Amefricanidade: curta sobre Lélia Gonzalez traz a essência desta intelectual

Produzido pelo Canal Saúde, da FioCruz, o documentário conta a história de Lélia de Almeida Gonzalez (1935 – 1994), filósofa, antropóloga, professora, escritora, intelectual, militante do movimento negro e feminista. Em sua trajetória, teoria e prática estiveram organicamente conectadas.

Assista o documentário aqui: https://www.canalsaude.fiocruz.br/canal/videoAberto/amefricanidade-doc-cs30-0006

Encontros virtuais celebram conhecimentos de matrizes africanas

O Canal Pensar Africanamente, Selo Negro Edições e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO) realizam série de encontros virtuais em torno da coleção Sankofa – Matrizes Africanas da Cultura Brasileira e do livro O Sortilégio da Cor, de Elisa Larkin Nascimento. Serão mais quatro encontros promovidos na segunda quarta-feira de cada mês até dezembro de 2020, sempre às 19h. Haverá sorteio de livros por live. Um primeiro encontro foi realizado no dia 12 de agosto.

A coleção Sankofa – Matrizes Africanas da Cultura Brasileira tem o objetivo de contribuir para uma nova reflexão sobre questões importantes relacionadas à experiência afro-brasileira e às suas matrizes histórico-culturais. Os quatro volumes representam o conteúdo básico do curso de extensão universitária “Sankofa – Conscientização da Cultura Afro-Brasileira”, que o IPEAFRO ofereceu a partir de 1984 na Universidade  do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), primeira universidade do país a adotar o sistema de cotas. Trata-se de uma iniciativa de implantação da política de ensino da história e cultura africana, realizada duas décadas antes das cotas e da Lei 10.639/2003 que tornou esse ensino obrigatório.

Quando: Na segunda quarta-feira de cada mês, de agosto a dezembro de 2020, às 19h
Onde: Canal Pensar Africanamente (YouTube e Facebook)
Link da transmissão no Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=miaW_2TFR-o

AGENDA 

09 de setembro de 2020 – Coleção Sankofa v. 2 – Cultura em Movimento: Matrizes africanas e ativismo negro no Brasil

Participações: 

PETRONILHA BEATRIZ GONÇALVES E SILVA: Professora Emérita da UFSCar. Professora Sênior junto ao Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas da UFSCar. É autora de várias publicações na área da Educação.

ALESSANDRA PIO: Mestra e Doutora em Educação (UFRJ), Pedagoga (UFF). Participou do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, Universidade de Nova York, 2017/2018. Pesquisa a trajetória escolar de alunos negros, avaliação e racismo.

ELISA LARKIN NASCIMENTO: diretora do IPEAFRO e organizadora do livro e da coleção Sankofa. Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP).

SILVANY EUCLÊNIO: mediadora do encontro,  autora de um dos capítulos do livro. Historiadora, educadora, ativista do movimento negro. Coordenadora do Projeto Baobá – Ribeirão Preto Educando para a Igualdade Étnico-Racial (2006 a 2009) e de políticas públicas para e povos tradicionais na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (2011 a 2014). Integra o Conselho Editorial do Canal Pensar Africanamente.

Para ver ao vivo, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=miaW_2TFR-o

Resumo do livro
Com apresentação de Nei Lopes e de Carlos Moore, o livro abre com dois capítulos em que Nei Lopes aborda a cultura banta e o Islão negro no Brasil. Beatriz Nascimento escreve sobre o conceito de quilombo e a resistência afro-brasileira. Elisa Larkin oferece um esboço sucinto sobre o movimento negro no século XX, complementado por um histórico do Memorial Zumbi: comunicado à SBPC e depoimento do historiador Joel Rufino dos Santos. Na segunda parte do livro, com enfoque sobre a atuação do movimento negro na educação, Elisa Larkin apresenta um pequeno histórico da evolução das políticas públicas conquistadas e registra iniciativas no Rio de Janeiro. Vera Regina Triumpho escreve sobre ação educativa no Rio Grande do Sul; Silvany Euclênio relata o Projeto Baobá em Ribeirão Preto, e Piedade Marques depõe sobre ações em Pernambuco.

  

 

14 de outubro de 2020 – Coleção Sankofa v. 3 – Guerreiras de Natureza: Mulher negra, religiosidade e ambiente
 Participações:

HELENA THEODORO, bacharel em direito,Pedagoga, Mestre em Educação, Doutora em Filosofia, Pós doutora em História Comparada. Presidente do Conselho Deliberativo do Fundo Elas e coordenadora do grupo de pesquisa de carnaval LUPA do IFCS/UFRJ. Autora de vários livros. 
 
LÚCIA XAVIER, é assistente social, cofundadora e coordenadora de CRIOLA, organização de mulheres negras com sede no Rio de Janeiro. Integra o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030, implementado por ONU Mulheres-Brasil.

ELISA LARKIN NASCIMENTO: diretora do IPEAFRO e organizadora do livro e da coleção Sankofa. Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP).

SILVANY EUCLÊNIO: mediadora do encontro,  autora de um dos capítulos do livro. Historiadora, educadora, ativista do movimento negro. Coordenadora do Projeto Baobá – Ribeirão Preto Educando para a Igualdade Étnico-Racial (2006 a 2009) e de políticas públicas para e povos tradicionais na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (2011 a 2014). Integra o Conselho Editorial do Canal Pensar Africanamente.

Resumo do livro
Com apresentação de Mãe Beata de Yemonjá e da socióloga Mirian Goldenberg, o livro abre com textos de Lélia González e Gizêlda Melo Nascimento sobre a mulher negra no Brasil. Helena Theodoro, Sueli Carneiro e Cristiane Cury abordam a mulher e a tradição de matriz africana em quatro textos, seguidos de reflexões de Elisa Larkin e Aderbal Moreira que focalizam o ambientalismo nessa tradição. Hédio Silva Jr. contribui um capítulo sobre o direito e a intolerância religiosa, seguido de textos de Dandara, Nei Lopes e José Flávio Pessoa de Barros com Maria Lina Leão Teixeira e com Clarice Novaes da Mota, que focalizam a relação da tradição de matriz africana com a natureza em diversos aspectos, como o Sassanhe, o Jurema e a ancestralidade banta e indígena.

 

 

11 de novembro – Coleção Sankofa v. 4 – Afrocentricidade, uma Abordagem Epistemológica Inovadora
convidados a definir

09 de dezembro – O Sortilégio da Cor. Identidade, Raça e Gênero no Brasil
convidados a definir


ENCONTROS REALIZADOS (memória)

12 de agosto – Coleção Sankofa v. 1 – A Matriz Africana no Mundo
Participações do filósofo prof. Dr. Renato Noguera, do Departamento de Educação/UFRRJ), pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro) e coordenador do Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Infâncias (Afrosin); e de Kaká Portilho, doutoranda em Antropologia Social, fundadora e presidente do Instituto Hoju e coordenadora do Centro de Altos Estudos e Pesquisas Afro-pindoramicas. Elisa Larkin Nascimento e a mediadora Silvany Euclênio estarão presentes nas cinco lives. 
Veja completo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=O5WQpf6eHKY&t=28s

Espetáculo sobre Carolina Maria de Jesus chega a Ipanema, no Rio

Andréia Ribeiro interpreta Carolina Maria de Jesus no Teatro. A atriz também foi responsável por obter os direitos autorais junto à família da homenageada. Crédito: divulgação Laura Alvim

Com apenas dois anos de escolaridade, a escritora Carolina Maria de Jesus tornou-se reconhecida internacionalmente por “Quarto de Despejo”, um diário no qual narrou a rotina em uma comunidade de São Paulo. Agora, sua vida é apresentada no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, no Rio de Janeiro, até o dia 13 de maio, de sexta a domingo. Ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou pela internet, nos valores de R$ 40 e 20 (meia entrada e idosos). 

A peça leva aos palcos uma adaptação que mescla”Quarto do Despejo” e Diário de Bitita, também escrito por Carolina, porém, publicado cinco anos após a sua morte. Este outro título é autobiográfico e narra a trajetória, ainda na infância, batalhando por sua sobrevivência. Nascida em 1914, mesmo ano de nascimento de Abdias Nascimento (1914-2011), Carolina Maria de Jesus teve uma infância miserável na qual foi bastante explorada. Logo nos primeiros anos de sua vida, foi obrigada a viver como pedinte para sobreviver.

Matriculada em uma escola apenas por dois anos, nesse breve experiência Carolina aprendeu a ler e após a morte de sua mãe, mudou-se para a favela do Canindé, em São Paulo. Lá, construiu sua casa sozinha para dar conta dos três filhos. E nesta casa simples, paupérrima, escrevia suas obras primas tendo como objeto o seu duro cotidiano, com relatos impressionantes sobre a fome, por exemplo. 

Durante uma reportagem próximo à casa de Carolina Maria de Jesus, o jornalista Audálio Dantas leu os escritos e viu uma obra de arte diante de suas mãos. Nesse contexto, “Quarto do Desejo” foi lançado, trazendo ao público as inscrições de um dos cadernos da autora, e imediatamente alcançou grande êxito: somente no Brasil, foram vendidas 100 mil cópias. O título alçou a escritora ao cenário internacional, sendo traduzido em 13 idiomas, comercializaddo em 40 países e resultaram em artigos no Le Monde (França), New York Times e outros. 

Em 1977, Carolina se juntou aos nossos ancestrais, quando vivia em uma casa simples, de alvenaria, dora da favela do Canindé. Após seu falecimento, continua sendo reconhecida pelo mundo: foi incluída na Antologia de Escritoras Negras, publicada em Nova Iorque, e no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis, lançado em Lisboa.

Carolina fora reconhecida tardiamente. Por que? Conceição Evaristo, também escritora, dá uma pista: em entrevista à Carta Capital, Evaristo atribui a invisibilidade e a falta de oportunidade de nossa gente ao racismo institucional. No caso das duas escritoras, na área da literatura. Até quando? 

* Com informações do Jornal VIA, de distribuição gratuita.

SERVIÇO

Local: Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço Rogério Cardoso
Endereço: Avenida Vieira Souto, Nº 176 – Ipanema.
Telefone: (21) 2332-2016
Sessões: Sextas e sábados às 20h; domingos às 19h
Período: 20/04 a 13/05
Direção: Não informado
Texto: Adaptação dos textos ’Quarto de Despejo’’ e “Diário de Bitita’’ de Carolina Maria de Jesus
Classificação: 14 anos
Entrada: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Terça a sexta de 16h a 21h; sábado de 15h a 21h; domingo e feriados de 15h a 20h
Gênero: Drama
Capacidade: 245 lugares
Sinopse: A peça é uma adaptação das obras ‘’Quarto de Despejo’’ e “Diário de Bitita’’, ambas da escritora mineira Carolina Maria de Jesus. A encenação segue o fluxo de memória de Carolina, refazendo sua trajetória da infância miserável em Sacramento, no interior de Minas, quando a chamavam de Bitita, até o lançamento do seu primeiro livro – com enorme sucesso. Uma história surpreendente e inspiradora. A menina que estudou apenas dois anos do primário virou uma grande escritora.