O peso simbólico do 14 de março

*Por Julio Menezes Silva 

Hoje é dia de reverenciar três ancestrais e independentemente de quem você seja, caro leitor, e de quais são as suas orientações individuais, atente-se para o simbolismo da data do 14 de março. Explico: nasceram em 1914 Carolina Maria de Jesus, escritora, e Abdias Nascimento, professor, artista plástico e político oficialmente indicado ao Nobel da Paz. Morreram a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes, em 2018, assassinados a mando de quem a polícia não sabe e o Estado brasileiro não quer descobrir. Por lei estadual no Rio de Janeiro, o dia 14 de março é Dia do Ativista pelo aniversário de Abdias, e Dia Marielle Franco de Luta contra o Genocídio das Mulheres Negras. Essas personalidades dedicaram a vida a resistir ao racismo brasileiro, o denunciaram ao mundo e deixaram mais evidentes o genocídio das populações negras.

Mas de que genocídio estamos falando? “O uso de medidas deliberantes e sistemáticas (morte, injúria corporal e mental, impossíveis condições de vida, prevenção de nascimentos), calculadas para o extermínio de um grupo racial, político ou cultural ou para destruir a língua, a religião ou a cultura de um grupo”. Essa definição está nas primeiras páginas do livro “O genocídio do Negro Brasieliro”, de Abdias Nascimento. Podemos afirmar que cada um deles – Carolina, Abdias e Marielle – foi atingido por diferentes facetas desse genocídio ao longo de suas vidas. Pagaram caro. Marielle levou quatro tiros na cabeça. Carolina morreu no ostracismo. Abdias não conseguiu uma sede para abrigar seu ambicioso projeto do Museu de Arte Negra (MAN). Mas no final das contas eles eram sementes e nós somos os seus frutos.

Se um dia o Brasil se livrar do racismo, certamente foi porque no caminho dessa construção houve um investimento pesado em educação de qualidade, desenvolvimento de pensamento crítico e ampliação do esforço de contar a história que a história não conta. Nós, negros e negras, somos responsáveis por reivindicar essa história, contar para os nossos filhos, pavimentar esse conhecimento para o futuro. “Nunca é tarde para voltar ao passado e apanhar o que ficou para trás” é o significado do provérbio Sankofa – cuja a imagem simboliza uma ave que olha para o próprio rabo. Outra interpretação possível para esse ideograma que compõe o conjunto de símbolos Adinkra, linguagem escrita dos povos Acã, é aprender com o passado, compreender o presente para construir o futuro. Eis aqui uma pequena colaboração para esse possível futuro e desejado.

Imagem criada pelo designer Luiz Carlos Gá para o evento que homenageou Carolina, Abdias e Marielle no 14 de março de 2019, no Centro de Artes da Maré, na favela Nova Holanda, Rio de Janeiro (RJ)

Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

Escritora mineira, nascida em Sacramento (MG) em 14 de março de 1914. Após um episódio de racismo em sua cidade, no qual foi acusada injustamente de roubo e espancada até que o dinheiro aparecesse para que ela pudesse ser inocentada, mudou-se para São Paulo – onde chegou caminhado a pé. Estabeleceu-se na favela do Canindé as margens da marginal do Tietê. Teve três filhos. Cuidou deles sozinha, sem a presença paterna. A fome fazia parte do cotidiano de sua família. Catando papéis tirava o mínimo para o sustento. Dos papéis também vinham os pedaços de folha onde escrevia suas memórias, textos, poesias e seus sonhos. Um dia, o jornalista Audálio Dantas foi fazer uma matéria para a Folha de São Paulo sobre a vida na favela. Encontrou-se com Carolina Maria de Jesus, soube de sua história, leu seus textos. Publicou sua história no jornal. Dois anos mais tarde, em 1960, seus textos foram reunidos em Quarto do Despejo, livro que virou best-seller. Está hoje em 16 países, 46 idiomas. Vendeu quatro milhões de livros no exterior, 3 milhões no Brasil. É a mulher brasileira que foi mais publicada no mundo. Foi confrontada pelo stabilishment e o seu racismo estrutural. Carolina tronou-se uma referência de um “lugar de fala”, termo tão usado nos dias de hoje. Afinal Carolina não deixava que ninguém falar por ela. Morreu no ostracismo em 1977.

Marielle Franco (1979 – 2018)

Marielle Franco foi uma política brasileira. Formada em Sociologia (pela PUC-Rio) e com Mestrado em Administração Pública (pela UFF). Eleita Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no ano de 2016, com 46.502 votos. Enfrentou as milícias sem medo. Denunciou policiais corruptos. Defensora dos direitos humanos, coordenou, junto com Marcelo Freixo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ao longo do período em que atuou como vereadora apresentou 16 projetos de lei, especialmente pensados em políticas públicas para negros, mulheres e LGBTI. Mãe, mulher negra de favela, mãe, lésbica. Foi assassinada ao lado de seu motorista Anderson Gomes em um 14 de março, em crime ainda não desvendado. O caso talvez seja o mais relevante atualmente para se compreender o contexto da política nacional e de como funcionam os mecanismos de racismo no Brasil.

Abdias Nascimento (1914 – 2011)

Político, escritor, jornalista, teatrólogo, professor. Nasceu em Franca (SP). Fundador do Teatro Experimental do Negro, quando os negros e negras pisaram no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro pela primeira vez, dirigindo, atuando e produzido uma peça e o protagonizando o papel principal. Ajudou a organizar o primeiro Congresso do Negro Brasileiro. Fundou o jornal Quilombo. Foi curador do projeto do Museu de Arte Negra. Foi perseguido politicamente e preso diversas vezes em sua vida por resistir ao racismo. Viveu 13 anos em exílio durante a Ditadura Militar no Brasil. Voltou ao País e foi o primeiro parlamentar negro da Câmara dos Deputados. Fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Participou da promulgação da Constituição Brasileira em 1988. Defensor da democracia e dos Direitos Humanos das populações negras, foi oficialmente indicado ao Nobel da Paz. Autor de “O Genocídio do Negro Brasileiro”e “O Quilombismo”, clássicos do pensamento social brasileiro. Foi secretário de Estado, Senador da República. Morreu aos 97 anos e é considerado uma das grandes personalidades brasileiras do século XX

UM RELATO PESSOAL

Revistando algumas anotações pessoais que mantenho em diários, cheguei ao dia 14 de março de 2018. Eis aqui alguns dos apontamentos registrados naquele dia.

“São 5h53 da manhã… No Fórum Social Mundial, observo, milhares de pessoas afinadas com o “mundo melhor é possível”. Neste hotel, que fica ao lado do Instituto Goethe de Salvador, vários turistas nacionais e internacionais dividem espaço. Aqui no looby, antes das seis, já há uma movimentação. Fico pensando no longo dia que terei pela frente e de que maneira posso contribuir para um mundo melhor. Acho que o melhor caminho a tal passa por mim, pelo autoconhecimento. Talvez me conhecendo melhor, melhor de mim posso oferecer ao mundo: dons, talentos, amor, compaixão. O que mais este mundo precisa?

Foi com esse espírito de esperança que me lancei naquele 14 de março de 2018. Com fé na humanidade, meditando e escrevendo – em um ato de prazer e fé.

“Animados, enquanto os hospedes tomam café, estão os funcionários do hotel, conversando com o sotaque inconfundível dessa terra, com sorrisos pouco comum para este horário, e um bom-humor inconcebível, pelo menos para mim, aquela hora do dia. E acredito que esta turma não deve ter levantado da cama antes das quatro da manhã, como é comum em nosso país, principalmente para os trabalhadores que moram afastados dos grandes centros. Que a luz e o bom humor norteiem o dia de hoje, e que eu possa ter uma noite de sono um pouco melhor do que a que tive – tivemos – hoje. Que seja assim!

Fechei o caderno. Tomei café da manhã com a professora Elisa Larkin Nascimento e o escritor Milsoul Santos. Saímos para o Teatro Martim Gonçalves, da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (IPEAFRO) e parceiros realizariam o primeiro de uma série de três eventos em torno do lançamento da nova edição do livro “O Genocídio do Negro Brasileiro”, de Abdias Nascimento. Poesia, música, pensamento crítico, esperança. O teatro pulsava, foi lindo. À tarde visitei a UFBA / Ondina que pulsava ainda mais: gente de várias partes do mundo, diferentes culturas, era o povo na rua cantando como uma reza, um ritual.   

À noite, chegou a notícia da morte de Marielle. Eu já estava deitado, preparando-me para dormir. Pensei: “fudeu!”. Permaneci estático. A única reação possível foi escrever no diário. E lá está:  

“Como é habitar um corpo afro-brasileiro que por destino “caiu” na cidade do Rio de Janeiro, que por destino chegou até aqui? O que me motiva a escrever é este turbilhão de acontecimentos simultâneos que fazem parte de nossa vida… A morte da vereadora Marielle Franco, do Psol, assassinada em circunstâncias ainda duvidosas… Eu votei nela nas últimas eleições. Mulher negra, jovem. Parecia para mim séria e honesta. Hoje sei de seu assassinato, no Estácio, bairro onde nasceu o samba. Eu fico indignado com a violência na cidade, apesar de já ter me “acostumado” a essa realidade no Rio.

De salvador, onde passei o dia em compromissos dentro do âmbito do Fórum Social Mundial 2018, que propõe “um mundo melhor é possível”, discutimos, agimos, poetizamos, criamos atividades em torno do “Genocídio do Negro Brasileiro”, livro de Abdias. As discussões giravam em torno justamente do genocídio ser além da morte física, mas esta quando chega, é fatal. Literalmente nos faz perder a esperança de tudo.

Eis que surge o Flamengo, com dois gols de jovem negro, de São Gonçalo, o pior IDH do Rio, um dos piores do Brasil, que faz dois gols contra o Emelec, fora de casa pela Libertadores. Aí compreendo a plenitude da vida: indignação, revolta, felicidade, amor, tristeza, raiva. Tudo isso habita esse corpo negro enquanto escrevo estas palavras, à meia noite, sentado em uma privada de hotel, com a porta (do banheiro) fechada para não incomodar a minha companheira que já está no décimo sono. A vida é meio sei lá, bicho. Eu só peço a Deus que me livre do mal. Amém!”.

O resto é história. 

Viva o 14 de março! Que a data seja celebrada pelo protagonismo dessas personalidades e de outras tantas que fazem a diferença, em vida, para um mundo melhor. Queremos mais Carolinas, mais Nascimentos. Queremos #justiçapormarielle! A pergunta que fica é: quem mandou matar Marielle? 

*Julio Menezes Silva é jornalista, artista em formação. É coordenador de Comunicação do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) e integrante do Fórum Permanente Pela Igualdade Racial.

O peso simbólico do 14 de março

*Por Julio Menezes Silva (IPEAFRO/ FOPIR)

Hoje é dia de reverenciar três ancestrais e independentemente de quem você seja, caro leitor, e de quais são as suas orientações individuais, atente-se para o simbolismo da data do 14 de março. Explico: nasceram em 1914 Carolina Maria de Jesus, escritora, e Abdias Nascimento, professor, artista plástico e político oficialmente indicado ao Nobel da Paz. Morreram a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes, em 2018, assassinados a mando de quem a polícia não sabe e o Estado brasileiro não quer descobrir. Por lei estadual no Rio de Janeiro, o dia 14 de março é Dia do Ativista pelo aniversário de Abdias, e Dia Marielle Franco de Luta contra o Genocídio das Mulheres Negras. Essas personalidades dedicaram a vida a resistir ao racismo brasileiro, o denunciaram ao mundo e deixaram mais evidentes o genocídio das populações negras.

Mas de que genocídio estamos falando? “O uso de medidas deliberantes e sistemáticas (morte, injúria corporal e mental, impossíveis condições de vida, prevenção de nascimentos), calculadas para o extermínio de um grupo racial, político ou cultural ou para destruir a língua, a religião ou a cultura de um grupo”. Essa definição está nas primeiras páginas do livro “O genocídio do Negro Brasieliro”, de Abdias Nascimento. Podemos afirmar que cada um deles – Carolina, Abdias e Marielle – foi atingido por diferentes facetas desse genocídio ao longo de suas vidas. Pagaram caro. Marielle levou quatro tiros na cabeça. Carolina morreu no ostracismo. Abdias não conseguiu uma sede para abrigar seu ambicioso projeto do Museu de Arte Negra (MAN). Mas no final das contas eles eram sementes e nós somos os seus frutos.

Se um dia o Brasil se livrar do racismo, certamente foi porque no caminho dessa construção houve um investimento pesado em educação de qualidade, desenvolvimento de pensamento crítico e ampliação do esforço de contar a história que a história não conta. Nós, negros e negras, somos responsáveis por reivindicar essa história, contar para os nossos filhos, pavimentar esse conhecimento para o futuro. “Nunca é tarde para voltar ao passado e apanhar o que ficou para trás” é o significado do provérbio Sankofa – cuja a imagem simboliza uma ave que olha para o próprio rabo. Outra interpretação possível para esse ideograma que compõe o conjunto de símbolos Adinkra, linguagem escrita dos povos Acã, é aprender com o passado, compreender o presente para construir o futuro. Eis aqui uma pequena colaboração para esse possível futuro e desejado.

Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

Escritora mineira, nascida em Sacramento (MG) em 14 de março de 1914. Após um episódio de racismo em sua cidade, no qual foi acusada injustamente de roubo e espancada até que o dinheiro aparecesse para que ela pudesse ser inocentada, mudou-se para São Paulo – onde chegou caminhado a pé. Estabeleceu-se na favela do Canindé as margens da marginal do Tietê. Teve três filhos. Cuidou deles sozinha, sem a presença paterna. A fome fazia parte do cotidiano de sua família. Catando papéis tirava o mínimo para o sustento. Dos papéis também vinham os pedaços de folha onde escrevia suas memórias, textos, poesias e seus sonhos. Um dia, o jornalista Audálio Dantas foi fazer uma matéria para a Folha de São Paulo sobre a vida na favela. Encontrou-se com Carolina Maria de Jesus, soube de sua história, leu seus textos. Publicou sua história no jornal. Dois anos mais tarde, em 1960, seus textos foram reunidos em Quarto do Despejo, livro que virou best-seller. Está hoje em 16 países, 46 idiomas. Vendeu quatro milhões de livros no exterior, 3 milhões no Brasil. É a mulher brasileira que foi mais publicada no mundo. Foi confrontada pelo stabilishment e o seu racismo estrutural. Carolina tronou-se uma referência de um “lugar de fala”, termo tão usado nos dias de hoje. Afinal Carolina não deixava que ninguém falar por ela. Morreu no ostracismo em 1977.

Marielle Franco (1979 – 2018)

Marielle Franco foi uma política brasileira. Formada em Sociologia (pela PUC-Rio) e com Mestrado em Administração Pública (pela UFF). Eleita Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no ano de 2016, com 46.502 votos. Enfrentou as milícias sem medo. Denunciou policiais corruptos. Defensora dos direitos humanos, coordenou, junto com Marcelo Freixo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ao longo do período em que atuou como vereadora apresentou 16 projetos de lei, especialmente pensados em políticas públicas para negros, mulheres e LGBTI. Mãe, mulher negra de favela, mãe, lésbica. Foi assassinada ao lado de seu motorista Anderson Gomes em um 14 de março, em crime ainda não desvendado. O caso talvez seja o mais relevante atualmente para se compreender o contexto da política nacional e de como funcionam os mecanismos de racismo no Brasil.

Abdias Nascimento (1914 – 2011)

Político, escritor, jornalista, teatrólogo, professor. Nasceu em Franca (SP). Fundador do Teatro Experimental do Negro, quando os negros e negras pisaram no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro pela primeira vez, dirigindo, atuando e produzido uma peça e o protagonizando o papel principal. Ajudou a organizar o primeiro Congresso do Negro Brasileiro. Fundou o jornal Quilombo. Foi curador do projeto do Museu de Arte Negra. Foi perseguido politicamente e preso diversas vezes em sua vida por resistir ao racismo. Viveu 13 anos em exílio durante a Ditadura Militar no Brasil. Voltou ao País e foi o primeiro parlamentar negro da Câmara dos Deputados. Fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Participou da promulgação da Constituição Brasileira em 1988. Defensor da democracia e dos Direitos Humanos das populações negras, foi oficialmente indicado ao Nobel da Paz. Autor de “O Genocídio do Negro Brasileiro”e “O Quilombismo”, clássicos do pensamento social brasileiro. Foi secretário de Estado, Senador da República. Morreu aos 97 anos e é considerado uma das grandes personalidades brasileiras do século XX

UM RELATO PESSOAL

Revistando algumas anotações pessoais que mantenho em diários, cheguei ao dia 14 de março de 2018. Eis aqui alguns dos apontamentos registrados naquele dia.

“São 5h53 da manhã… No Fórum Social Mundial, observo, milhares de pessoas afinadas com o “mundo melhor é possível”. Neste hotel, que fica ao lado do Instituto Goethe de Salvador, vários turistas nacionais e internacionais dividem espaço. Aqui no looby, antes das seis, já há uma movimentação. Fico pensando no longo dia que terei pela frente e de que maneira posso contribuir para um mundo melhor. Acho que o melhor caminho a tal passa por mim, pelo autoconhecimento. Talvez me conhecendo melhor, melhor de mim posso oferecer ao mundo: dons, talentos, amor, compaixão. O que mais este mundo precisa?

Foi com esse espírito de esperança que me lancei naquele 14 de março de 2018. Com fé na humanidade, meditando e escrevendo – em um ato de prazer e fé.

“Animados, enquanto os hospedes tomam café, estão os funcionários do hotel, conversando com o sotaque inconfundível dessa terra, com sorrisos pouco comum para este horário, e um bom-humor inconcebível, pelo menos para mim, aquela hora do dia. E acredito que esta turma não deve ter levantado da cama antes das quatro da manhã, como é comum em nosso país, principalmente para os trabalhadores que moram afastados dos grandes centros. Que a luz e o bom humor norteiem o dia de hoje, e que eu possa ter uma noite de sono um pouco melhor do que a que tive – tivemos – hoje. Que seja assim!

Fechei o caderno. Tomei café da manhã com a professora Elisa Larkin Nascimento e o escritor Milsoul Santos. Saímos para o Teatro Martim Gonçalves, da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (IPEAFRO) e parceiros realizariam o primeiro de uma série de três eventos em torno do lançamento da nova edição do livro “O Genocídio do Negro Brasileiro”, de Abdias Nascimento. Poesia, música, pensamento crítico, esperança. O teatro pulsava, foi lindo. À tarde visitei a UFBA / Ondina que pulsava ainda mais: gente de várias partes do mundo, diferentes culturas, era o povo na rua cantando como uma reza, um ritual.   

À noite, chegou a notícia da morte de Marielle. Eu já estava deitado, preparando-me para dormir. Pensei: “fudeu!”. Permaneci estático. A única reação possível foi escrever no diário. E lá está:  

“Como é habitar um corpo afro-brasileiro que por destino “caiu” na cidade do Rio de Janeiro, que por destino chegou até aqui? O que me motiva a escrever é este turbilhão de acontecimentos simultâneos que fazem parte de nossa vida… A morte da vereadora Marielle Franco, do Psol, assassinada em circunstâncias ainda duvidosas… Eu votei nela nas últimas eleições. Mulher negra, jovem. Parecia para mim séria e honesta. Hoje sei de seu assassinato, no Estácio, bairro onde nasceu o samba. Eu fico indignado com a violência na cidade, apesar de já ter me “acostumado” a essa realidade no Rio.

De salvador, onde passei o dia em compromissos dentro do âmbito do Fórum Social Mundial 2018, que propõe “um mundo melhor é possível”, discutimos, agimos, poetizamos, criamos atividades em torno do “Genocídio do Negro Brasileiro”, livro de Abdias. As discussões giravam em torno justamente do genocídio ser além da morte física, mas esta quando chega, é fatal. Literalmente nos faz perder a esperança de tudo.

Eis que surge o Flamengo, com dois gols de jovem negro, de São Gonçalo, o pior IDH do Rio, um dos piores do Brasil, que faz dois gols contra o Emelec, fora de casa pela Libertadores. Aí compreendo a plenitude da vida: indignação, revolta, felicidade, amor, tristeza, raiva. Tudo isso habita esse corpo negro enquanto escrevo estas palavras, à meia noite, sentado em uma privada de hotel, com a porta (do banheiro) fechada para não incomodar a minha companheira que já está no décimo sono. A vida é meio sei lá, bicho. Eu só peço a Deus que me livre do mal. Amém!”.

O resto é história. 

Viva o 14 de março! Que a data seja celebrada pelo protagonismo dessas personalidades e de outras tantas que fazem a diferença, em vida, para um mundo melhor. Queremos mais Carolinas, mais Nascimentos. Queremos #justiçapormarielle! A pergunta que fica é: quem mandou matar Marielle? 

*Julio Menezes Silva é jornalista, artista em formação. É coordenador de Comunicação do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) e integrante do Fórum Permanente Pela Igualdade Racial.

HISTÓRIA: QUANDO ABDIAS ENCONTROU-SE COM PAULO

Paulo Freire e Abdias Nascimento em Guiné Bissau no ano de 1976. Foto: Elisa Larkin Nascimento

Em tempos de ascensão do conservadorismo e da intolerância, é sempre bom relembrar àqueles cuja a vida e obra foram dedicadas à humanidade.  Sobre Abdias Nascimento e Paulo Freire: eles eram amigos, se encontraram em diversas ocasiões no exílio (da Ditadura Militar no Brasil). A foto de @elisalarkinn é o registro do encontro em Guiné Bissau, em 1976, quando Abdias visitou o país meses após a vitória do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e a independência de Bissau. Paulo Freire estava lá em sua missão de educador, e encontro belíssimo, muitos à luz do luar da noite de Bissau, com jovens sedentos de aprendizagem e entusiasmados com a missão da educação no novo país que se construía. Não havia espaço físico para abrigar esses encontros, os jovens liam à luz de velas ou de lanternas (quando se tinha acesso às pilhas). Uma experiência muito rica. Abdias e Paulo Freire já haviam se encontrado em Nova York, e em Dar-es-Salaam em 1974 quando Abdias lá esteve para o 6º Congresso Pan-Africano.

 
Paulo Freire narra esses encontros no prefácio que ele escreveu – e que publicamos no manuscrito dele, de próprio punho – para o livro de poesia de Abdias, Axés do Sangue e da Esperança: Orikis (1983), esgotadíssimo, porém disponível para leitura online em nosso site
 
“Tive a honra de ser recebida por ele e a esposa, na casa dele em Perdizes, em 1981, quando lá estávamos tratando da fundação do IPEAFRO na PUC-SP. Foi nessa visita que Abdias lhe deixou os originais da poesia e lhe propus fazer o prefácio, o que ele aceitou com a generosidade que lhe era peculiar” conta a prof. Dra. Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias e diretora do IPEAFRO.
 
RELATO PESSOAL, por Elisa Larkin Nascimento e Ordep Serra:

“A pequena convivência com Paulo Freire certamente foi um dos pontos altos de minha vida, aqueles que agradeço todos os dias por me ter propiciado esta visita fugaz ao planeta Terra. Uma pessoa cuja maestria morava na doçura de seu trato, tanto com estudantes como com seus pares. Uma inteligência viva e dinâmica, uma personalidade inesquecível.Com permissão do autor, faço minhas as palavras do escritor e antropólogo baiano Ordep Serra, outra inteligência brasileira marcada pela ternura na militância pensada e praticada . Ordep compartilhou o seguinte depoimento:

Conheci pessoalmente Paulo Freire e embora tenha tido apenas rápidos encontros com ele tenho viva lembrança de seu jeito sereno, afetuoso, ponderado. Gravei no coração seu sorriso amável, sua simpatia. Muito me orgulho de ter sido monitor em um curso de alfabetização por ele programado em benefício dos pobres candangos que construíram Brasília, mas moravam em condições precárias nas favelas das cidades satélites.

Durou coisa de poucas semanas minha experiência de alfabetizador aprendiz em Taguatinga. Foi muito curta essa experiência porque sobreveio um estúpido golpe que deflagrou em nosso país a brutalidade de uma longa ditadura militar, obrigando Paulo Freire a exilar-se com sua família. Assim seu magnífico trabalho foi interrompido no Brasil.

Os voluntários que aqui se empenhavam alegremente na bela tarefa viram-se impedidos de continuá-la. A barbárie triunfava. Mas Paulo Freire prosseguiu longe de sua terra a sua magnífica jornada de educador. É hoje um nome respeitado no mundo inteiro, doutor honoris causa por 35 universidades, o terceiro autor mais citado na área de ciências humanas, o brasileiro de maior prestígio internacional.

Nos países que melhores resultados têm obtido na educação ele é celebrado, festejado. No Brasil aparvalhado de hoje, o governo lhe move guerra. O primeiro mandatário chama de lixo sua obra e chegou a tachá-lo de energúmeno. Não acredito que o desbocado presidente saiba o significado desta palavra. Por certo lhe disseram que se trata de um insulto e ele o incorporou sem mais a seu escasso vocabulário; afinal, o xingamento é uma das poucas formas de expressão que domina.

Do jeito como o aborrecem os livros, em que vê apenas “um montão de amontoado de coisas escritas”, é improvável que consulte dicionários. Em geral volumosos, os léxicos devem causar-lhe horror. Assim ele não percebe a ironia de sua diatribe. Energúmenos são possessos, descritos na literatura como gente transtornada, odiosa, violenta, agressiva, descontrolada, insana, dada a xingas, ameaças e ataques de fúria.

Chamar assim um homem tranquilo, ponderado e gentil como Paulo Freire é coisa de pessoa sem tino que sem querer se retrata em sua invectiva. É claro que esse insulto não atinge o sereno educador visado. Paulo Freire nunca teve qualquer ligação com brutais milicianos; nem ele nem pessoas de sua família conviveram jamais com gente dessa casta. Confiram sua biografia: ele nunca abrigou em seu gabinete gente suspeita de bandalheiras e assassinatos. Nenhum de seus filhos o fez. Nenhum escritório do crime teve com sua família qualquer ligação.

Paulo Freire era de todo alheio à violência característica dos energúmenos. Seu sonho era educar a gente pobre de seu país; nunca sonhou com uma guerra civil que eliminasse trinta mil patrícios. Por outro lado, sabe-se quem são os ídolos do detrator: Pinochet, tirano corrupto, homicida, cruel, detestado no mundo inteiro; o ditador Stroessener, célebre por sua violência carniceira e sua dedicação ao estupro de menores; o nefando Brilhante Ustra, um torturador convicto que não se pejava de levar crianças ao cárcere para ver seus pais brutalizados.

Quem se espelha nesse tipo de gente não tem como atingir um Paulo Freire, não tem como insultar um homem digno, uma mulher honrada. O desatinado que defende a ditadura e idolatra torturadores só tem uma possibilidade de infamar uma pessoa: elogiá-la. Um seu elogio é que seria comprometedor, é o que pode destruir uma reputação. O desatinado presidente deixa claro seu problema com livros, mostra a cada palavra que a leitura não está entre suas habilidades. É natural que uma pessoa assim, tão inimiga do conhecimento, deteste educadores. Se tivesse sido alfabetizado pelo método Paulo Freire aprenderia a refletir, a ponderar, a examinar criticamente o seu meio.

Não teria a dificuldade que mostra a cada pronunciamento em articular sentenças com alguma lógica; não maltrataria a línguas nativa nem seria exposto ao ridículo no mundo inteiro a cada vez que abre a boca. Um sinal de sua irreflexão é a tentativa bisonha que vive reiterando de atacar com menosprezo pessoas que se destacam no campo da inteligência: o resultado é sempre negativo, ele sempre sai diminuído e mesmo assim não aprende a lição, indo de fracasso a fracasso.

As canções magníficas de Chico Buarque lhe causam ódio; ele o ataca sem perceber o ridículo a que se expõe, revelando surdez musical incurável. A prosa aclamada de Chico ele desconhece, mas ataca assim mesmo, como ataca Caetano Veloso, ao tempo em que agride os cientistas mais renomados do Brasil — e julga que ninguém percebe sua ignorância patente. Uma menina sueca encanta o mundo por sua extraordinária lucidez, impõe-se ao respeito de povos inteiros, é acolhida por sábios e autoridades das mais acatadas; o mesquinho capitão a chama de pirralha e não percebe o quanto se diminui aos olhos do mundo. É triste.

Teria muito a aprender com o povo sagaz do nordeste, em particular com um de seus provérbios mordazes: “Não há quem cuspa pra cima que não lhe caia na cara”. Mas o apego à ignorância crassa faz com que pessoas desse naipe, que detesta educadores, se faça incapaz de aprendizagem”.

 

 

VISITAS: UM ESPAÇO ABERTO A TODOS

O IPEAFRO recebe pessoas de toda a parte do mundo. Algumas dessas pessoas vem indicadas por amigos do IPEAFRO. Outras vêm interessadas em acessar o riquíssimo acervo, tanto da parte documental quanto da parte museológica. Outras pessoas chegam para simplesmente sentir a atmosfera quilombista criada por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento, desde que a organização foi fundada em 1981 – quando Abdias voltou de 13 anos do exílio. 

Nos registros que seguem, algumas das pessoas que passaram pelo nosso espaço – sempre em construção e pronto para abraçar a todos, independentemente de posição ideológica. A nossa luta é contra o racismo, a favor dos direitos das populações negras e pela valorização da cultura de matriz africana. Quem tiver esse interesse em comum será bem-vindo! Sempre…

Abdias Nascimento na Avenida em São Paulo

Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias Nascimento, diretora do IPEAFRO, desfila no carro “Poder ao povo da favela!”. Foto: Bruno Pompeu

Quando a Mocidade Unida cruzou a avenida, em São Paulo, na madrugada de segunda-feira, dia 24 de fevereiro de 2020, os integrantes da escola defendiam não só as cores do pavilhão, mas enalteciam a vida, a obra e o legado de Abdias Nascimento, um herói da nação brasileira, que dedicou sua vida ao ativismo em prol do povo negro. 

Com o enredo A Ópera de Abdias Nascimento 

Integrantes da escola desfilam na ala de protesto. Em destaque, a jornalista Tatiane de punho cerrado

Além da homenagem a Nascimento, o desfile mostrou-se um protesto contra as injustiças e preconceitos sofridos pelo povo negro e pelas chamadas minorias, que lutam por respeito e igualdade. 

Foram lembrados no protesto nomes como o da vereadora assassinada Marielle Franco, do músico Edvaldo Santos, que teve seu carro alvejado por 80 tiros, após ser confundido com bandidos, da pequena Ágatha Felix, de 8 anos, vítima de uma bala perdida em um comunidade carioca, dos nove jovens mortos no baile funk em Paraisópolis, em São Paulo, e por tantos outros, que na maioria das vezes são negros e negras, que tiveram suas vidas interrompidas de forma abrupta. 

 

O resultado do carnaval 2002 deu a Mocidade Unidade da Mooca um digníssimo quarto lugar entre as sete escolas do Acesso paulistano. Pelo esforço e o trabalho desenvolvido, especialmente na pessoa do carnavalesco negro André Rodrigues, o Instituto de Pesquisas e Estudos agradece a toda comunidade da MuN.

GALERIA DE FOTO COMPLETA

Ficha técnica

Fundação: 18/03/1987
Cores oficiais: vermelho e verde
Presidente: Rafael Falanga
Carnavalesco: André Rodrigues
Mestre de Bateria: Caik Mano
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Jefferson Gomes e Janny Moreno
Diretor de Carnaval: Vitor Gabriel
Diretor de Harmonia: Vanderley Silva, Neto Reis, Rodrigo Romano e Luiz Leite
Rainha da Bateria: Karoline Morais
Intérpretes: Gui Cruz e Clayton Reis
Coreógrafo da Comissão de Frente: Nildo Jaffer
Colocação em 2019: 5º lugar – Grupo de Acesso 
Ordem do desfile em 2020:
Grupo de Acesso – Domingo – 23/02
5ª escola a desfilar – 01h00
Enredo de 2020: “A Ópera Negra de Abdias do Nascimento” 


Samba-Enredo

A ÓPERA NEGRA DE ABDIAS DO NASCIMENTO

Ecoa o clamor da resistência
A negra voz que ilumina a consciência
Tingindo de preto os palcos de marfim
O sonho de Palmares renasce em mim
Ôôô… pelo povo e meus irmãos
Ôôô… minha luta não foi em vão
A luz de Aruanda na ribalta
Liberta as amarras da realidade
Arranca a mordaça e diz a verdade

Kaô Kaô… Kabecilê Xangô
Teu leão de batalha eu sou
Aos olhos do rei a justiça revela
Poder ao povo da favela 

Convoco tambores de axé
Num elo de fé, por nossa raiz…
Não deixem cair no comum,
Confundirem mais um,
Sangra nosso país!
Vem meu irmão,
À luta contra a intolerância
Estou presente em cada coração
Resistindo a ignorância
Eu sou a força de quem nunca desistiu
O “Nascimento” de um novo Brasil

Eu tenho o meu valor
Respeite a minha cor…
Só quero paz e igualdade
Sob a luz de Olorum, uma história de atitude
A Mooca é a voz da negritude

Compositores: Dom Marcos (in memoriam), Vitor Gabriel, Minuettos, Gui Cruz, Portuga, Luciano Rosa, Reinaldo, Marçal, William Tadeu, Imperial, Clayton Reis e Rafael Falanga

 

Sarau IPEAFRO em Salvador

Salvador está em festa! O Sarau IPEAFRO ganha edição especial antes do encerramento do ano, no próximo dia 18/12 às 18h, no Teatro Raul Seixas, Av. Sete de Setembro, 227 – Mercês, Salvador – BA. Além de poesia e música, com o Coletivo Boca Quente e convidados, haverá lançamento dos livros O Quilombismo de Abdias Nascimento e Amor sem Miséria de Milsoul Santos. Participam do evento: Valdecir Nascimento, Odara Instituto da Mulher Negra (autora do posfácio em O Quilombismo), Karla Meura, OAB e Sérgio São Bernardo, UNEB/ UFBA.

INSCRIÇÕES ABERTAS: Salvador recebe Seminário Abdias Nascimento e a reparação da escravidão

Salvador recebe o seminário Abdias Nascimento e a Reparação da Escravidão no dia 6 de dezembro de 2019, às 14h, na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
 
A atividade discute a reparação da escravidão e o legado do escritor, artista plástico, teatrólogo, político e poeta Abdias Nascimento, um dos maiores ativistas pelos direitos humanos. Uma das personalidades mais marcantes não somente por sua atuação política nas pautas da igualdade racial e pelo fim da discriminação, mas por ter buscado pensar como o negro, a construção de uma estética negra e a recuperação da epistemologia negra.
 
O negro brasileiro, para Abdias, não significava apenas uma condição social-racial, mas a força de uma ascendência e o respeito máximo à ancestralidade africana “inspirado nos Orixá que nos faz crescer”.
 
Data: 06 de dezembro
Local;. Sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFBA .
Inscrições: gratuitas
https://www.sympla.com.br/abdias-nascimento-e-a-reparacao-da-escravidao__733960
 
PROGRAMAÇÃO
14h Credenciamento – Poesias de MilSoul Santos
14h30 Mesa de abertura com autoridades:OAB/BA; UFBA; FLB-AP, CAAB; IPEAFRO.
 
A participação de negras e negros em posições de decisão pós Abdias Luiz Coutinho Pres. CAAB e ANAAC
 
Mesa 1 – As 15h – “Abdias Nascimento: vida e obra”
Elisa Larkin Nascimento
Prof Ordép José Trindade
Vovô do Ilê
Mediação: Flávio Pereira (CVEN)
 
Mesa 2 – as 16h30 – O Quilombismo: documentos de uma militância Pan-Africanista
Sérgio São Bernado
Consuelo Gonçalves
Med: Alexandre de Andrade (CVEN/OAB-BA)
 
Mesa 3 – as 17h15- Genocídio do negro brasileiro: 41 anos depois
Júlio César de Sá Rocha
Lindinalva Barbosa
Mediação: Ana Luíza Teixeira Nazário • Intervalo
 
Mesa 4 – as 18h45- Memórias de um trabalhista
Palestrante:
Eduardo Rodrigues de Souza FLB -AP
Henrique Matthiesen CMT/FLB-AP
Sueli Conceição
Med.: Karla Meura

Apresentação de “Amor sem Miséria” (IPEAFRO) (19h30)

Realização
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Ordem dos Advogados Brasil – Seccional Bahia (OAB/BA)
Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (IPEAFRO)

Apoio
Associação Nacional dos Advogados Afro-descendentes – ANAAD
Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia – CAAB 
Grupo de Estudos Historicidade do Estado, Direito e Direitos Humanos
Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini/ Centro de Memória Trabalhista (FLB-AP/CMT)

Agenda de afro-eventos, dias santos e datas relevantes do mês de dezembro de 2019

Alô São Paulo! As dicas são de Guilherme Botelho Júnior, teólogo, historiador, paladino da liberdade religiosa e Obá do Senhor Sango. Que tal?

S A N T O R A L – Santos negros de nossa devoção
Dia 01 – Santa Anaurite Nengapeta Maria Clementina
Dia 10 – Nossa Senhora de Loreto
Dia 12 – Nossa Senhora de Guadalupe
Dia 30 – São Fulgêncio ###########################################

MEMÓRIA DO MÊS
Dia 01 – Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
Dia 02 – Dia Nacional do Samba
Dia 05 – 1824 – Proibição de Negros e Leprosos de frequentar escola no Brasil
Dia 05 – Morte de Nelson Mandela. Viva Madiba!
Dia 10 – 1948 – Constituição da Declaração dos Direitos Humano na ONU
Dia 18 – 1979 – Convenção da Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher
Dia 24 – 1986 – Criado o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo

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EVENTOS E ATIVIDADES

DIA 01 às 10H
CELEBRAÇÃO NO RITO ROMANO INCULTURADO EM ESTILO AFRO-BRASILEIRO – CELEBRAÇÃO AFRO
Realização: Comissão de Festa da Penha
Local: Capela de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos da Freguesia de Penha de França -Largo da Penha s/n° – São Paulo/SP ###########################################

DIA 05 às 19Hs
Missa em Ação de Graças em Louvor e Glória do Padroeiro do Povo Negro São Benedito
Realização: Pastoral Afro-brasileira da Diocese de Guarulhos
Local: Capela de Nossa Senhora dos Homens Pretos e de S. Benedito
Praça do Rosário – confluência da João Gonçalves e – Sete de Setembro – Centro – Guarulhos-SP
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DIA 06 às 19Hs
LANÇAMENTO DE LIVRO
42ª. EDIÇÃO DE CADERNOS NEGROS
Realização: QUILOMBOJE
Participação do Bloco Afro Afirmativo ILU INÃ
Local: Galeria OLIDO – Avenida São João – Largo do Paissandu – São Paulo-SP
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DIA 07 às 13H30
6o. ENCONTRO DE FÉ E POLÍTICA DO ABC – Sínodo da Amazônia: UMA CONVERSÃO INTEGRAL
Assessores: Pe. Beozzo – Doutor em História Social pela USP e Coordenador geral do CESEEP
Edson Silva – Mestre em Serviço Social pela PUC-SP e Presidente da CLASP
Local: Faculdade de Direiro do ABC – Rua Java, 425 – Jardim Caminho do Mar – São Bernardo do Campo-SP
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DIA 07 a partir das 20Hs
20ª. HOMENAGEM À IEMANJA
TRAJE branco OBRIGATÓRIO
Realização: A.U.E.E.S.P.
Local: Av. Presidente Castelo Branco, 11642 – Balneário Maracanã – Praia Grande-SP
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DIA 08 das 09 às 11H
REUNIÃO DE FORMAÇÃO DO GAPAD – Grupo de Articulação das Pastorais Afro da Diocese de São Miguel Paulista
Local: PARÓQUIA DE CRISTO RESSUSCITADO
Av. Campanela, 871 – Cidade AE Carvalho – São Paulo-SP
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DIA 08 às 13Hs
ENCONTRO com amig@s da NEGA Rozina de Jesus – Assessora do mandato da Deputada Estadual Leci Brandão- , para comemorar e celebrar o encerramento de 2019 e experenciar 2020
LOCAL: Casa dos Veteranos Paulistas – Rua Marambaia, 802 – Casa Verde – São Paulo-SP 
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DIA 10 às 19Hs
RODA DE CONVERSA PARA AVALIAÇÃO DO ANO DE 2019
Realização: PASTORAL AFRO-BRASILEIRA DA ARQUIDIOCESE DE RIBEIRÃO PRETO-SP –
Local: Centro Arquidiocesano de Pastoral – Rua Tibiriçá, 899 – CENTRO – Ribeirão Preto-SP 
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DIA 12 às 15H30
MULHERAGENS PERIFÉRICAS
Partilha e Celebração dos Fazeres de Mulheres PeriféricasNosso território é rico em diversas ações que são feitas por mulheres, com mulheres e para mulheres. Encerrando o ciclo de trabalho do Casa Lab, convidamos a todas a celebrar conosco e partilhar seus fazeres para fortalecer redes comunitárias feministas e femininas da Zona Sul. Cantos, danças, poesias e outras formas de expressão são bem-vindos!
Encerraremos a celebração com o grupo Samba Delas.
Local: Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo – CDHEP – Rua Luiz da Fonseca Gavão, 180 – Campo Limpo-SP
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DIA 15 às 12Hs
DIA NACIONAL DO FORRÓ na Paulista
O Coletivo SP forró convida a todos para um grande cortejo em homenagem ao Dia Nacional do Forró (LUIZ GONZAGA) na Avenida Paulista. 13 de dezembro, comemoram-se em todo país o Dia Nacional do Forró. A data é uma homenagem ao dia do nascimento do maior sanfoneiro que o Brasil conheceu – Luiz Gonzaga.
Tragam seus instrumentos, a sua voz, a sua dança e vamos juntos homenagear os Nordestinos em São Paulo.
Foi instituído pela Lei nº 11.176, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de setembro de 2005, e que teve origem no Projeto de Lei nº 4265/2001, de autoria da deputada federal Luiza Erundina.
Apoio: IOV, Forró dos Amigos, Forró dos Ratos, Nordestinos Paulistanos, Espalha Brasa, Aconteceu no Forró, TV Forró, Forrozeiro Nato.
Siga: https://www.instagram.com/sp_forro/?hl=pt-br
Confira a programação completa em: www.spforro.com

Local: Vão Livre do MASP – Av. Paulista – São Paulo-SP
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Dia 15 às 11H
MISSA SOLENE EM AÇÃO DE GRAÇAS PARA SÃO BENEDITO
Realização: Irmandade de São Benedito da Praia Grande e São Paulo
Local: Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia
Largo de Santa Ifigênia s/n° – Centro – São Paulo/SP. ##########################################

DIA 17 às 19H30
CELEBRANDO 10 ANOS DA PÁSCOA DO PE. TONINHO
Realização: Pastoral Afro Achiropita; GRENI; IMA; INPOB; Mandato do Vereador REIS; FAMÍLIA ORIONITA
Local: Paróquia de Nossa Senhora Achiropita – Rua 13 de maio, 478 – Bela Vista-Bixiga – São Paulo-SP
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A imagem ao lado é uma das obras que farão parte da exposição A Poética da Imagem, retrospectiva sobre a vida e obra do artista Loio Pérsio, que ocupará o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, de 19 de novembro de 2019 a 16 de fevereiro de 2020. A tela Retrato dos 20 aos 50 anos de Abdias usa tinta calcária sobre madeira, tem a dimensão de 49 x 49 cm e foi pintada em 1968, no Rio de Janeiro.

SERVIÇO
Exposição Poética da Imagem
de 29/11/2019 a 16/02/2020
terça a sexta-feira, das 12h às 18h
finais de semanas e feriados, das 12h às 18h
Paço Imperial – Praça XV de Novembro, 48 – Centro – RJ

O que Não Cabe em 500 Anos tem edição especial na Casa Amarela, no Morro Providência 

A aula-exposição O que Não Cabe em 500 Anos: Outra História dos Povos Africanos, uma atividade ao ar livre, com acesso gratuito, ganha edição especial no dia 20 de novembro de 2019 (quarta-feira), quando se comemora o Dia da Consciência Negra. O local escolhido é o alto do Morro da Providência, na praça em frente à Casa Amarela Providência, que sediará a atividade como parte da 6º edição do Festival Ginga, das 14h30 às 17h. Para saber como chegar ao local, veja a programação abaixo. 

O evento é promovido pelo IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros e pelo Partiu! – Plano de Arte e Intervenção Urbana, em parceria com a Casa Amarela Providência. A atividade tem como ponto de partida a Linha do Tempo dos Povos Africanos, pesquisa desenvolvida pela PhD. Elisa Larkin Nascimento, do IPEAFRO, que remonta o quebra-cabeça da história autêntica da África, dos africanos e seus descendentes em todos os continentes, desde o berço da humanidade até os dias atuais. 

Participam do encontro o artista urbano Cazé Arte, o escritor e poeta Milsoul Santos, a poeta, rapper e jornalista Carmen Kemoly e as professoras doutoras Mônica Lima (Instituto de História/UFRJ) e Elisa Larkin Nascimento (IPEAFRO). O público poderá participar da aula fazendo perguntas. 

PROGRAMAÇÃO 
Local: Casa Amarela / Morro da Providência
Endereço:  Ladeira do Barroso, n° 229 – Largo do Cruzeiro’
Acesso de transporte público: ao chegar à Central do Brasil tem disponível Kombi (na Rua Senador Pompeu) e o serviço de Moto-Taxi (esquina da Rua Bento Ribeiro com a Rua Barão de São Felix, em frente ao posto de Gasolina), descer na Praça Américo Brum (Morro da Providência). A Casa Amarela se localiza no topo da escadaria. 

Em caso de chuva a aula será cancelada
14h45 – Intervenção poética: Carmen Kemoly e Milsol Santos
15h – Aula-exposição com professoras doutoras Elisa Larkin Nascimento e Mônica Lima (primeiro tempo)
15h45 – Intervenção poética: Carmen Kemoly e Milsol Santos
16h – Aula-exposição com professoras doutoras Elisa Larkin Nascimento e Mônica Lima (segundo tempo)
16h45 – Intervenção poética e encerramento: Carmen Kemoly e Milsol Santos

ARTISTAS E PALESTRANTES

Carmen Kemoly, poeta, rapper e jornalista
Milsoul Santos, poeta, escritor e responsável pela dinâmica cultural do IPEAFRO. Autor dos livros Amor sem Miséria e Pássaro Preto 
Cazé Arte, artista urbano, formado em design, com especialização em caráter design. Seu trabalho mais recente foi o mural retratando Amílcar Cabral na capital de Guiné-Bissau  
Profa. Dra. Mônica Lima (Instituto de História/UFRJ), especialista em História da África e dos Africanos no Brasil, coordenadora do Laboratório de Estudos da África da UFRJ e integrante da equipe que preparou o dossiê que fundamentou a candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade, aprovada pela UNESCO
Profa. Dra. Elisa Larkin Nascimento (IPEAFRO), autora da Linha do Tempo dos Povos Africanos e do respectivo Suplemento Didático e organizadora dos livros da coleção Sankofa, volumes 1 a 4 e o livro Adinkra, sabedoria em símbolos africanos 

PARCEIROS
Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO)
Plano de Arte e Intervenção Urbana (Partiu)  
Casa Amarela Providência

SOBRE O IPEAFRO
O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros, no Rio de Janeiro, atua na recuperação da história e dos valores culturais negros, no sentido de assegurar o respeito à identidade, integridade e dignidade étnica e humana da população afro-brasileira. Trabalha com fóruns, cursos, pesquisas, exposições, publicações, memória e patrimônio

SOBRE O PARTIU
O Partiu! – Plano de Arte e Intervenção Urbana promove intervenções culturais e sociais na Zona Portuária do Rio, tendo os ODS como diretrizes. O objetivo é  promover conscientização e valorização do entorno, quebrar paradigmas e auxiliar na reurbanização dessa região da cidade

SOBRE A CASA AMARELA
A Casa Amarela da Providência é um centro comunitário que procura reduzir o abismo educacional que prejudica crianças e jovens do Morro da Providência, assim como muitas outras áreas carentes da cidade

MAIS INFORMAÇÕES 
Julio Menezes Silva | redes@ipeafro.org.br | +55 21 2509.2176
Duda Mattar |  oprojetopartiu@gmail.com | + 55 21 98151-1580