Ipeafro digitaliza acervo histórico de Abdias Nascimento para preservação da memória negra com apoio internacional

Esta publicação foi realizada pelo Ipeafro, com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)

Rio de Janeiro – O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) deu um importante passo na preservação da memória, legado e patrimônio afro-brasileiro ao digitalizar um extenso acervo histórico. Foram processadas 12 mil imagens, extraídas de 15 microfilmes, além de centenas de minutos de conteúdo audiovisual, provenientes de 51 fitas mini-DV. Parte desse material é inédito e documenta a atuação de pessoas e organizações da sociedade brasileira nas últimas décadas, com ênfase na luta antirracista e na valorização da cultura negra.

A iniciativa contou com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), por meio da Convocatória 2024. “A contemplação do nosso projeto no edital do Iberarquivos reforça a missão do Instituto de preservar a memória negra e evidencia o reconhecimento, por entidades arquivísticas nacionais e internacionais, do Ipeafro como guardião de um acervo de relevância para o Brasil e para os países integrantes do programa”, afirma Clícea Maria Miranda, diretora de Gestão do Acervo do Ipeafro.

A difusão do acervo digitalizado começará em janeiro de 2026, no site e nas redes sociais do Ipeafro. Uma prévia desse conteúdo já está acessível: as entrevistas de Abdias Nascimento no YouTube. O projeto também gerou um resultado imediato: em breve, o Ipeafro passará a integrar a Rede de Memória Virtual Brasileira da Biblioteca Nacional, um portal agregador de conteúdos digitais pertencentes a instituições de guarda de acervos distribuídas pelo país. 

Abaixo é possível acessar uma parte dos documentos disponibilizados ao público, bem como acessar vídeos que foram digitalizados de mini-dv – uma fita cassete digital compacta usada em filmadoras para vídeo digital.

GALERIA DIGITAL: 12 IMAGENS DA “ATUAÇÃO POLÍTICA” COM CONTEXTO HISTÓRICO RESUMIDO

Seção Atuação Política

Em 1991, ao assumir a vaga de Darcy Ribeiro no Senado Federal, Abdias Nascimento despertou amplo interesse da imprensa nacional, que dedicou cobertura significativa ao fato. Na ocasião, foi considerado o primeiro senador negro do país. Contudo, em seu discurso de posse, Nascimento fez questão lembrar a memória histórica, listando outros parlamentares negros que já haviam integrado o Senado antes dele. O que verdadeiramente o distinguiu foi ter colocado a questão racial no centro de sua atuação parlamentar, transformando-a em eixo fundamental de suas proposições e debates. 

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Muito antes de a política de cotas se tornar Lei, no início do século 21, Abdias Nascimento e a coletividade negra já reivindicavam ações afirmativas voltadas à reparação da escravidão no Brasil — um sistema que historicamente empurrou pessoas negras para fora dos espaços de decisão que moldaram o país. Retomando a sua proposta de políticas afirmativas antirracistas, apresentada à Câmara dos Deputados em 1983, o senador Abdias Nascimento propôs cotas raciais no mercado de trabalho e no serviço público com recorte de gênero. Tendo como referência o dado oficial daquele momento de que 42,4% da população brasileira seria de cor preta ou parda, Abdias Nascimento definiu a cota de 20% para homens negros e mais 20% para mulheres negras. O projeto de lei incluiu programas de aprendizagem, treinamento e aperfeiçoamento técnico capazes de garantir a formação de profissionais em todas as áreas.

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Entre 3 e 23 de junho de 1998, o Senador Abdias Nascimento exibiu sua produção intelectual no Salão Negro do Senado Federal, com 53 pinturas e 40 textos de sua autoria. Em 2 de julho, um dia antes da abertura, a Agência Senado divulgou uma notícia sobre a “Mostra Cultural Afro-Brasileira”, reunindo obras que retratam orixás, entidades mitológicas egípcias e imagens do vodu haitiano. O professor Muniz Sodré, já à época ligado à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ), comentou sobre a pintura de Abdias: “Seus quadros podem ser entendidos como movimento de obrigação ritualística, mas também como signos artísticos de uma busca ontológica a que o impele sua condição de negro consciente da diáspora escrava”.

No dia da abertura, o colunista Ricardo Boechat publicou outra nota, veiculada em vários jornais do país, sob o título “Efeito Viagra”. Ali, anunciava “polêmica à vista”, dando ênfase ao falo ereto de uma das pinturas apresentadas na mostra, a obra “Xangô Crucificado ou O Martírio de Malcolm”, da série que remete à tradição dos orixás, que mostra um homem negro pendurado numa cruz e remete ao tema do Cristo Negro – que Abdias Nascimento, no contexto de realizações do Teatro Experimental do Negro, explorava desde os anos 1950. Na vernissage, contam as reportagens, Abdias tentava explicar o contexto — o falo associado ao poder e à força, às tradições. Mas a nota de Boechat já havia direcionado a narrativa, pautando a imprensa presente. Nos dias seguintes, matérias foram publicadas em torno da polêmica, sendo uma das mais emblemáticas uma nota publicada na Revista Veja em 10 de junho de 1998, sob o título: “Xangô Assusta o Congresso”.

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GALERIA DE VÍDEOS:  TRECHOS DO ACERVO AUDIOVISUAL IPEAFRO DISPONIBILIZADOS NO YOUTUBE, COM SEUS CONTEXTOS HISTÓRICO RESUMIDOS NA DESCRIÇÃO DA LEGENDA

  1. Publicado no Youtube em 08/12/2025.
    Link: https://www.youtube.com/watch?v=mSQLONoey4Y
    Título: A 1ª Secretaria de Promoção da População Afro-Brasileira: a gestão de Abdias Nascimento
    Legenda: Em abril de 1991, Abdias Nascimento fez história ao assumir a primeira Secretaria de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras no Brasil, no Rio de Janeiro. Sua ação foi imediata: criou um serviço pioneiro para registrar denúncias e acolher vítimas de discriminação racial. Em pouco mais de um ano, 57 casos foram atendidos pela assessoria jurídica. Este foi um marco na luta institucional contra o racismo no Brasil. O vídeo traz uma das inúmeras entrevistas concedidas pelo secretário Abdias Nascimento à imprensa, comentando questões relacionadas a sua gestão à frente da secretaria.
  2. Publicado no youtube em 10/12/2025.
    Link: https://www.youtube.com/watch?v=XIWbo4qHSV8  
    Título: Mãe Beata discursa durante  7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa)
    Legenda: Fala de abertura de Mãe Beata Mae Beata de Yemanjá durante a mesa As obras e a influência de Abdias Nascimento, realizada durante o 7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa), realizado na Pontifícia Universidade Católica (PUC – Rio), entre os dias 9 – 12 de junho de 2004. Organizada por J. Michael Turner, Hunter College, a mesa que celebrou a vida e a obra de Abdias Nascimento – naquele momento com 90 anos – foi realizada em 10 de junho, com participação de Ubiratan Castro de Araújo, Kabengele Munanga, Sueli Carneiro e João Luis Duboc Pinaud. Ainda como parte do Congresso, o Ipeafro realizou a exposição Abdias 90 Anos, uma Mini-Mostra, no Solar Grandjean de Montigny, também na PUC-Rio – cuja a vernissage pode ser vista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=0EdlolXKesM.  
  3. Publicado no youtube em 08/12/2025.
    Link: https://www.youtube.com/watch?v=RuRo6VsPHCw 
    Título: Museógrafo Afonso Drummond comenta a exposição “Abdias Nascimento 90 anos: Memória Viva” (2004)
    Legenda: Em 2004, o Ipeafro, com apoio do Arquivo Nacional e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e patrocínio da Petrobras, celebrou os 90 anos de vida de Abdias Nascimento com a realização da exposição “Abdias Nascimento 90 anos: Memória Viva”, na sede do Arquivo Nacional no Rio. Com curadoria de Elisa Larkin Nascimento e projeto museográfico de Afonso Drumond, a mostra ocupou 700 m² com mais de 420 peças do acervo Ipeafro, incluindo obras do artista, dos artistas da coleção Museu de Arte Negra e documentos do Teatro Experimental do Negro. O sucesso foi tamanho que a temporada foi prorrogada duas vezes, com intensa visitação escolar, antes de seguir para Brasília e Salvador. Este vídeo traz comentários de Afonso Drummond no contexto expositivo. 
  4. Publicado no Youtube em 10/12/2025. Link: https://www.youtube.com/watch?v=Jf3xJBWBX88
    Título: Abdias Nascimento na Serra da Barriga: a voz do Memorial Zumbi pelo tombamento de Palmares (1983)
    Legenda:
    Trecho de documentário que registra uma das primeiras peregrinações organizadas pelo Memorial Zumbi à Serra da Barriga, em 1983. O pronunciamento de Abdias Nascimento fez parte de um dos atos públicos que o Memorial Zumbi promoveu em prol do tombamento das terras da República de Palmares, em Alagoas, conjunto de quilombos e centro de resistência à escravatura durante o período colonial no Brasil. O Memorial Zumbi, fundado em 1980, reunia intelectuais, organizações comunitárias e entidades do movimento negro de todo o Brasil, além de universidades e outros órgãos públicos tais como o Serviço Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN) e a Universidade Federal de Alagoas. A atuação sócio-política dessa organização e dos atores políticos que dela participavam desembocou na criação da Fundação Cultural Palmares, que em 1989 realizou a desapropriação das terras da Serra da Barriga. As peregrinações do Memorial Zumbi ajudaram a consolidar a proposta de comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra no dia 20 de novembro.
  5. Publicado no Youtube em 08/12/2025. Link: https://www.youtube.com/watch?v=0EdlolXKesM
    Título:
    Abertura da Mini-Mostra “Abdias 90 anos | Imagens raras da vernissage (PUC-Rio, 2004)
    Legenda: Este vídeo documenta a vernissage (abertura solene) da exposição “Abdias 90 Anos, uma Mini-Mostra”, um evento especial realizado durante o 7° Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa). O congresso ocorreu na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre os dias 9 e 12 de junho de 2004. A recepção aconteceu no histórico Solar Grandjean de Montigny, na PUC-Rio, e celebrou os 90 anos do professor, artista, escritor, político e ativista pan-africanista Abdias Nascimento. As imagens capturam a atmosfera íntima e significativa dos bastidores do evento, registrando a presença e o convívio de personalidades fundamentais na luta pela igualdade racial, nas artes, na academia e no movimento social brasileiro. Além do próprio homenageado, Abdias Nascimento, é possível identificar no vídeo a presença de figuras marcantes como: Léa Garcia, atriz; Carlos Alberto Medeiros, jornalista; Ele Semog, poeta, escritor; Humberto Adami, advogado; Afonso Drummond, museógrafo da mostra; Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias e curadora da mostra; Lia Vieira, escritora e economista; Julio Cézar Tavares, antropólogo e professor; entre outras. 
  6. Publicado no youtube em 08/12/2025.
    Link: https://www.youtube.com/watch?v=x9xxhjBQHhk
    Título:
    Abdias Nascimento fala sobre a sua experiência lecionando nos Estados Unidos (1970)
    Legenda: Esta entrevista histórica, filmada em 1970, captura Abdias Nascimento em um momento-chave de sua projeção intelectual internacional. Realizada pela agência cultural dos Estados Unidos na Universidade Wesleyan, em Connecticut, o registro documenta sua atuação como Professor Visitante e Fellow do seminário “A Humanidade em Revolta”. Na ocasião, ele dialogou e debateu com grandes intelectuais da época — como o arquiteto Buckminster Fuller, o compositor John Cage e o filósofo Herbert Marcuse — inserindo a luta e o pensamento negro brasileiro no centro do debate acadêmico ocidental de vanguarda. As imagens e a entrevista constituem um testemunho audiovisual raro de sua inserção em um fórum tão relevante. Um detalhe singular: o casaco de tapeçaria usado por Abdias Nascimento durante a gravação foi criado pela artista Iara Rosa em 1968, quando ele se preparava para viajar aos Estados Unidos para um intercâmbio cultural, que se estendeu em um período de autoexílio devido à intensificação da ditadura militar brasileira, especialmente após a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Até hoje, essa peça integra a coleção museológica do acervo do Abdias Nascimento | Ipeafro.
  7. Publicado no Youtube em 15/12/2025.
    Link: https://www.youtube.com/watch?v=64OSRu8FWG4
    Título: Palmares como modelo: Abdias Nascimento e a lição para o futuro do Brasil (anos 1980)
    Legenda: Abdias Nascimento defende que o futuro do Brasil pode aprender com o passado. Neste trecho, ele analisa a formação histórica dos quilombos e destaca o Quilombo dos Palmares como um modelo inspirador de organização social e econômica. Para Abdias, Palmares foi mais do que um refúgio: foi uma sociedade que propunha uma divisão mais igualitária das riquezas produzidas coletivamente — um contraponto direto ao sistema escravocrata. As entrevistas foram gravadas nos anos 1980, um período especial na retomada da memória negra, quando Abdias e diversas pessoas e movimentos faziam peregrinações à Serra da Barriga, em Alagoas, local que abrigou o quilombo. Sua fala é um chamado à reflexão: “O Brasil, se realmente quer implantar um regime democrático, igualitário e fraterno, tem que primeiro aprender com a lição de Palmares”.
  8. Publicado no Youtube em 18/12/2025.
    Link: 
    https://www.youtube.com/watch?v=JUMoIkCinL0 
    Título: Jurema Werneck discursa na premiação de Abdias Nascimento pela ONU | SESC Flamengo (2003)
    Legenda: Discurso de Jurema Werneck, no dia 26 de novembro de 2003, no SESC Flamengo, no Rio de Janeiro, em cerimônia em que o ativista, escritor e artista Abdias Nascimento foi agraciado com o Prêmio Comemorativo das Organizações das Nações Unidas (ONU) por Serviços Relevantes em Direitos Humanos. Uma homenagem da ONU a uma vida inteira dedicada à luta contra o racismo e em defesa da população negra no Brasil e no mundo.

Esta publicação foi realizada pelo Ipeafro, com apoio financeiro dos países membros do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).

Sobre o Ipeafro
Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou – Teatro Experimental do Negro e o Museu de Arte Negra – para a permanência de memória e resistência. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e de obras doadas ao Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. O acervo documental do Ipeafro reúne a iconografia, os registros audiovisuais e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, etc) produzidos e recebidos por Abdias Nascimento e pelas organizações que ele fundou.

 

Exposição “Memória Negra em Cartaz(es)” revela a luta por direitos fundamentais através de cartazes históricos criados pelos movimentos negros

Concebida pelo Ipeafro, a mostra celebra um acordo inédito com o MAST que viabilizou a digitalização de 250 documentos históricos

Crédito das imagens: Zezzynho Andrade

A partir de discussões sobre legado, ancestralidade e futuro, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) firmam parceria inédita voltada à preservação e difusão da memória afro-brasileira. A primeira etapa do Acordo de Cooperação Técnica incluiu a digitalização de 250 cartazes históricos. Parte destes itens de acervo integra a exposição “Memória Negra em Cartaz(es)”, que reflete sobre as proposições de pessoas, organizações e coletivos da sociedade civil e do movimento negro, das quais Abdias Nascimento, cofundador do Ipeafro, tornou-se um de seus principais porta-vozes.

Dentre esses momentos históricos, destacam-se os cartazes de divulgação do curso de extensão “Sankofa: Conscientização da Cultura Afro-Brasileira”, realizado entre 1985 e 1995 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com a colaboração de autores como Nei Lopes, Lélia Gonzalez, Muniz Sodré, Helena Theodoro, Abdias Nascimento, Elisa Larkin Nascimento, entre outros, a iniciativa do Ipeafro pavimentou debates acadêmicos fundamentais que contribuíram para a UERJ ser uma das pioneiras na adoção das cotas raciais como política afirmativa.

“A parceria com o MAST, uma instituição pública da área da ciência e tecnologia, revela o reconhecimento da atuação dos povos negros na construção da cultura, da história e das ciências no Brasil e no mundo. A iniciativa demonstra ainda o compromisso com a defesa da memória negra através de sua preservação e com a produção de uma narrativa de luta por direitos e cidadania”, explica Clícea Maria Miranda, diretora de Preservação e Gestão do Acervo Ipeafro

Um dos espaços da exposição. Crédito: Zezzynho Andrade

Outro marco histórico foram as primeiras peregrinações à Serra da Barriga, local histórico da luta contra a escravização dos quilombos que compuseram a República de Palmares, em União dos Palmares (AL). A arte criada para esses cartazes pelo artista visual Jota Cunha em 1981 e 1983, rememora a formação do Memorial Zumbi, movimento crucial que articulou lideranças negras nacionais, levou centenas de pessoas à Serra e abriu caminho para a consolidação do 20 de Novembro como data simbólica pela conscientização da luta pela melhoria de vida das populações afro-brasileiras. O Memorial Zumbi e suas peregrinações foram essenciais para a criação da Fundação Cultural Palmares, elevando a causa quilombola, por exemplo, ao patamar de política de Estado.

 

“A parceria é importante por focar na preservação do acervo de Abdias Nascimento, um símbolo das lutas pela igualdade, mas também por colocar o MAST como referência na captação e tratamento de arquivos pessoais de cientistas negros, compromisso que a instituição assumiu no seu planejamento plurianual e vem tendo dificuldade em acessar, seja pela pouca visibilidade alcançada ou pelo baixo número de ocupação de cargos desse grupo em espaços de ciência”, diz Everaldo Pereira Frade, chefe do Serviço de Arquivo de História da Ciência (SEAHC-MAST).

As iniciativas reforçam a urgência de ações voltadas à preservação da memória, especialmente de grupos historicamente marginalizados e excluídos dos espaços de decisão. Ao unir esforços, MAST e Ipeafro garantem que esse patrimônio siga vivo, inspirando pesquisas, reflexões e práticas sociais comprometidas com a valorização da cultura negra.

SERVIÇO
Exposição: “Memória Negra em Cartaz(es), concebida pelo Ipeafro
Local: Museu de Astronomia (MAST) – São Cristóvão, Rio de Janeiro.
Período expositivo: De 17 de novembro de 2025 a 31 de janeiro de 2026.
Entrada: gratuita.

HORÁRIOS
Terça a quinta-feira: das 8h30 às 17h.
Sábados: das 14h às 20h.
Feriados: das 14h às 18h.
Toda 3ª quarta-feira do mês: das 8h30 às 20h.

Sobre o Ipeafro
Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento para a permanência de memória e resistência. Esse trabalho embasa as ações educativas e culturais promovidas pelo Ipeafro como forma de enfrentamento ao racismo. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e de obras doadas para a o projeto Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. O acervo documental do Ipeafro reúne a iconografia, os registros audiovisuais e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, e assim por diante) produzidos e recebidos por Abdias Nascimento e pelas organizações que ele criou.

Sobre Abdias Nascimento*
Abdias Nascimento (1914-2011), poeta, dramaturgo, artista plástico e ativista panafricano, foi deputado federal, senador da República e Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (EUA). Como parlamentar, ele foi autor das primeiras propostas ao Estado brasileiro de políticas públicas de combate ao racismo (1983). É autor do conceito político-cultural do Quilombismo. Fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944. Organizou em 1950 o 1o Congresso do Negro Brasileiro, que propôs a criação de um Museu de Arte Negra. Curador do projeto de 1950 até 1968, quando realizou sua exposição inaugural, ele continuou o trabalho no exílio (1968-1981), onde desenvolveu sua própria pintura e exibiu em museus, galerias e universidades dos Estados Unidos. Na volta ao Brasil, fundou o Ipeafro.

Sobre o MAST
O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e tem como missão realizar pesquisas e formar especialistas nas áreas de história da ciência e da tecnologia, museologia, educação em ciências e conservação de acervos; preservar o patrimônio sob sua guarda; e ampliar o acesso da sociedade brasileira aos conhecimentos, às práticas e à cultura científica.

O museu mantém sob sua guarda um importante e estratégico acervo de ciência e tecnologia, que reúne fundos arquivísticos de cientistas brasileiros, instrumentos científicos, máquinas, equipamentos, mobiliário e esculturas, totalizando mais de dois mil objetos representativos do Patrimônio Científico do Brasil. Atualmente, o MAST é estruturado em cinco áreas finalísticas: História da Ciência e Tecnologia; Museologia; Documentação e Arquivo; e Educação em Ciências, áreas que caracterizam quatro coordenações finalísticas do museu. A partir delas, a instituição coordena projetos de pesquisas, desenvolve ações de ensino stricto sensu e lato sensu e apresenta regularmente ao público exposições e atividades planejadas, como oficinas, palestras, visitas orientadas e as tradicionais observações do sol e do céu.

Programação especial no Theatro Municipal do Rio e no Muhcab celebra os 80 do Teatro Experimental do Negro (TEN)


Os eventos nos dias 11 e 13 de outubro contarão com o lançamento da nova edição do livro “Dramas para Negros e Prólogo para Brancos”, de Abdias Nascimento, e sessões especiais do filme “Ecos do Teatro Experimental do Negro”, de Daniel Solá Santiago

Em 1945, pela primeira vez, atores negros pisaram enquanto protagonistas no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um marco histórico possibilitado pelo Teatro Experimental do Negro (TEN). A companhia teatral foi pioneira na luta pela inclusão de artistas negros nos espaços culturais mais prestigiados do Brasil. O grupo revelou talentos como Ruth de Souza, Léa Garcia, Grande Otelo e Milton Gonçalves, abrindo caminho para gerações de artistas negros no teatro, cinema e televisão. Fundado em 13 de outubro de 1944 por Abdias Nascimento, José Herbal, Theodorico dos Santos, Aguinaldo Camargo e Wilson Tibério no Café Vermelhinho, na Cinelândia, no Rio de Janeiro, o grupo teve desde o início ampla visibilidade. O jornal O Radical de 14 de outubro de 1944 registrou o fato histórico, informando que ao grupo inicial se juntaram Arinda Serafim, Ruth de Souza, Claudiano Filho, Oscar Araújo, José da Silva, Antonieta, Antonio Barbosa e Natalino Dionísio, entre muitos outros.  

Para celebrar os 80 anos do TEN, o Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros), a DSS Produções e Temporal Editora levarão novamente ao Theatro Municipal o espírito da cultura e da arte que impulsionaram aqueles pioneiros e pioneiras  a criar um dos movimentos cênicos mais importantes do país. Na sexta-feira, 11 de outubro de 2024, a Sala Mário Tavares do Theatro Municipal do Rio de Janeiro receberá o lançamento da primeira reedição de Dramas para Negros e Prólogo para Brancos (Temporal Editora | Ipeafro), uma obra que desde 1961 se mantém como referência ao tratar das questões raciais no Brasil por meio da dramaturgia. Esta nova edição inclui as nove peças da antologia original, entre elas O filho pródigo, de Lúcio Cardoso, Sortilégio, mistério negro, de Abdias Nascimento – em sua primeira versão – e Anjo negro, de Nelson Rodrigues, além de textos inéditos que destacam a relevância histórica e atual do TEN.

No mesmo dia, haverá uma exibição especial do filme Ecos do Teatro Experimental do Negro, dirigido por Daniel Solá Santiago. O documentário explora as encenações marcantes do TEN e seu impacto transformador na valorização da cultura negra no Brasil, trazendo depoimentos inéditos de grandes artistas como Bibi Ferreira, Lázaro Ramos, Léa Garcia e Aílton Graça. A obra destaca o histórico momento em que atores negros, pela primeira vez, subiram ao palco do Theatro Municipal, com a montagem de O Imperador Jones em 1945.

No domingo, 13 de outubro, a programação se desloca para o Muhcab (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira), com mais uma exibição especial do filme, seguida de uma roda de conversa. Além disso, o público presente também poderá participar do lançamento oficial da nova edição do livro, que será acompanhado por conversas sobre o legado do TEN e a luta contra o racismo nas artes cênicas. O evento terá participação da DJ Bieta.

O documentário Ecos do Teatro Experimental do Negro e a nova edição de Dramas para Negros e Prólogo para Brancos são marcos importantes que integram o Biênio Abdias Nascimento, um conjunto de ações celebrando o 110º aniversário de Abdias e os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN) em 2024. Em 2025, serão celebrados os 80 anos da estreia do TEN, os 75 anos do 1° Congresso do Negro Brasileiro e os 70 anos do Concurso do Cristo Negro, parte das ações do Museu de Arte Negra.

SERVIÇO

Eventos de celebração dos 80 anos do Teatro Experimental do Negro
Realização: Ipeafro, DSS Produções e Temporal Editora
1)     Local: Sala Mário Tavares | Theatro Municipal do Rio
Data:
11 de outubro de 2024 (sexta-feira)
Endereço: Av. Alm. Barroso, 14/16 – Centro, Rio de Janeiro – RJ – próximo a estação Carioca do Metrô
Entrada: Gratuita.
A sessão do filme é 150 pessoas, sujeito a lotação. Esta atividade requer inscrição prévia via formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScrrxfQTiIUa3a8-LSZI5cPdkTOg95XoTOnbVQrLO7PH1qzKw/viewform?usp=sf_link
Programação:
15h | Abertura e coquetel de lançamento do livro “Dramas para Negros e Prólogo para Brancos”, de Abdias Nascimento
16h | Exibição especial do filme “Ecos do Teatro Experimental do Negro”
18h30 | Debate
19h30 | Coquetel e confraternização                                                                                                                               
20h30 | Encerramento  
2)     Local: Muhcab – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira
Data:
13 de outubro de 2024
Endereço:
R. Pedro Ernesto, 80 – Gamboa, Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita. Basta se apresentar na porta do museu
Programação:
13h30 | Abertura com lançamento do livro “Dramas para Negros e Prólogo para Brancos”. Coquetel e apresentação da DJ Bieta
14h30 | Exibição especial do filme “Ecos do Teatro Experimental do Negro”
16h45 | Roda de conversa
18h | Coquetel e apresentação da DJ Bieta
19h | Encerramento

Sobre Abdias Nascimento (1914 – 2011)
Poeta, dramaturgo, artista visual e ativista pan-africano, foi deputado federal, senador da República e Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (EUA). Fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944. Organizou em 1950 o 1o Congresso do Negro Brasileiro, que decidiu pela necessidade de se criar um Museu de Arte Negra. Abdias atuou como curador do projeto de 1950 até 1968. No exílio durante o período do regime autoritário, ele continuou colecionando obras doadas à coleção por artistas africanos e da diáspora, fazendo contatos com artistas e conceituando o que seria um Museu de Arte Negra. A partir de 1968, ele desenvolveu seu próprio trabalho na pintura e exibiu em museus, galerias, centros culturais e universidades em todas as regiões dos Estados Unidos. Continuou pintando na volta ao Brasil, onde fundou o Ipeafro, que realizou exposições em museus e instituições culturais em Paris e em várias cidades do Brasil. A retrospectiva dos 90 anos de vida de Abdias ocupou todos os espaços expositivos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro em 2004-2005, seguindo para Brasília e Salvador em 2006. Sua individual marcou a agenda de 2019 no Museu de Arte Contemporânea de Niterói com seminário de curadores e artistas negrxs. Em 2020, sua individual no Festival Sonsbeek se realizou no Stedelijk Museu de Arte Contemporânea de Amsterdã, na Holanda. Em 2023, o conceito de Quilombismo desenvolvido por Abdias Nascimento foi o tema gerador da exposição inaugural da nova fase do Haus der Kulturen der Welt, instituição do Ministério da Cultura da Alemanha em Berlin. De 2021 a 2024, o legado de Abdias Nascimento e do Museu de Arte Negra ocuparam diversos espaços do Instituto Inhotim, em torno da exposição realizada em quatro atos na Galeria Mata. Em 2009, Abdias Nascimento foi oficialmente indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo conjunto de sua obra, e em 2024, seu nome foi inscrito no livro de Heróis e Heroínas da Pátria.

Sobre Daniel Solá Santiago
Documentarista e produtor audiovisual, participou da produção de diversos filmes do Cinema brasileiro e internacional: “Eles não usam black tie” (Leon Hirszman), “Pixote, a lei do mais fraco” (Hector Babenco), The Emerald Forest (John Boorman) entre outro. Produziu de inúmeras séries e peças comerciais e institucionais. Foi docente de Cinema na Escola Livre de Santo André e  associado à APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro e APACI. É diretor dos filmes documentários “Família Alcântara”, “Brasilândia”, “Vila Mariana”, “Maria Faz Anos”, “Coração do Brasil”, “Memória Possível”, “Filhos das Cotas “  e “Ecos do Teatro Experimental do Negro”. Desenvolve os projetos “Preto Laranja”, “Money Black Made In Brazil”, “Racismo Ambiental”, “Elza’s”, “Gia” e “Família Alcânta 20 Anos+”. Atualmente é membro honorário da Academia Brasileira de Cinema e conselheiro do Cinema da Universidade de São Paulo.  Foi reeleito presidente da APACI – Associação Paulista de Cineastas, para o triênio 2021/2023.

Sobre Ipeafro
Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981, o Ipeafro é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento para a permanência de memória e resistência. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e de obras doadas para o projeto Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. Oacervo documental do Ipeafro reúne a iconografia e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, etc.) de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou. O conteúdo do acervo possibilita ações com múltiplas expressões nos mais variados contextos. Com base no conteúdo do acervo, o Ipeafro desenvolve ações na área do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira através de exposições, fóruns, cursos, oficinas e publicações. O Ipeafro disponibiliza e difunde o conteúdo do acervo também por meio de seu site e outros canais na internet.

Sobre a Temporal Editora
Fundada em 2018, a Temporal nasceu a partir do projeto de trazer ao público brasileiro obras da dramaturgia contemporânea, tanto nacional como estrangeira, inéditas ou esgotadas no  país. Dada a amplitude do universo teatral, a Temporal também publica textos teóricos e críticos que ajudem a refletir sobre as obras ficcionais desse gênero.

Coluna Ipeafro no Pensar Africanamente discute Memória, Patrimônio e Reparação

A coluna do Ipeafro no Pensar Africanamente desta quinta-feira, 12/09, às 19h30, discute Acervos Negros: Memória, Pratrimônio e Reparação. Gestores de três acervos negros da sociedade civil, Ipeafro, Ilê Axé Oxum Apará (Rio de Janeiro) Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu) (Belo Horizonte) dialogam sobre as conquistas e desafios na gestão de acervos negros, a partir de suas experiências nas últimas décadas.

BIOGRAFIA E CONTATO DOS PARTICIPANTES

Clícea Maria Miranda é doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), graduada e mestra em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É co-gestora e coordenadora do setor de Pesquisa e Documentação do Ipeafro. Integra os GT’s Emancipações e Pós-abolição e Afro-Américas da Associação Nacional de História (ANPUH) e a Rede de Historiadorxs Negrxs (RHN).

Mauro Luiz da Silva (57) é Doutor e Mestre em Ciências Sociais, Psicopedagogo, Filósofo e Teólogo; Graduado em História e Tutela do Patrimônio Cultural; Pároco da Paróquia Santo Afonso, Capelão dos Reinados Negros e da Igreja das Santas Pretas, da Arquidiocese de BH; Curador do MUQUIFU – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos; Coordenador do Projeto de Pesquisa e Centro de Documentação NegriCidade; Organizador do Circuito “Caminhos do Rosário”; Membro do Comitê de Salvaguarda do Largo do Rosário.

 Oyabunmi Silvana Santana é Assistente Social e Pedagoga UNILAB.  Mestra em História da África pela UFRB , mestranda em Patrimônio,  Identidade e Cultura pela UFRRJ.  Guardiã Memorial Lélia Gonzalez e Coordenadora de Projetos do Ilê da Oxum Apará.

 

PERFORMANCE ARTÍSTICA

Milsoul Santos. É escritor, poeta, roteirista e autor dos livros Pássaro preto, Amor sem miséria e Segundo Grau Comparado: um livro de afetos especiais.

Atividades culturais celebram legado de Abdias Nascimento na Pequena África (RJ)

Exposição “Abdias Nascimento: Sujeito coletivo”, “Cine Jardim” ao ar livre e homenagem a Rubem Confete movimentam Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo em 20 de julho 

bdias Nascimento. Quilombismo (Exu e Ogun). Óleo sobre tela, 71 x 56 cm. Acervo Museu de Arte Negra | Ipeafro, Rio de Janeiro, Brasil, 1980.

Como parte das celebrações do *Biênio Abdias Nascimento (2024-2025), o Ipeafro, Cultne e Cena Portuária realizam uma série de atividades na região central do Rio de Janeiro, conhecida como Pequena África, um local histórico que recebeu o maior número de pessoas negras escravizadas na história da humanidade. No dia 20 de julho, às 16h, o salão principal do Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo receberá a exposição “Abdias Nascimento: sujeito coletivo”. A mostra apresentará réplicas das pinturas de Abdias em diálogo com dois painéis inéditos, criados coletivamente durante quatro edições da Oficina Criativa Abdias Nascimento, ministradas no local. A exposição ficará em cartaz até o dia 25 de agosto de 2024. Além da mostra física, no mesmo dia, uma experiência virtual em realidade aumentada será lançada nos perfis do Ipeafro (@ipeafro) e do Museu de Arte Negra (@museudeartenegra) no Instagram, que exploram as pinturas de Abdias com efeitos especiais. O link para acessar a experiência ficará disponível a partir do dia 20: https://www.instagram.com/ar/1855637081588217 

No mesmo dia 20 de julho, às 19h, o Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo sediará mais uma edição do Cine Jardim, sob a curadoria de Dom Filó. Esta edição exibirá documentários sobre a cultura negra, com destaque para o filme “Abdias Nascimento: Memória Negra”, dirigido por Antônio Olavo. Após a exibição, haverá um debate com Dom Filó, CEO e fundador da Cultne TV e Julio Menezes Silva,  jornalista e  co-gestor do Ipeafro. Os eventos são gratuitos, com direito a pipoca e churros. O projeto “Cine Jardim” ocorre mensalmente, no terceiro sábado do mês, com previsão de término em 21 de dezembro. Em sua terceira edição, o evento tem destacado os protagonismos de pessoas negras, LGBTQIAAPN+ e PcDs, e continuará oferecendo pipoca e churros gratuitamente.

Entre as presenças ilustres confirmadas estará uma em especial: Rubem Confete. Radialista carioca conhecido como o Griô do Samba, ele tem 87 anos dedicados à valorização da cultura negra atuando como compositor, jornalista e estudioso das questões afro-brasileiras. O salão principal do Casarão João Alabá será batizado no dia 20 de julho com o seu nome. Confete teve importância para o espaço, sendo um de seus principais incentivadores. Participam da homenagem Yago Feitosa, da Coordenadoria da Igualdade Racial do Município do Rio e Edson Santos, vereador e ex Ministro da Igualdade Racial.

As atividades contam com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, por meio de incentivo fiscal, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, com recursos da Lei Paulo Gustavo. Para um dos idealizadores, Thiago Viana, o filme sobre Abdias Nascimento “é um registro significativo que percorre diversos momentos da vida de Abdias e inclui depoimentos do próprio Abdias Nascimento. Além disso, traz diversos registros históricos relevantes a partir do acervo do Ipeafro, organização fundada por Abdias em 1981 e que dá seguimento a sua luta”, explica. Para Julio Menezes Silva, a consolidação do legado de Abdias Nascimento do museu pensado por ele é, acima de tudo, um ato de reparação:

“Há quase 75 anos, um grupo de intelectuais vislumbrou a criação de um espaço museológico que pudesse abrigar toda a diversidade artística sistematicamente e historicamente excluída das artes. Nós, do Ipeafro, cuja missão é difundir o legado e o acervo de Abdias Nascimento em múltiplas linguagens, vemos na realização da Ocupação Abdias no Casarão um ato de justiça para com aqueles que ousaram sonhar e plantar as sementes emancipatórias que colhemos na atualidade”, afirma Julio.

 

SERVIÇO | PROGRAMAÇÃO 

Ocupação Abdias no Casarão Cultural João Alabá no Jardim Suspenso do Valongo
Endereço: Rua Camerino s/n (em frente ao 48) – Centro do Rio
Data: 20 de julho (sábado)
Entrada: gratuita
Horários:
15h | abertura dos portões
– 16h | abertura da exposição Abdias Nascimento: Sujeito Coletivo
– 17h | homenagem ao Rubem Confete
– 19h | sessão do filme Abdias Nascimento: Memória Negra, de Antônio Olavo. Em seguida, debate com Dom Filó e Julio Menezes Silva. Para assistir ao filme do Cine Jardim, é preciso pegar gratuitamente o ingresso na plataforma virtual Sympla. Para isso, acesse o link:
https://www.sympla.com.br/evento/abdias-nascimento-memoria-negra-de-antonio-olavo/2534385
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, por meio de incentivo fiscal, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Realização: Ipeafro, Cultne, Casarão Cultural João Alabá e Cena Portuária

Sobre Abdias Nascimento (1914 – 2011)
Poeta, dramaturgo, artista plástico e ativista pan-africano, foi deputado federal, senador da República e Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York (EUA). Fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944. Organizou em 1950 o 1o Congresso do Negro Brasileiro, que decidiu pela necessidade de se criar um Museu de Arte Negra. Abdias atuou como curador do projeto de 1950 até 1968. No exílio durante o período do regime autoritário, ele continuou colecionando obras doadas à coleção por artistas africanos e da diáspora, colecionando contatos com artistas e formando um Museu de Arte Negra. A partir de 1968, ele desenvolveu seu próprio trabalho na pintura e exibiu em museus, galerias e universidades em todas as regiões dos Estados Unidos. Continuou pintando na volta ao Brasil, onde fundou o IPEAFRO, que realizou exposições em museus e instituições culturais em Paris e em várias cidades do Brasil. A retrospectiva de seus 90 anos de vida ocupou todos os espaços expositivos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro em 2004, seguindo para Brasília e Salvador em 2006. Sua individual marcou a agenda de 2019 no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói com seminário de curadores e artistas negrxs. Em 2020, sua individual no Festival Sonsbeek, agendada pelo Museu Krôller-Müller na Holanda, foi postergada em função da pandemia. De 2021 a 2024, o seu legado e do Museu de Arte Negra ocuparam diversos espaços do Instituto Inhotim. Em 2024, teve o nome inscrito no livro de Heróis e Heroínas da Pátria.

Sobre Casarão Cultural João Alabá
Em maio de 2022, após dois anos fechado devido à pandemia, o antigo edifício da Casa da Guarda foi transformado no Casarão Cultural João de Alabá, em homenagem ao babalorixá pioneiro do Candomblé no Rio de Janeiro. O espaço, localizado na Rua Barão de São Félix, nº 174, é um centro multicultural que promove a educação social, ambiental e patrimonial por meio da cultura e da arte. Lá, ocorrem exposições, passeios guiados, oficinas, cursos livres, peças teatrais, projetos musicais, lançamentos de livros, festas temáticas e cinema. O Casarão também abriga um café e uma loja de souvenirs, sendo gerido pelo Instituto Cena Portuária. Reconhecido como um Ponto de Memória pelo IBRAM, integra o Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana e apresenta uma exposição permanente do acervo da UNESCO sobre o Valongo.

Sobre Ipeafro
Fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento, em 1981, o Ipeafro é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro. Sua missão é preservar, gerir, articular e difundir o acervo de Abdias Nascimento para a permanência de memória e resistência. O acervo contém uma coleção museológica da própria produção artística de Nascimento e da coleção do projeto Museu de Arte Negra, que nasceu da atuação do Teatro Experimental do Negro, fundado e dirigido por Nascimento a partir de 1944. Seu acervo documental reúne a iconografia e os documentos de texto (recortes de jornais e revistas, programas teatrais, manuscritos, correspondências, registros de sua atuação parlamentar, etc.) dele e das organizações que ele criou. O conteúdo do acervo possibilita múltiplas expressões nos mais variados contextos. Com base no conteúdo do acervo, o Ipeafro desenvolve ações na área do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira através de exposições, fóruns, cursos, oficinas e publicações. O Ipeafro disponibiliza e difunde o conteúdo do acervo também por meio de seu site e outros canais na internet.

* Biênio Abdias Nascimento (2024 – 2025)
Em 2024, celebra-se o 110º aniversário de Abdias Nascimento e os 80 anos da fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN). Também em 2024, o nome de Abdias Nascimento foi inscrito no livro de Heróis e Heroínas da Pátria. O ano de 2025 marca os 80 anos da estreia do TEN no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 8 de maio de 1945; os 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro, realizado pelo TEN no Rio de Janeiro em 1950, quando foi lançada a proposta do Museu de Arte Negra; e os 70 anos do concurso de artes visuais sobre o tema do Cristo Negro, realizado pelo TEN como parte do projeto Museu de Arte Negra em 1955. O Biênio Abdias Nascimento 2024-2025 inclui uma série de atividades e eventos em torno dessas datas comemorativas, como lançamentos de livros, exposições, seminários e outras ações destinadas a articular, gerir, preservar e difundir o acervo e o legado de Abdias Nascimento em múltiplas linguagens.

Performance e lançamento de livro marcam presença do Ipeafro no 7º Fórum Negro de Arte e Cultura, em Salvador

Montagem de “Sortilégio” pela Cia. Teatral Abdias Nascimento, 2014. Direção: Ângelo Flávio Zuhalê. Foto: Murilo Oliveira

O Ipeafro e o 7º Fórum Negro de Arte e Cultura celebram o clássico do teatro negro brasileiro com o lançamento do livro “Sortilégio”, de Abdias Nascimento, e performance do premiado artista baiano Ângelo Flávio. 

Na próxima sexta-feira, 1º de dezembro, às 19h, no Teatro Experimental, localizado na Escola de Dança da UFBA – Universidade Federal da Bahia, Campus Ondina, o público soteropolitano poderá conferir uma performance inédita do premiado artista Ângelo Flávio para celebrar, dentro da programação do 7º Fórum Negro de Arte e Cultura da UFBA, o lançamento da edição atualizada da peça teatral Sortilégio, escrita por Abdias Nascimento (1914-2011). O evento é realizado em parceria com o IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros, fundado por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento em 1981.

Abdias Nascimento já foi descrito como o mais completo intelectual e homem de cultura do mundo africano do século XX. Poeta, escritor, dramaturgo, artista visual e ativista pan-africanista, ele fundou o Teatro Experimental do Negro e o projeto Museu de Arte Negra. Suas pinturas, largamente exibidas dentro e fora do Brasil, exploram o legado cultural africano no contexto do combate ao racismo. Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York, no campo político ele atuou como deputado federal, senador da República e secretário do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Após a performance, haverá um bate-papo com Ângelo Flávio, ator, diretor, dramaturgo, roteirista, apresentador, iluminador e repórter, artista polivalente, mestrando em Poéticas e Processos da Encenação pelo PPGAC/ UFBA e bacharel em Artes Cênicas pela Escola de Teatro / UFBA que recebe Elisa Larkin Nascimento, escritora e diretora do Ipeafro, doutora em Psicologia pela USP, e  Jessé Oliveira, fundador do Grupo Teatral Caixa-Preta, gestor cultural, encenador e doutorando em Artes Cênicas pelo PPGAC – UFRGS para uma conversa sobre a obra.

O lançamento visa propiciar que a obra de Abdias do Nascimento, atinja novos públicos, em especial, mais jovens, que poderão se apropriar do conceito inovador e visionário do grande intelectual, que nos deixa um legado de militância, ações e uma ampla produção artística, nas mais diversas linguagens. A performance e lançamento do livro tem o apoio da Katuka Africanidades e da Editora Perspectiva.

SERVIÇO

O quê: Performance com Ângelo Flávio, seguido de bate-papo com o artista, Elisa Larkin Nascimento e Jessé Oliveira + lançamento do livro SORTILÉGIO;
Quando: 1º/12/2023, às 19h.
Onde: Teatro Experimental- Escola de Dança da UFBA- Campus Ondina
Ingresso:  entrada franca, mediante a lotação do espaço

SORTILÉGIO
Incrível a atualidade desse clássico do teatro negro brasileiro. A cada vez que nos deparamos com um texto de Abdias Nascimento, salta aos olhos o frescor, a pertinência e a contundência de sua prosa ou poesia, de seus diálogos, de sua força, de sua capacidade como orador. Sortilégio escancara a brutalidade do racismo no Brasil, denuncia a farsa da democracia racial e ainda ilumina e se abre para uma poderosa cultura brasileira de matriz africana. Nesta edição do texto definitivo da peça, musicado por Nei Lopes, Elisa Larkin Nascimento escreve sobre as encruzilhadas e os diálogos que a obra provoca entre o masculino e feminino, o moderno e o contemporâneo. O gestor cultural Jessé Oliveira, diretor fundador do coletivo de teatro negro Caixa Preta, de Porto Alegre, traz à cena os realizadores atuais de teatro negro. Entrevistas com Léa Garcia, atriz protagonista da montagem de estreia em 1957, e Ângelo Flávio Zuhalê, diretor da montagem de 2014, centenário de Abdias Nascimento, situam o texto nas situações concretas de montagem: Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 1957, e Teatro Vila Velha, Salvador, 2014.

 

FICHA TÉCNICA
Autor: Abdias Nascimento
Apresentação e Prefácio: Elisa Larkin Nascimento
Participação: Léa Garcia, Jessé Oliveira e Ângelo Flávio Zuhalê
Assunto: Teatro / Dramaturgia
Coleção: Paralelos
Editora: Perspectiva
Formato: Brochura
Dimensões: 14 x 21 cm
160 páginas
ISBN 9786555051087
E-book: 9786555051094
Lançamento: 27/05/2022

7º FNAC
De 30 de novembro a 02 de dezembro de 2023, a cidade de Salvador sediará a 7ª edição do Fórum Negro de Arte e Cultura (FNAC) na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e no Teatro da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus I (Cabula), sob o tema “Sankofar: Artes, Memórias, Militâncias Negras e outras Poéticas”, este evento de caráter internacional celebrará a cultura negro-brasileira e a luta contra o racismo.  O FNAC 2023 reúne professores, pesquisadores, mestres e mestras da tradição, artistas, estudantes e membros da sociedade civil, todos engajados na luta antirracista dentro e fora das instituições acadêmicas. A programação deste ano é especial e incluirá uma série de atividades que celebram os sete anos de história do FNAC.

Mais informações acesse:
Site: https://www.even3.com.br/7fnac/
Contato: forumnegroarteecultura@gmail.com
Instagram: https://instagram.com/forumnegro?igshid=OGQ5ZDc2ODk2ZA==

 

IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros
O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) é uma associação sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro que exerce sua ação em quatro áreas: ensino, pesquisa, cultura e documentação. O Ipeafro cuida e faz a gestão do legado e do acervo documental, iconográfico e artístico de Abdias Nascimento e das organizações que ele criou, como o Teatro Experimental do Negro e o projeto Museu de Arte Negra. O acervo possibilita múltiplas expressões nos mais variados contextos. Esse trabalho dá sustento às atividades do Ipeafro na área do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira através de exposições, fóruns, cursos, performances e publicações. O conteúdo do acervo também é disponibilizado e difundido por meio de site e outros canais do Ipeafro na internet.

Site: https://ipeafro.org.br/
Contato: redes@ipeafro.org.br
Instagram: https://www.instagram.com/ipeafro/

III Encontro Nacional da Coalizão Negra por Direitos

Reforçando nossos compromissos políticos firmados com a sociedade brasileira, em especial com a população negra, realizaremos o III ENCONTRO NACIONAL DA COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS, nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2023, na cidade de Maceió/AL. O evento, com tema “Enquanto houver racismo, não haverá democracia: o Movimento Negro avança por Reparação e Bem Viver!”, contará com a presença de cerca de 200 militantes do movimento negro brasileiro filiados a Coalizão Negra por Direitos. 

Além das lideranças de todo o país, teremos também a presença de ativistas convidadas/os da América Latina, Estados Unidos da América e África do Sul, que contribuirão para pensarmos nossa luta contra o racismo e discriminação racial na diáspora internacional, visando o avanço da reparação e bem viver. 

O que pretende o encontro:

  • Refletir e avaliar os impactos dos trabalhos desenvolvidos pela Coalizão Negra  por Direitos nos últimos 4 (quatro) anos;
  • Apresentar para a sociedade as prioridades de atuação da agenda política da 
  • Coalizão Negra por Direitos para os próximos 2 (dois) anos com continuidade ao projeto de defesa da democracia, por futuro livre de racismo, e exigência de um profundo processo de reparação histórica ao nosso povo;

Sobre a Coalizão

A Coalizão Negra Por Direitos é uma articulação que reune 293 organizações, coletivos e entidades do movimento negro de todo o país. Fundada há quatro anos, celebra uma trajetória de muitas lutas e conquistas alinhadas ao compromisso de defender a democracia, na luta por uma sociedade sem racismo e com garantia de direito para toda população. 

A história exige da população negra brasileira e de toda a diáspora africana uma estratégia que organize e conecte as lutas negras de todo Brasil fortalecendo um projeto nacional antirracista, unificando em luta toda população afro-diaspórica, em prol de um futuro livre de racismo e toda e qualquer opressão. É nesse ambito que surge a Coalizão, firmada no enfrentamento ao racismo, ao genocídio, às desigualdades, injustiças e violências, incidindo politicamente a partir de valores da colaboração, ancestralidade, circularidade, partilha do axé, oralidade, transparência, autocuidado, solidariedade, coletivismo, memória, reconhecimento e respeito às diferenças, horizontalidade e amor.

Serviço
O que? III Encontro Nacional da Coalizão Negra por Direitos
Quando? 18, 19 e 20 de novembro de 2023.
Onde? Macéio, Alagoas, Brasil. 

 

Ipeafro lança na Bahia dois livros fundamentais para se pensar a contribuição negra para o Brasil

No dia 30 de outubro, às 17h30, o Centro de Estudos Afro-Ocidentais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), localizado em Salvador, será palco do lançamento de dois livros fundamentais para se pensar a contribuição negra na construção do Brasil: “Adinkra – Sabedoria em Símbolos Africanos” (ed. Cobogó em co-edição com Ipeafro), organizado por Elisa Larkin Nascimento e Luiz Carlos Gá; e “Abdias Nascimento, a Luta na Política” (ed. Perspectiva em co-edição com Ipeafro), escrito por Elisa Larkin Nascimento.

O evento de lançamento será na livraria Katuka e contará com a participação do artista Alberto Pitta e do advogado e professor Samuel Vida, que dialogarão com a autora Elisa Larkin Nascimento. A mediação da mesa será conduzida pela professora Eliane Boa Morte, enquanto a abertura ficará a cargo do escritor e artista Milsoul Santos – que fará uma interpretação do poema “Padê de Exu Libertador”, escrito por Abdias Nascimento. 

Os Adinkra, sistema de escrita dos povos do grupo linguístico Acã da África Ocidental, desempenham um papel fundamental na preservação e transmissão dos aspectos da história e filosofia africanas. Por outro lado, o livro “Abdias Nascimento, a Luta na Política” oferece uma visão profunda e memorável do legado político de Abdias Nascimento, desde sua volta do exílio nos anos 1980.  

SERVIÇO
Data: 30.10.2023
Horário: 17h30
Local: Centro de Estudos Afro-Orientais (UFBA) | Praça General Inocêncio Galvão, 42 | Dois de Julho – Salvador (BA)
Livraria: Katuka 

SINOPSES

ABDIAS NASCIMENTO, A LUTA NA POLÍTICA

Abdias Nascimento foi uma das mais importantes e brilhantes lideranças do Brasil, dedicando-se intensamente ao enfrentamento do racismo e à promoção do legado cultural afro-brasileiro. Escritor, artista plástico, dramaturgo, deixou um legado cultural incontornável através do TEN, Teatro Experimental do Negro, das pinturas que realçam sua ligação com a cultura africana e dos livros que denunciam o racismo e a violência das relações étnico raciais no Brasil. Na década de 1980, ele se dedicou à política institucional do Congresso Nacional, onde acreditava ser necessário pôr em pauta as questões raciais e implementar políticas públicas de reparação. Muito do debate atual e das políticas públicas inauguradas no país, nós devemos à sua atuação parlamentar, que é o objeto deste livro.

FICHA TÉCNICA

Autora: Elisa Larkin Nascimento
Coleção: Debates}
Assunto: Política
Formato: Brochura
Dimensões: 11,5 x 20,5 cm
240 páginas
ISBN 9786555050806
E-book 9786555050813
Lançamento: 2021

ADINKRA – SABEDORIA EM SÍMBOLOS AFRICANOS

Adinkra – Sabedoria em símbolos africanos reúne os ideogramas da escrita da tradição dos povos do grupo linguístico acã, da África Ocidental. Em um universo filosófico e estético baseado no corpo humano, figuras de animais, plantas, astros e outros objetos, os desenhos incorporam, preservam e transmitem aspectos da história, filosofia, valores e normas socioculturais dessa rica cultura africana. O livro apresenta mais de 80 símbolos acompanhados por significados, provérbios e simbologia originais. Mais do que uma homenagem a essa ancestralidade, a obra ajuda a fundamentar uma nova articulação da identidade brasileira. Como celebra o escritor, compositor e cantor Nei Lopes, em texto para o volume, “E assim como o kra é muito mais que a “alma”, um adinkra é muito mais que um símbolo gráfico. Então, através deste belo acervo, reunido e redesenhado por Elisa Larkin e Luiz Carlos Gá, em momento tão oportuno, a África parece vir dizer aos que a menosprezam e humilham, depois de tudo o que dela já fruíram, este provérbio acã: ‘Se a floresta te abriga, não a chame de selva’”. A edição conta ainda com o prefácio do professor, historiador e cientista político ganês Anani Dzidzienyo e um ensaio da pesquisadora e artista plástica Renata Felinto sobre os adinkra e os paradigmas não europeus de registro das historicidades.

FICHA TÉCNICA

Organizadores: Elisa Larkin Nascimento e Luiz Carlos Gá
Coleção: Coleção Encruzilhada
Coordenador da coleção: José Fernando Peixoto de Azevedo
Idioma: Português
Número de páginas: 160
ISBN: 978-65-5691-076-5
Capa: Thiago Lacaz
Encadernação: Brochura
Formato: 14 x 21 cm
Ano de publicação: 2022

Coluna Ipeafro no Pensar Africanamente discute os 40 Anos das primeiras proposições de políticas públicas antirracistas

Em 2023, as cotas nas universidades públicas e a Lei 10.639 completam duas décadas desde sua promulgação, resultado de uma intensa batalha política liderada pelos movimentos negros organizados ao longo dos séculos. Esse árduo esforço transformou uma concepção secular por repração em uma legislação incorporada à Constituição brasileira, fato inédito na história deste país. Este ano também marca os 40 anos das primeiras proposições das políticas públicas de ação afirmativa pelo então deputado Abdias do Nascimento, que incluíam as cotas no acesso à educação em todos os níveis, no mercado de trabalho, no serviço público e militar, o ensino da história e cultura africana no currículo de educação em todos os níveis, a definição do racismo e da discriminação racial como crime qualificado, o dia 20 de novembro como feriado nacional, entre outras medidas. Vale ressaltar que a proposta de cotas também contemplava o recorte de gênero, estabelecendo cotas de 20% para mulheres negras e mais 20% para homens negros. A coluna IPEAFRO celebra esses marcos históricos da luta pelas políticas de combate à discriminação racial no Brasil.

Canal Pensar Africanamente
Coluna IPEAFRO
Quinta-feira, 05 de outubro de 2023, 19:30
Online, pelo canal YouTube ou pelo Facebook Pensar Africanamente
Link direito para Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=0PyS7LE6IQU

Para comentar o assunto, convidamos:

Érica Malunguinho, mestra em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade. Em 2018 foi eleita deputada estadual por São Paulo, sendo a primeira mulher transgênero da Assembleia Legislativa de São Paulo. É criadora do Aparelha Luzia, um espaço para fomentar produções artísticas e intelectuais na capital paulista e é embaixadora do Museu de Arte Negra.

Talíria Petrone é mulher negra, mãe de dois e professora. Em 2016, foi a vereadora mais votada em Niterói. Em 2018, foi eleita deputada federal com mais de 107 mil votos. Na Câmara, enfrentou Bolsonaro e liderou a bancada do PSOL, a primeira negra e mãe. Em 2022, foi a terceira deputada mais votada do estado do Rio de Janeiro e a mais votada da esquerda fluminense, com quase 200 mil votos.

Colunista Ipeafro: Elisa Larkin Nascimento, autora do livro, é mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Nova York (EUA) e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi parceira de vida de Abdias Nascimento por 38 anos. Juntos fundaram, em 1981, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Elisa conceituou o fórum Educação Afirmativa Sankofa e escreveu diversos livros, entre eles O Sortilégio da Cor; os quatro volumes da coleção Sankofa; Adinkra, Sabedoria em Símbolos Africanos e Abdias Nascimento, A Luta na Política. É curadora do Museu de Arte Negra online e participa da curadoria da exposição Abdias Nascimento e Museu de Arte Negra, realizada em parceria do Ipeafro com o Inhotim (2021-23).

A mediação é de Silvany Euclênio, criadora do canal Pensar Africanamente, professora, historiadora, educadora social, ativista do movimento social negro, pesquisadora sobre relações raciais, história e cultura africana e afro-brasileira.

 

Encontro Prévio ao Seminário Memória, Patrimônio e Sociedade: Acervo Abdias Nascimento | IPEAFRO 🏛️

Na quinta-feira (13/7), o Ipeafro e a @casaruibarbosa realizaram um encontro prévio ao Seminário Memória, Patrimônio e Sociedade. Com a participação de diretores de cinco instituições museais públicas, dos governos federais do Brasil e dos Estados Unidos, e da prefeitura do Rio de Janeiro. (@muhcab.rio, @arquivonacionalbrasil, @museudarepublica, @casaruibarbosa, @nmaahc). Paul Gardullo, diretor e curador do Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana da Smithsonian (EUA) e Mário Chagas, diretor do Museu da República, visitaram o MUHCAB a convite de sua diretora Sinara Rúbia, @sinararubia. O secretário de cultura municipal, @marcelocalero, e diversas instituições da sociedade civil, como @institutopretosnovos, Ilê Axé Oxum Apará, @casasuelicarneiro, integrantes do Comitê Gestor do Cais do Valongo e da Rede Nacional de Museologia Social dialogaram sobre a importância da memória e do patrimônio cultural na construção das sociedades, fortalecendo o compromisso de preservar e valorizar a herança africana e afro-brasileira.