será exibido o filme documentário de longa-metragem (120min, 2017) sobre a comunidade quilombola Rio dos Macacos e a sua luta pela garantia da propriedade da terra de uso tradicional, reivindicada pela Marinha do Brasil, localizada entre os municípios de Salvador e Simões Filho (BA).

Além de denunciar graves violações de direitos humanos – direito de ir e vir e de acesso à água, saúde, educação, moradia e trabalho – o filme registra, inclusive com imagens produzidas no calor da hora pelos próprios quilombolas, conflitos e negociações visando a solução dos problemas; documenta aspectos culturais, simbólicos e características do território, como paisagens e lugares; registra memórias individuais e coletivas, traçando amplo painel de caráter etnográfico.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Afrobrasileiros (IPEAFRO) vem acompanhando a luta do Quilombo Rio dos Macacos e se solidariza com a causa quilombola pelo direito à terra. Em março deste ano, por ocasião do Fórum Social Mundia 2018, as atividades propostas pelo IPEAFRO e parceiros teve o objetivo de dar visibilidade à luta quilombola e resultou em um documento assinado por diversas instituições. Leia a Declaração em Apoio ao Quilombo Rio dos Macacos.

Inscrições abertas para Residência artística de dança no Rio de Janeiro

Até o dia 25 de agosto estão abertas as inscrições para o “Festival Gira Hip-Hop”, evento que reúne os diferentes estilos de danças urbanas em uma residência artística aberta a comunidade da dança no Rio de Janeiro. Ao todo, 50 pessoas vão trocar experiências de vida em torno do corpo e de seus movimentos. A proposta é apostar em novas possibilidades e formas de relacionamento, uma vez que o evento é um lugar de encontro, um gerador de espaços de intercâmbio, de comunicação, de apreciação artística e humana, de afeto e de conhecimento. A apresentação principal será entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro, das 14hs às 18hs, quando o resultado da residência artística poderá ser apreciado pelo público no Centro Coreográfico da cidade do Rio de Janeiro (R. José Higino, 115 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ), na sala Loft.  A atividade é gratuita. O IPEAFRO apoia esta iniciativa. Mais informações em: https://girah2p.wixsite.com/girah2p